Síndrome do libertário bunda-mole

Este é um trecho de “Dissidente”, livro do economista Thomas Woods, que está em sua última semana de crowdfunding e precisa de você para ser publicado. Clique em www.bit.ly/dissidente e garanta o seu!


Não quero citar nomes aqui. Isso transcende os nomes. É um fenômeno que testemunhei várias vezes ao longo dos anos. É a síndrome do libertário bunda-mole.

Outro dia, um assistente de um proeminente político americano foi vítima de um ataque da grande imprensa. Só porque essa pessoa disse algumas coisas às quais todas as pessoas do “pensamento correto” se opõem. Quando ele era apresentador de rádio, ele era provocador! Nunca vimos este fenômeno antes! E ele acha que podia haver algum tipo de oposição ao governo Lincoln! Ora, ele deve defender a escravidão!

Há motivos muito bons para uma pessoa se opor ao governo Lincoln. Lysander Spooner se opôs a ele e Spooner apoiou John Brown. (Vai dizer que Spooner defendia a escravidão?)

Algumas reflexões que me ocorrem:

(1) Lincoln era um homem do seu tempo, o que significa que ele via estados grandes e centralizados como um objetivo que se auto-justificava. Aquela foi a era da centralização na Itália, Alemanha e Japão. Sim, estados grandes e centralizados podem abolir a escravidão. Eles também podem travar horríveis guerras, perpetrar genocídios e construir grandes estados policialescos. Tanto muitas pessoas foram mortas na Primeira Guerra Mundial, a primeira grande guerra dos estados centralizados do mundo, quanto havia escravos no sul.

(2) Os precedentes estabelecidos por Lincoln durante a guerra foram explorados desde então por esquerdistas e neoconservadores, que ficam feliz em responder, quando você se opõe à enormidade da Guerra ao Terror: “Ora, até mesmo Lincoln fez estas coisas!”

(3) Em todos os outros países do nosso hemisfério no qual a escravidão foi abolida no século XIX isso foi feito em paz, sem 1,5 milhões de pessoas mortas, feridas ou desaparecidas.

(4) Entre os legados de Lincoln estão a glorificação da guerra nacionalista e a demonização da secessão, independente das circunstâncias. Hoje, americanos aprender a admirar governos centralizados que tentar impedir que territórios se dividam, e a olhar com nojo para unidades menores buscando governos autônomos.

(5) Lincoln é o criador do regime imperial centralizado sob o qual vivemos hoje, e este é o verdadeiro motivo para os esquerdistas e seus primos neoconservadores não criticarem o décimo-sexto presidente.

Agora estou prestes a citar um daqueles Malvados Sulistas, o que, claro, vai me tornar suspeito de ter saudades da escravidão, mas, assumindo o risco, eu ousadamente sigo em frente: Robert E. Lee disse ao grande libertário Lord Acton, em 1866, que “a consolidação dos estados numa república vasta, certa de ser agressiva no estrangeiro e despótica em casa, certamente será a precursora da ruína que assombrou tudo o que a precedeu”.

Se você se pergunta como chegamos à nossa condição atual, pense nessa frase. Depois pense na possibilidade de que a grande guerra fraticida da história americana tenha a ver com outra coisa além da luta cartunesca entre santos e pecadores que encontramos no New York Times, e em supostos institutos libertários.

Há muito, muito mais a ser dito sobre tudo isso, mas agora cheguei ao meu destino: o que acho mais interessante é a reação do que podemos chamar de “libertários oficiais”, ou o que Lew Rockwell chama de “libertários do regime”, aos ataques a esta pessoa. Essa pessoa não disse nada que Walter Williams, que estes próprios libertários admiram, não tenha dito algumas vezes antes. Esta pessoa é consistentemente antibelicista, o que é mais do que se pode dizer de muitas pessoas que os libertários oficiais defendem.

Mas com ataques deste tipo para todos os lados, os libertários oficiais não perdem a oportunidade de dizer ao mundo — um mundo que aguarda seus pronunciamentos com a respiração presa, claro — que eles são donos de todas as opiniões pré-aprovadas sobre os eventos da história americana. Mais do que isso, as opiniões que expressam hoje, embora diferentes das do New York Times, ainda estão conditas dentro daquela variação opinativa pré-aprovada. Então por favor não me inclua em suas condenações, sr. Jornalista Bonzinho.

Estes são os libertários que se retratam como os abolicionistas de hoje — uma era em que o mundo todo é abolicionista. O teste real é este: você seria abolicionista no século XIX, quando partidos abolicionistas recebiam dois por cento dos votos e linchamentos de abolicionistas eram comuns? Qual a probabilidade de alguém tão desesperado por dizer a todos que suas opiniões estão dentro do espectro pré-aprovado ser — veja só! — um abolicionista, na época em que isso era realmente importante?

Estas pessoas são o que agora chamo de libertários bundas-moles. Ah, Sr. Jornalista Bonzinho, sou apenas um observador inocente desta confusão toda! Defendo a liberdade, mas eu questionaria as opiniões de nossos estimados historiadores (em temas que talvez me tornem impopular)? Nunca! Posso ignorar o posicionamento pró-guerra das pessoas com que trabalho e admiro, mas alguém que tenha usado palavras despropositadas algumas vezes há dez anos? Ora, esta é a maior ofensa do mundo, sr. Jornalista Bonzinho!

Então estes libertários dão tapinhas nas costas uns dos outros por protegerem o libertarianismo dos loucos extremistas que questionam seus livros didáticos da oitava série. Os bundas-moles nos garantem que, ao policiar o pensamento libertário, eles tornarão nossa filosofia mais atraente a outros americanos. O que seria de nós sem essa proteção sábia da nossa inteligência?

O bom é que os bundas-moles não têm senso de ironia. Ninguém jamais ouviu falar deles e nenhum deles têm um seguidor digno de se dar ouvidos. Foi Ron Paul — que falou o que pensava independentemente das pesquisas qualitativas e que disse ao programa Meet the Press que (por exemplo) não, ele não acredita na narrativa de quarta-série da Guerra Civil — que despertou o interesse do mundo para o libertarianismo. Nenhum bunda-mole teve um bilionésimo do impacto que o revolucionário Ron Paul teve.

Clique!

Enquanto isso, os bundas-moles, ansiosos por proteger o libertarianismo de pessoas cujas ideias possa prejudicá-lo, não falam nada quando seus colegas também bundas-moles ridicularizam as crenças religiosas de boa parte dos americanos, aliando, assim, estas pessoas do libertarianismo. Este padrão duplo é praticamente tudo o que você precisa saber sobre os discursos solenes deles de que estão apenas tentando tornar o libertarianismo palatável ao público. Claro que estão.

Por outro lado, temos Ron Paul e seu círculo, que converteram mais pessoas (em ordem de importância) ao libertarianismo do que todos os “pensadores” de Washington juntos. Por outro, temos um punhado de pavões policialescos que se dizem representantes melhores da causa. Mas ninguém consegue ouvi-los em meio aos gritos de apoio a Ron e seus seguidores.

É como um revoltado Homer Simpson tentando dizer a Moe que ele acaba de perder um cliente, mas Moe não consegue ouvi-lo em meio a todos os outros clientes no bar.

Vou terminar assim. Uma organização de bundas-moles achou que dançaria sobre o que consideravam o túmulo de Ron Paul há alguns anos, quando os ataques da imprensa a ele ganharam força e intensidade. Nós avisamos, disseram eles. Por isso é que guardamos distância dele. Temos que manter a causa pura, sabe!

Então, quando notaram que os jovens não se importavam com que a mídia dizia sobre Ron, e que eles eram como Homer no bar, esta organização humildemente convidou Ron para falar num evento especial.

Como Johnny Most costumava dizer: a justiça prevalece.


Gostou? Então garanta sua cópia de “Dissidente”, clicando na imagem abaixo!