Jogada eleitoral

Por Sandra Crespim e Luís Menezes
Free Illustration — Pixabay

Não é raridade encontrar críticas a respeito da mídia brasileira em época de eleições. Constantemente ouve-se como essas favoreceriam um candidato, ou até diminuiriam a possibilidade de outro vencer. Mas o que muitas vezes não se percebe é que esse problema não ocorre exclusivamente no Brasil. Até em outros países, mais ricos do que o nosso, acontece o mesmo.

Os Estados Unidos recentemente também presenciaram a mesma situação. No ano passado, a eleição presidencial resultou na vitória de Donald Trump, do Partido Republicano, o qual havia surpreendido não só a população americana, mas também a mídia nacional. Não foi algo fácil com que os meios de comunicação pudessem simplesmente lidar, já que havia um grande favorecimento à candidata dos democratas, Hillary Clinton. Desde expectativas até comentários plausíveis, os veículos de comunicação deram tratamento diferenciado à democrata, enquanto se pode notar uma forma mais hostil contra o candidato republicano. Histórias de aspecto negativo sobre Trump se tornaram constantes nos meios, o que levou o político a declarar que essas histórias estariam distorcidas para somente atacá-lo, e terminar desqualificando-o.

No entanto, o resultado da eleição acarretou uma desconfiança da população americana pela mídia. E isso tem inspirado alguns meios em melhorar sua redação e forma de como abordar as eleições, como ocorreu com o jornal New York Times, que publicou uma carta ao leitor na semana seguinte ao pleito. Nesta, mesmo não mencionando o erro, a redação tem jurado manter-se um veículo mais voltado à informação, apresentando os dois lados, com o argumento de que havia mantido uma imparcialidade durante as eleições, o que teria despertado opiniões duvidosas a respeito de se o veículo realmente exerceu essa função.

Como bem sabemos, não é raro ver o caso da mídia intentar o favorecimento político, já que essa pode influenciar o eleitor, tal como Venício A. De Lima (2001, p.176) define: “a mídia se transformou em palco e objeto privilegiado das disputas pelo poder político na contemporaneidade”. Percebe-se a falta de noções básicas de jornalismo ao tratar desse tema, em principal a questão da imparcialidade, a qual tem sido ignorada pelos veículos americanos. Rejeita-se a inclusão de ideias divergentes assim como expor fatos de forma neutra. Essa ideia de favorecer um lado da história ou, no caso de eleição, um candidato, já é o suficiente para notar o quão prejudicial isso pode ser para o próprio veículo de comunicação, já que leitores podem desconfiar desses dados.

Com isso, pode-se concluir de que a imparcialidade dos veículos de comunicação é necessária, ainda mais em tempos eleitorais. A desconfiança da população americana pela mídia tem criado um ambiente até hostil, para que aquela passe a simplesmente dispensar qualquer informação vinda desta. É necessário os veículos, tanto americanos, como os de outros países, mudarem essa realidade, colocando em prática o conhecer melhor do outro lado da questão, já que somente dessa forma será possível obter uma sociedade livre e independente.

Referência

LIMA, Venício A. de. Mídia: teoria e política. 2 ed. Rio de Janeiro: Fundação Perseu Abramo, 2004.