Comunidade Progresso

Um prefácio por Rodrigo Constantino

A história que João César de Melo conta nesse livro será extremamente familiar ao leitor brasileiro, a ponto de ele ficar na dúvida se está numa obra de ficção ou num relato jornalístico. Todas as incríveis semelhanças não são mera coincidência.

Ao transferir a realidade de todo um país para o contexto de um condomínio, tudo fica mais claro. Qualquer pessoa, versada ou não em economia e em ciências políticas, será capaz de compreender a essência do problema, detectar os lobos em pele de cordeiro, identificar as origens dos enormes males que nos assolam. Como foi possível tanta desgraça causada pelos populistas? Por que ninguém deu atenção aos vários alertas das poucas Cassandras que sabiam como a coisa terminaria?

Todos nós estamos cansados de ver um monte de gente bancando o altruísta, o abnegado, apenas para mascarar sua sede por poder, por dinheiro ou como forma de aniquilar o indivíduo, diluindo-o numa enorme massa monolítica, aplacando assim a angústia do recalcado, do invejoso, daquele que sofre complexo de inferioridade. Conhecemos pessoas assim, lidamos com elas todos os dias, mas nem sempre somos capazes de dissecar sua essência, de entrar em seus pensamentos, mergulhar em sua alma, de olhar por trás da máscara.

A trama criada por João César de Melo reproduz de forma peculiar a história recente do Brasil. As situações fictícias encaixam-se perfeitamente em nossa realidade. Os personagens são tão reais e próximos a nós que conseguimos entrar em suas mentes, ver o mundo como eles enxergam, enxergar além do dissimulado que chega aos eleitores.

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Cada capítulo potencializa a revolta que sentimos por tudo de mal que essa gente faz ao Brasil, principalmente às Suelis da vida, que desejam apenas melhorar de vida com o suor de seu trabalho, oferecer um conforto maior aos seus filhos, mas acabam sendo tragadas pelas falsas promessas dos oportunistas de plantão.

As metáforas remetem a linguagem de George Orwell. A estrutura literária lembra a Revolta de Atlas de Ayn Rand. Percebe-se citações a Milton Friedman, Hayek e Mises. São muitas as mensagens liberais sutilmente exploradas nestas páginas tão fáceis quanto profundas; e também a essência do mal, as verdadeiras intenções por trás dos discursos de igualdade social, de democracia e de progresso.

Impossível não relacionar os vilões da trama com os vilões da vida real. Barba, o bufão que só quer se dar bem e não demonstra resquício algum de moralidade; Capitão, o sujeito ardiloso, que anda pelas sombras; Chico, o “intelectual” burguês, esquerda caviar, que não se importa se o mundo à sua volta desmoronar desde que ele possa realizar seus experimentos ideológicos; e Greg, o jovem recalcado, invejoso, que não suporta aqueles melhores do que ele e usa o poder e a ideologia para se vingar.

“De vez em quando é até mesmo bom trazer ao presente grandes desgraças que eventualmente poderiam nos sobrevir, a fim de suportarmos facilmente as pequenas quando de fato chegarem”, recomendou o filósofo Schopenhauer. “Espere o melhor, prepare-se para o pior e receba o que vier”, diz um provérbio chinês. Nós brasileiros somos os eternos otimistas. Mas imaginar o que seria de um país dominado pela mentalidade coletivista e por uma quadrilha que fala em seu nome, por tempo demais, é remédio necessário para se evitar o pior − e suportar o real. Na verdade, nem precisamos imaginar: temos vários exemplos para observar, bem ao lado.

Sim, o livro é claramente um ataque ao lulopetismo, ao que ocorreu no Brasil na última década e que só agora ficou mais transparente para a maioria. Mas é muito mais do que isso. É, também, um ataque fulminante ao coletivismo, ao “bom-mocismo”, à hipocrisia e à canalhice dos que vivem da exploração da ignorância, da ingenuidade e da miséria alheia, prometendo “justiça social”, monopolizando as virtudes, subvertendo os valores, destruindo a juventude. João César de Melo escreveu uma obra atemporal, válida em todas as épocas, em qualquer lugar, justamente porque fala da natureza humana; e esta, ao contrário do que pensam alguns “progressistas”, não é tão maleável, tão flexível assim. O progresso material é um fato, principalmente nos países capitalistas, mas o bicho homem não mudou tanto sua essência desde que se entende por gente.

Comunidade Progresso deixa duas mensagens essenciais: Pessoas é que devem ajudar pessoas; devemos cobrar do estado o mesmo que cobramos do condomínio onde moramos, ou seja, uma gestão que se limite a administrar contas em comum, sem que o síndico tenha qualquer poder sobre a vida privada dos moradores.

Recorrendo mais uma vez a Schopenhauer, fica o alerta: “Quem espera que o diabo ande pelo mundo com chifres será sempre sua presa”.


Este é o prefácio escrito por Rodrigo Constantino para o livro “Comunidade Progresso”, de João César de Melo, que precisa do seu apoio para ser publicado via crowdfunding. Basta acessar o site www.bit.ly/comunidadeprogresso e escolher sua recompensa!