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“O ser humano é um vírus”

Mr. Smith estava quase certo quando divagava e torturava Morpheus, o amigo de Neo no filme Matrix: a humanidade repete o padrão comportamental de um… vírus!

Leia como uma trilogia: texto 1, texto 2, este texto 3

“O ser humano não é um mamífero”, considerou o algoz de Neo na trilogia Matrix, filme referência de uma geração. Para ele, outro ente no planeta Terra segue o padrão de desequilíbrio que os humanos provocam: “um vírus”.

Morpheus faz cara de bravo, porém o argumento do agente Smith é bom: sim, o ser humano comporta-se como um vírus. Mais do que isso: os humanos seguem a passos largos para serem literalmente vírus, na medida em que só conseguiremos viver no planeta por meio de artifícios… Vida besta, não? (veja o trecho no YouTube, a partir deste link [use ctrl/cmd+clique para abrir em outra janela])

O algoz era o agente Smith, o Mr. Smith, o primeiro “homem de preto” a aparecer nas telonas — os homens de preto heróis que vieram depois estavam simplesmente copiando um bom design de personagem… Mr. Smith se deu mal com Neo na Matrix, mas a tese dele é quase boa. Ele atirou no que viu e acertou no que não viu. Afinal, ele estava ali para defender o primado da tecnologia, a própria Matrix. Nada contra tecnologias, apenas há uma medida nas coisas e o excesso errado pode nos levar ao caos. Não?

O que é um vírus? Numa redução básica, é um não ser, pois não é “vivo” o suficiente para se reproduzir por si. Para se perpetuar, um vírus usa as estruturas celulares de outros seres mais sofisticados, existentes no ambiente do planeta. A partir daí é possível afirmar que um vírus sobrevive por meio de um artifício. É, por esse viés, um ser artificial.

Seres humanos estão em pé de guerra com o planeta há muito tempo. Expertos e espertos como sói acontecer, os humanos conseguiram definir há uns 300 anos um modelito mental interessante para dar suporte a esse audacioso empreendimento — limpar o planeta de outros entes incômodos. Como os vírus. Há uns 300 anos, os humanos perceberam que é interessante pensar e agir mecanicamente, ou seja, ao invés de encontrar um equilíbrio, melhor seria o confronto.

Mr. Smith apenas criticamente resumiu bem um lado da questão, que é a incapacidade de conviver com o próprio ambiente Terra de forma sustentável. A ideia do confronto é um tanto burra porque parte para o enfrentamento de coisas que habitam o planeta há bilhões e bilhões de anos, mas é o que temos para o jantar: esse é o pensamento que ganha o carimbo de “boa ciência” pela ciência que vê a parte e perde o todo.

Pouco tempo depois, planetariamente falando, os humanos aprenderam que é possível encontrar formas realmente práticas de colocar a estratégia do confronto de pé e para valer. Podemos definir a descoberta da penicilina em 1928 como o ponto simbólico dessa guinada. A partir daí, estava dada a senha para uma verdadeira corrida tecnológica com vistas a “limpar” o planeta, ação sempre adequadamente guiada pelo mecanicismo.

Insisto nessa visão pois é essa ideia-força que deixa tudo em pé. Na cabeça mecânica, os males humanos — as doenças — serão eliminados no dia em que os agentes do mal forem identificados e aniquilados. A guerra corre solta, algo fácil de notar pois a comunicação médica e científica usa o tempo todo a retórica do conflito armado contra alguns inimigos. Basta uma leitura atenta a reportagens no mundo inteiro e é fácil perceber esse detalhe.

À parte o erro estratégico, há a outra questão: o autoritarismo a-do-ra um inimigo à espreita, adora uma guerra infinita — tal qual 1984, a distopia sempre oportuna de se lembrar. Tema para outro texto.

Sim, estamos em guerra contra o planeta. Não ocorre a essa argumentação e estratégia de ação a célebre pergunta do nosso grande filósofo e mestre da bola Mané Garrincha: “Combinaram com os russos?”

Os russos, no caso, são aqueles entes irresponsáveis que teimam em atrapalhar nossa suposta vida boa no planeta Terra. Como se nós, os humanos, não fossemos também fruto dessa fôrma — aiaiai, reforma ortográfica, por que tirou o acento e igualou fôrma e forma? —, fôrma modelada por uma sopa virótica e bacteriana: um sem-número de bichinhos e quase bichinhos que estão no pedaço há muito mais tempo do que nós e que por isso nos moldaram, de certa forma. Convivemos com trilhões deles sem problema, uma ciência que a ciência pouco investe para saber a respeito.

Na argumentação do agente Smith, os humanos comportam-se de forma virótica porque se reproduzem loucamente, ocupam e consomem o local onde vivem, devastam tudo e depois seguem para devastar outros locais. Faz sentido. Numa leitura mais homeopática a humanidade é um vírus porque passou a ser semelhante a seus inimigos — mesmo aqui tem aplicação a fundamental lei dos semelhantes que rege a homeopatia. Ademais, igualar-se aos inimigos é uma característica muito conhecida na vida e na guerra.

A humanidade, na sua luta contra o planeta, usa e abusa de recursos “extras”, ou seja, lança mão de um artifício para sobreviver em um ambiente que não lhe oferece nada de tóxico, por óbvio, caso contrário não estaríamos aqui. Resultado: assim como os vírus que luta para combater, a humanidade também está construindo, em especial nos últimos 100 anos, uma forma artifical de vida, apoiada em muletas pra lá de conhecidas: antibióticos, antivirais, vacinas aplicadas de forma aleatória e sem considerar as individualidades, e uma infinidade de intervenções medicamentosas de altíssimo impacto, cada vez mais sofisticadas.

Mas não combinamos com os russos. Quem sobreviveu a um planeta em condições muito piores das que nos abrigam nos últimos quatrilhões de anos, por baixo, não vai parar de sobreviver só porque resolvemos fazer dessa guerra um meio de vida e de negócios.

Salvar vidas importa, sem dúvida, e a homeopatia oferece resultados positivos a partir da realidade individual, salvando vidas com menos agressão e total equilíbrio. O que temos para o jantar, porém, é outro menu.

A humanidade caminha alegremente para tentar sobreviver na Terra por meio de artifícios, com o suporte que se quer heroico da chamada ciência baseada em evidências. É evidente que a opção pela guerra acaba igualando a humanidade aos inimigos que ela elegeu para combater. E não vai dar certo.

Em um planeta lindo como esse qual a graça de viver artificialmente? Qual é a ideia? Uma redoma de plástico?

Ter sua máscara cobrindo o rosto é apenas um pequeno símbolo dessa vida besta, mais um toque sutil da profa. Covid-19 no 2020 cheio de fatalidades e dilemas que não saberemos responder e precisaremos de muitos anos para simplesmente começar a entender.

Siga este link: https://www.youtube.com/watch?v=L5foZIKuEWQ para ver a cena completa do monólogo do Sr. Smith com Morpheus no YouTube [use Ctrl/Cmd + clique para abrir em outra janela]

— c.

[atualização de 17/01/2021] Referência interessante, o texto de Flávio Diegues, na… Superinteressante: O homem é um vírus.

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Cassiano Polesi adota a homeopatia desde 1980, uma história de excelentes resultados merece ser contada, e escreve neste blog sobre o espírito do tempo que aprendeu a ver em medicina, saúde e bem-estar.

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blog sobre vida, saúde, bem-estar e medicina, com uma visão vitalista e homeopática

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Adoto homeopatia desde 1980, assistido enquanto pôde pelo mestre Sylvio Mollo, meu médico de família: uma história de excelentes resultados merece ser discutida