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A supressão de sintomas é a matéria escura da ciência médica que berra

Nossa medicina intervencionista também lida com um tipo de “matéria escura”, conhecida dos vitalistas pela noção de “supressão de sintomas”; tal como a primeira, o conceito existe, atua de forma previsível e explica o nosso mundo observável — mas a ciência que berra simplesmente não a vê

Andrômeda e seus clusters ilustram neste artigo de Ethan Siegel a dura questão: para o universo fechar “as contas” falta o que os cientistas nomearam de matéria escura; depois de muita luta e pesquisas, ele comenta que ainda falta encontrar e identificar 85% de toda a matéria existente no universo conhecido e que 99% desse montante é simplesmente de algo que não se conhece. E ainda tem gente que se sente muito sabujo sobre as verdades da Terra…: “That’s the great mystery of our time”, Siegel conclui no texto (restrito para assinantes, mas aberto para 3 artigos mensais) | Foto: Guillermo Ferla, via Unsplash

Um mistério intriga desde 1930 a ciência que observa os céus: onde está a matéria que deveria existir ali, para que o universo feche suas contas? Pela contabilidade atual, faltam ainda uns 85% de matéria para que isso aconteça — ou seja, se a soma de tudo que observamos nos céus fosse igual a 100, apenas 15 disso é o que realmente vemos ou conseguimos detectar. O resto é algo que está lá, mas ninguém sabe onde, nem o que é. A matéria escura é ainda um enigma científico.

A ciência médica — aquela que berra, interdita o debate, bate no peito e diz que tudo sabe e tudo vê — também tem sua matéria escura. Toda vez que seus remédios e intervenções miraculosas acontecem, o que realmente está acontecendo na grandíssima maioria das vezes é um processo de supressão de sintomas. Sintomas, porém, não são a doença.

Acontece que a medicina — amparada pela ciência que lhe dá sustentação — especializou-se a combater os males por meio da supressão da parte visível, um trabalho cada vez mais vistoso ao longo dos últimos 100 anos e cujo ponto de inflexão pode ser creditado à descoberta de Alex Flemming, o paizão da penicilina, em 1919.

A diferença entre pesquisadores focada no universo microscópico e os pesquisadores dos universos macro, astrônomos e físicos teóricos, é que os últimos realmente sabem que a matéria escura é um enigma e lutam para entender e solucionar a questão.

Já a medicina dita científica simplesmente não vê os efeitos deletérios da supressão de sintomas, esse que é talvez o mais fundamental conceito prático da doutrina homeopática. Pior: os valorosos cientistas em torno da indústria global de intervenção medicamentosa não estão nem um pouco interessados em tentar pesquisar, ver ou entender esse lado escuro e obscuro da saúde.

A medicina dominante no planeta contenta-se em decretar que o estado de saúde é atingido quando o sintoma manifestado por um paciente deixa de se expressar. Isso explica inclusive o motivo pelo qual a alopatia “funciona” e é tão popular.

Sim: a alopatia funciona. Ela suprime com muita eficácia a manifestação visível que afeta alguém. O verdadeiro motivo do estado de doença, no entanto, continuará ali, cada vez mais submerso.

Ou então o corpo tratará por ele mesmo da questão. Não se descarte o poder do efeito placebo como uma possibilidade de cura. De verdade.

(E para entender melhor a questão não esqueça de ler o artigo de Rodolfo Baroncelli, Moléstia e medicinaaliás, sempre que voltar neste similibus, releia esse que é o texto mais fundamental do blog.)

E sim: a homeopatia funciona ainda mais porque busca identificar, entender e tratar o verdadeiro estado único de desequilíbrio que faz de uma pessoa alguém doente. Ela funciona porque trata o doente, não a doença em si.

o sintoma e sua supressão: manifestação e pseudocura

A verdadeira medicina homeopática entende a supressão de sintomas como a principal questão a ser evitada ao longo de um tratamento. Embora a alopatia faça desse quesito sua especialidade — é um sucesso fazer a dor de cabeça desaparecer num passe de mágica! — a supressão também pode acontecer por meio de um medicamento homeopático. A habilidade do médico homeopata está em entender a dinâmica manifestada pelo paciente. Não é simples.

O lado perverso da supressão, segundo os postulados da homeopatia, é que as doenças se curam de dentro para fora e de cima para baixo. Ao suprimir um sintoma, qualquer medicina que a provoque faz a operação inversa àquela que o corpo estava tentando fazer.

O qualquer acima está sublinhado porque uma das ideias mal debatidas, interpretadas e entendidas quando se discute homeopatia é a noção de que “um chazinho não faz mal”. Um conceito popular é julgar que uma agulha de acupuntura ou outras ações conhecidas nas medicinas ditas alternativas são agasalhadas pela doutrina homeopática. Não são. Tema para depois.

onde foi parar o sintoma que estava aqui?

No universo da natureza, na Terra ao menos e talvez em todo o universo conhecido, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. A máxima do cientista decapitado — a França da revolução francesa não precisava de cientistas… — Antoine Lavoisier serve para contextualizar o problema na sua forma mais ampla. Um sintoma suprimido não some. Ele se transforma e tende a se remanifestar de forma mais interna, mais densa e intensa, além de começar a migrar para a parte superior do corpo.

Ora, estamos enganados ou na parte superior do corpo estão os principais órgãos? Pela base: genitais, sistema digestivo, pulmão, coração e cérebro. A tese explica a incidência cada maior nos últimos 100 anos das tais doenças degenerativas, por exemplo. O que falta agora? Se a ciência quisesse discutir as coisas por essa perspectiva, haveria um mundo de pesquisas que poderiam ser realizadas com dados primários e secundários, cuja apuração poderia apontar novos e interessantes insights. Além de pesquisas observacionais de longo prazo e bem conduzidas.

O resultado empírico da supressão de sintomas praticada ao longo dos últimos 100 anos é um aumento expressivo em nível mundial das doenças degenerativas, psicoses ou depressões. Isso é estatístico e pode ser medido, basta ter olhos de ver. Também pode ser atribuído à supressão a ocorrência de “doenças raras” em pessoas que antes estavam manifestando seus males na forma de sintomas mais periféricos ou mais simples.

Em suma: nossa medicina intervencionista age sobre o que vê e é cega para o universo paralelo que ela mesma cria.

Quem se interessa em fazer ciência e pesquisas com esse enfoque?

A quem interessa não fazer ciência assim?

Por que jornalistas não conseguem estudar ou entender outros contextos além das teses que rendem manchetes ao estilo “Não olhe para cima”, o filme que fez modinha um tempo nas redes sociais no início de 2022?

O mundo não é plano.

Ficam as questões e, principalmente, a proposta de uma linha de pesquisa que ao menos parta de novas perguntas.

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blog sobre vida, saúde, bem-estar e medicina, com uma visão vitalista e homeopática

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cassiano polesi

cassiano polesi

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Adoto homeopatia desde 1980, assistido enquanto pôde pelo mestre Sylvio Mollo, meu médico de família: uma história de excelentes resultados merece ser discutida