Como será a cidade do futuro?

Perguntamos a arquitetos, estudantes e professores o que eles pensam sobre as cidades de amanhã


Vista panorâmica da cidade de Londres — kloniwotski CC BY — SA 2.0

Hoje, 15 de dezembro, é comemorado o Dia Nacional do Arquiteto e Urbanista, data escolhida em homenagem ao nascimento do arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer.

Para comemorar, a equipe do Simetrias perguntou à profissionais, estudantes e professores de Arquitetura como será a cidade do futuro. O arquiteto, que está entre os principais profissionais consultados para planejar o futuro das cidades, concebe, planeja e pesquisa para ter a visão global das interferências, e busca as soluções para as necessidades dos espaços e seus usuários.

E você, como acha que será a cidade do futuro? Deixe sua opinião nos comentários.

Aline Krupkoski

“O que se projeta a longo prazo para as cidades é um futuro high tech e sustentável. Até lá eu queria encontrar cidades mais humanas com espaços projetados para resgatar a ligação das pessoas com a natureza e fortalecer as relações humanas. Como em toda relação isso só é possível quando o caminho é de mão dupla, a cidade é de todos e é preciso cada vez mais ter a consciência que tudo só funciona bem quando o cuidado é mútuo”.

Aline é arquiteta e urbanista pela Unipar, especialista em Projeto e Concepção do Ambiente Construído — Unipar (2010), e em Arquitetura, Interiores e Iluminação— IPOG 2016. Atua em Francisco Beltrão.

Carolina Santos

“Em meio a tantas adversidades, estamos vivenciando um caos em todos os setores e os nossos representantes pouco fazem pela nossa nação. Com o tempo, acredito que pessoas perceberão que a mudança está dentro delas, que de fato cada um precisa mudar para que os outros ao lado se sensibilizem e mudem também. Formando grupos, cada qual com seu objetivo, visando questões políticas, sociais, econômicas, ambientais, culturais e lutando por eles. “O pensar globalmente, mas atuar localmente”. Estou me referindo à sustentabilidade na sua totalidade. Espero que as nossas cidades do futuro sejam ambientalmente sustentáveis, no acesso e uso dos recursos naturais, bem como a preservação da biodiversidade; socialmente sustentáveis, na redução da pobreza e desigualdades sociais; culturalmente sustentáveis, na conservação dos sistemas de valores e politicamente sustentáveis, no empoderamento do povo e democracia. Espero que a cidade do futuro seja mais humana, tenha mais fé e faça algo pela população vulnerável”.

Carolina é arquiteta e urbanista, especialista em Arquitetura e Construção Civil, foi professora da Faculdade Mater Dei, de Pato Branco, é mestranda no Programa de Pós Graduação em Engenharia Civil, na UTFPR Pato Branco. Atua em Dois Vizinhos.

Michel Macedo

“Definitivamente as cidades do futuro serão mais conectadas. As necessidades crescentes de repensar a maneira que consumimos os recursos naturais, em conjunto com o desenvolvimento das tecnologias de informação, devem promover nas cidades uma nova forma de gerenciar suas demandas — smart cities. Acredito que caminhamos para uma sociedade mais colaborativa e participativa em que as pessoas se aproximam e se identificam por seus interesses com ajudas das redes e mídias sociais. Esses novos recursos vem gerando uma visão mais humana das imprevisibilidades da vida, permitindo que as pessoas influenciem ativamente as decisões urbanas e políticas. Afinal, como podemos almejar uma cidade ideal se não mais justa e igualitária?”.

Michel é arquiteto e urbanista pela PUC-PR, especialista em Sustentabilidade em Arquitetura e Desenvolvimento Urbano, professor da Faculdade Mater Dei, premiado no Concurso da Nova Sede Mercês do Clube Curitibano-Curitiba PR. Atua em Pato Branco.

Mônica Alessandra Guerios

“Considerando o fato de que mais de 70% da população mundial viverá em cidades até 2050, segundo a ONU, pensar em uma cidade que materialize espacialmente as diferentes complexidades das relações sociais que ali se estabelecem, respeitando-as e representando-as, além de ter o cuidado de integrar efetivamente o meio ambiente nessa dinâmica, é pensar em uma cidade inclusiva, tanto do ponto de vista social, quanto do ponto de vista físico”.



Mônica é estudante do quinto ano de Arquitetura e Urbanismo da UFPR, ganhou Menção Honrosa no Concurso “Pensar La Vivienda, Vivir La Ciudad” — ONU/HABITAT (2016), e segunda colocada no Concurso Nacional de Desenho Urbano “Urban 21” (2016). É natural de Pato Branco.

Tamara Alff

“Acredito que o futuro reserva melhorias aos cidadãos. Elas tendem a ser promovidas inclusive pelos usuários das cidades, que em coletivos, irão buscar soluções com auxílio da tecnologia, aplicativos ou startups.

Para nós, profissionais, em qualquer dimensão de trabalho de arquitetura e urbanismo a definição e implantação de sistemas que possibilitam aproveitar os recursos naturais e ainda o emprego de materiais produzidos localmente, são premissas bastante conhecidas que serão ampliadas para mais elementos e soluções.

Também acredito que as grandes metrópoles serão as primeiras à implantar os edifícios chamados de fazendas urbanas. Se a dinâmica do edifício ocorrer conforme o esperado, serão implantados em cidades menores. Trazer o campo para a cidade já é uma alternativa para onde se tem pouco espaço para o plantio, mas também resulta em sustentabilidade já que o alimento é produzido mais perto de onde está a maior demanda.

Creio em cidades mais verdes e sustentáveis, onde os usuários têm consciência de que tudo o que fazemos hoje, reflete no amanhã”.

Tamara é tecnóloga em Construção Civil — UTFPR Pato Branco, arquiteta e urbanista pela Faculdade Mater Dei, especialista em Lighting Design pela Universidade Positivo e Mater Dei. Atua em Pato Branco. É redatora e editora do blog Simetrias.

Vânia Deeke

“Acredito que o futuro está no desenvolvimento de cidades médias, tendo como objetivo a qualidade de vida de sua população. Cada qual buscando na sua essência, alternativas inovadoras. Uma escala média, mas que ofereça alternativas de educação em todos os níveis, cultura e saúde — qualidade de vida. A média escala permite que a verticalização não seja exagerada. Edifícios de média altura com recuos adequados poderão permitir a insolação adequada. E como na Análise de Ciclo de Vida dos Produtos e das Edificações, a cidade do futuro deverá criar as soluções econômicas, sociais e ambientais em seu próprio ciclo. Um exemplo, é a coleta de lixo na cidade de São Francisco (EUA). São coletados separadamente — lixo reciclável, lixo orgânico, e o lixo para o aterro sanitário (o que não é reciclável, e nem orgânico). Todo o lixo orgânico vai para compostagem, transformando-se em adubo para os vinhedos ao seu redor — no Napa Valley — de onde saem os famosos vinhos californianos. Ganha o ambiente, com menos áreas para aterro sanitário, a economia, e a saúde de todos, pois leva a produção com menor índice de agrotóxicos, ou ainda totalmente orgânica. Soluções para cidades sustentáveis, este é apenas um exemplo, quantos poderão ser desenvolvidos”.

Vânia é arquiteta e urbanista, especialista em Arquitetura Contemporânea e Mestre em Tecnologia. Professora de Graduação (Faculdade Mater Dei) e Pós-Graduação (UTFPR/UP/PUC-PR). Consultora em sustentabilidade, projetos e sistemas de certificação. Atua em Curitiba.