Uma Conversa com Breno Galtier

Harmonia e naturalidade na fotografia

O Breno é um cara tranquilo. Pelo tom de voz calmo e sereno, pela facilidade de acesso, pelo approach ao trabalho. Mas esse cara tranquilo tem um olho único, algo que o torna um fotográfo memorável entre tantos outros. Focado na fotografia musical, o natural de Brasília tem um olhar criado pela experiência do espectador. O ponto de vista do público, fã, absorvedor daquela catarse.

Há um certo tempo que eu tinha uma vontade pessoal de entrevistá-lo, e na tranquilidade, conseguimos rapidamente estabelecer contato. Mesmo em turnê com o Silva, e fazendo recentes trabalhos com várias outras bandas, marcamos uma ligação pra semana seguinte.

Por escolher um meio tão difícil de se prosperar, a música, o Breno busca o caminho das pedras ao mesmo tempo que molda um estilo próprio de se fotografar. Leia aqui a nossa a conversa sobre a naturalidade das nossas imagens, carreira e como se manter ativo no meio disso tudo.

http://www.brenogaltier.com/

Como foram teus primeiros passos na fotografia musical?

“Foi em 2012, em Brasília, que eu comecei.
Eu ia lá no show, levava a câmera e fotografava as bandas que eu curtia, fazendo por portfólio mesmo. Eu ia tentando mostrar pros artistas que me davam acesso. Fiz isso bastante em Brasília e em Goiânia. Sempre fui mais fã mesmo, então o começo foi meio que isso de seguir os artistas mesmo pra buscar um espaço.

Antes mesmo de eu me inserir no meio, lá por 2010, eu acompanhava muito o trabalho de caras como o Cesinha. Naquela época mais antes do meu início, a galera usava muito o fotolog e eu acompanhava nesse sentido. Isso que me deu minhas primeiras referências assim.

A primeira banda que me deu espaço me deu espaço mesmo foi A Banda Mais Bonita da Cidade. Uma vez, quando eu tava bem no começo, fiz um show deles, mostrei as fotos e eles meio que piraram assim. Aí foi um tempo que eles sempre iam pra Brasília, umas três vezes ao ano. Nessas idas a gente trabalhou muito, várias promos, shows, fiz até trampo no DVD deles. 
Os caras me abriram muitas portas.”

De 2012 a 2018, a cena artística mudou muito.

“Quando eu me inseri no meio da fotografia mesmo, não tinha essa necessidade de instagram que hoje as bandas tentam mais obrigatoriamente postar todo dia assim. As bandas que eu conhecia não contratavam um fotógrafo pra postar sobre todos os shows e tal. Naquela época de 2012–13, era mais facebook mesmo. Usar fotos de grandes shows e tal.

Hoje em dia certamente nós já chegamos num melhor momento assim. Muitas bandas tem valorizado mais contratar pra que tu faça um trabalho que só quem conhece a banda pode fazer mesmo. Tipo viajar junto, documentar a vida da banda mesmo. Antigamente eu nunca via oportunidades dessas acontecerem. Era um lance muito fechado.”

Como tu descreveria um processo criativo pra um fotógrafo de bandas?

“Uma coisa muito boa pra começar é conhecer pelo menos um pouco do som das pessoas. Isso é crucial pra você conseguir adaptar o seu estilo pra poder capturar a essência da banda. É legal ter um estilo forte, mas poder moldar teu estilo pra capturar um pouco da essência, é melhor.

Quando eu vou fazer um show internacional, de uma banda que ás vezes eu não conheço e tem sempre aquela pressão de poder fotografar X músicas, tento sempre assistir alguns vídeos antes. Tento imaginar e me situar pra não chegar lá sem saber o que fazer.”

Foto ou vídeo?

“Tenho tentado fazer um pouco mais de vídeo. Ainda é um pouco difícil pra mim ligar as duas coisas, mas tenho tentado investir mais nisso.

É importante pra gente colocar movimento nas nossas imagens, sabe?
Eu acho que ajuda muito a implementar ainda mais o nosso trabalho, principalmente com bandas.

Tive experiências e algumas opurtunidades ultimamente de poder fazer clipes e coisas mais nesse sentido, mas o que eu curti mesmo foi fazer algo mais numa pegada documental. Isso que eu quero tentar mais.”

Como tu te ambienta profissionalmente?

“Isso é meio louco, né? 
Hoje as coisas mudam a todo momento e parece que tudo é meio instável. 
Eu sinto como se eu tivesse a todo momento indo atrás de conseguir isso, essa estabilidade, saca?

Mas acho que um dos pontos que me ajudou muito foi poder finalmente trabalhar com bandas grandes em Brasília. A maneira como eu comecei, sendo mais fã e como as coisas foram fluindo, foi um pouco mais díficil de achar uma forma de tornar rentável e estável pra que eu pudesse sair da casa dos meus pais e me virar assim.

Mas quando comecei a trabalhar com bandas grandes em Brasília mesmo que essas coisas começaram a mudar um pouco e que eu consegui imaginar que isso poderia ser possível assim. Mas é um negócio instável, e ainda que decidi me mudar pra São Paulo, ainda não tenho uma certeza de como encontrar a estabilidade.

O negócio é continuar tentando mesmo, ficar parado não é bom não”.


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