Prioridade para o Ano Novo

Com estimativa de queda no PIB de 3,5% em 2015, Brasil deve voltar a atenção em 2016 para a pauta econômica com o objetivo de reverter a crise. A indústria, que acumula perdas, tem como expandir a capacidade de produção


As ações para o ano de 2016 precisam estar focadas em uma agenda de prioridade econômica. A partir dessa visão, o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS), Heitor José Müller, pretende que a entidade, que representa mais de 100 sindicatos industriais de todos os segmentos produtivos, articule as demandas pela retomada de crescimento. “A recessão pela qual estamos passando é a mais longa e profunda dos últimos 20 anos. Mesmo com as crises vividas nos anos 80, a chamada década perdida, não houve dois anos consecutivos de queda no Produto Interno Bruto (PIB). Infelizmente, 2015 já confirmou perdas e o que se espera para 2016 não será muito diferente em resultado, porém, com as correções de rumos para a retomada de crescimento”, declara Müller.

Para o segmento industrial, que representa 21,1% do PIB gaúcho (dados de 2013), as condições para que o Estado e o País saiam da crise e voltem a retomar níveis melhores de atividade, mesmo que lentamente, partem de pressupostos relevantes: há ociosidade da capacidade instalada, a taxa de câmbio atual pode ser considerada interessante para os exportadores (e o parque fabril gaúcho possui esse perfil) e há trabalhadores capacitados. Porém, as resoluções da crise política devem ser encaminhadas com mais celeridade.

Além disso, colocada uma lente de aumento analítica além das fronteiras e com foco nos países emergentes, a economia mundial pode ser animadora se o Brasil conseguir concretizar alguns acordos em negociação. “Como os países emergentes pressionaram a atividade econômica mundial para o nível mais baixo desde 2009 (o avanço projetado para 2015 foi de 3,1%) e são nossos concorrentes diretos, podemos projetar algumas oportunidades na esteira da dificuldade deles”, argumenta o presidente da FIERGS. A Rússia sofreu com o embargo dos Estados Unidos e da União Europeia em resposta ao conflito com a Ucrânia, bem como com a forte queda dos preços do petróleo. A China, embora ainda seja o País que está na mira de multinacionais e investimentos do mundo inteiro, possui vários indicadores de atividade que apontam que a desaceleração se intensificou, algo corroborado pela instabilidade na Bolsas de Valor chinesa no ano.

“Como sabemos, a China precisa trabalhar intensamente para suprir muitas necessidades de seu próprio mercado. A inserção de grande parte da população ao mínimo de consumo e qualidade de vida está entre as suas prioridades, pelo menois tem sido divulgado assim. É nessa linha que alguns espaços podem ajudar o Brasil, pois como parceiro comprador, eles continuarão a buscar nossos produtos. Pena que ainda somos um enorme fornecedor de commodities”, reforça Müller.

Colocado em perspectiva, no caso de a China reforçar políticas públicas que atendam às suas próprias demandas, chances de exportações podem surgir na Europa e nos Estados Unidos. “Se houver uma queda de vendas chinesas para os clientes desenvolvidos em função de um autodirecionamento oriental , já temos um mínimo de possibilidades de mostrar o potencial verde e amarelo para ocupar essas vendas”, acredita o industrial.

Para 2016, o Fundo Monetário Internacional (FMI) espera um crescimento global de 3,6%, uma aceleração de 0,5 ponto percentual sobre 2015. “Essa previsão pode ser otimista, sobretudo por causa dos gargalos existentes nas nações emergentes. O cenário para os países desenvolvidos é melhor, mas isso não provoca uma evolução significativa. Vale destacar que as projeções do FMI com mais de um ano de antecedência superestimaram o avanço da economia mundial desde 2012. Em média, os valores projetados foram 0,35 ponto percentual superior aos efetivos. Portanto, o comportamento da economia mundial ainda carrega riscos significativos para 2016 e não pode ser definido como totalmente positivo”, explica o economista- chefe da Unidade de Estudos Econômicos (UEE) da FIERGS, André Nunes de Nunes.

Ainda há de se considerar que o processo eleitoral na Argentina, o principal parceiro econômico do Brasil, encerrou com otimismo em relação ao andamento das políticas a serem implementadas. “O resultado da eleição no país vizinho deve significar uma melhoria de estabilidade nas relações com o Brasil, pois as medidas superprotetivas deles devem, pelo menos, ficar mais claras e não terem tantas mudanças inesperadas como vinha acontecendo”, comenta o presidente da FIERGS.

“Permaneceremos com uma recessão disseminada. A retração na demanda interna é também causa e consequência do desempenho no mercado de trabalho — afinal, com menos produção, a ociosidade aumenta, e, assim, estamos vivendo o dia-a-dia com cautela e uma boa dose de insegurança sobre os acontecimentos”
Heitor José Müller


Aumento de impostos: o impacto virá

A Unidade de Estudos Econômicos da FIERGS confirma a percepção dos empresários atentos aos movimentos de seus próprios negócios. É fato que o poder de compra da população diminuiu nos últimos meses devido à alta da inflação. Além dela, o difícil processo de ajuste fiscal no governo federal e o enorme rombo das contas gaúchas são questões de solução tão lentas que o aumento de impostos como estratégia de minimizar os problemas foi a opção nas duas esferas. “Permaneceremos com uma recessão disseminada. A retração na demanda interna é também causa e consequência do desempenho no mercado de trabalho — afinal, com menos produção, a ociosidade aumenta, e, assim, estamos vivendo o dia-a-dia com cautela e uma boa dose de insegurança sobre os acontecimentos”, reconhece Müller.

Segundo ele, a diferença desse momento de virada de ano para o mesmo período no passado recente e, pelo menos, nos últimos 30 anos, é que a situação atual está obscura, tomada pelos desentendimentos políticos. “Não tenho memória de um Congresso Nacional e um executivo federal com tamanha multipolaridade, bem como falta de diálogo, ausência de consenso e negociação. A crise política desestimula qualquer movimentação que não seja de cautela e, por sua vez, em termos econômicos, sim, há uma paralisia geral. Todos estamos esperando para ver o que acontece”, lamenta.

É com essa lógica, portanto, que os economistas precisam analisar a realidade: “O processo de piora ainda não chegou ao final e a saída rápida, observada em crises anteriores, onde a economia estava em primeiro plano, não deve se repetir, pois o setor público não tem espaço orçamentário para investimentos ou medidas capazes de dinamizar consumo e produção”, esclarece o economista chefe da UEE.

No Rio Grande do Sul, o governo do Estado conseguiu aprovar o aumento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em 2015, passando a valer já em janeiro de 2016. Essa decisão terá impactos sobre a atividade da indústria e vai acentuar o ambiente recessivo. Nunes explica que a análise histórica das ações de majoração da carga tributária evidencia que isso reduz o consumo, a produção e o PIB, resultando em decisões, entre elas a extinção de vagas de trabalho, como uma das primeiras ações para redução de custos. “Nos últimos 20 anos, a arrecadação do Rio Grande do Sul — descontada a inflação — cresceu 145%. Nesse mesmo período, o PIB do Estado avançou apenas 56%, e a indústria gaúcha menos ainda, 28%. Os números falam por si. O índice de ociosidade nas empresas chega a 63%. Como mantê-las funcionando se a produção não é vendida?”, indaga o economista.

Pelo projeto aprovado, o aumento no ICMS será dos atuais 17% para 18%. Um estudo realizado pela FIERGS, na época da votação na Assembleia Legislativa do Estado, calculou que a arrecadação do governo terá um acréscimo máximo de R$ 1,68 bilhão. Contudo, este valor será quase que totalmente consumido em novas despesas no próximo ano, especialmente de pessoal e encargos. “O que o governo fará com a receita a mais de impostos? Esta é a questão. Se gastar tudo mês a mês, não terá recursos para os investimentos necessários. Então, vamos travar a economia gaúcha, com desemprego, prejuízos sociais e a redução da competitividade das empresas. O Rio Grande do Sul será um dos Estados mais caros para produzir e viver. Provavelmente, vai reduzir a atratividade de novos empreendimentos”, prevê o presidente da FIERGS.

Para embasar essa posição, o estudo da FIERGS incluiu análises do próprio governo do Estado, assumindo que os aumentos na folha de pagamentos da segurança pública (concedidos no governo anterior) e o crescimento vegetativo das despesas de pessoal (cerca de 3% a.a.) farão com que essas despesas subam aproximadamente R$ 1,3 bilhão em 2016. “Desta forma, cerca de 77% da elevação de ICMS será alocada nessas demandas. Essa foi a tônica dos últimos anos no Rio Grande do Sul, onde o governo sempre utiliza aumentos de impostos para pagar as despesas”, reforça Müller.

No caso da indústria gaúcha, de modo geral, há algumas atividades que podem se beneficiar da taxa de câmbio mais desvalorizada, contudo isso não será suficiente para alavancar o desempenho do setor como um todo devido aos altos custos para produzir. Projetando o melhor dos cenários para 2016, o saldo comercial gaúcho possivelmetn chegará a US$ 9,3 bilhões, acima dos US$ 7,1 bilhões que serão o resultado de 2015. “Só que essa é a melhor opção. No cenário inferior, mal chegaremos aos US$ 9 bilhões”, calcula Nunes.

Em relação ao setor primário, a expectativa é de uma queda na produção, mas não necessariamente uma quebra de safra. Apenas que as condições de produtividade estarão piores do que aquelas encontradas nesse ano. “Portanto, diferentemente do que tivemos em 2015, espera-se que em 2016 a queda no PIB do Rio Grande do Sul seja mais intensa do que a registrada no Brasil. O fato mais preocupante é que o Estado ingressará no terceiro ano consecutivo de retração da sua economia, fenômeno provavelmente inédito”, alerta o economista.

Em outras palavras, é impossível não se afligir com mais um ano de queda de Produto Interno Bruto. Em 2014, a retração havia sido de 0,3% sobre o ano anterior. Em 2015, a queda chegará a 2,8% e, no cenário base para 2016, a desaceleração deverá ser de 3%. “Isso nunca aconteceu desde 1947, quando passamos a ter dados para o PIB do Estado”, aponta André Nunes de Nunes, lembrando que o impacto do aumento de ICMS no Rio Grande do Sul ainda não foi sentido verdadeiramente pela população. “Imagine que a partir de janeiro, algumas contas virão com novo índice, como luz, serviços de telefonia e combustíveis. O Rio Grande do Sul vai reforçar seu status de um dos Estados onde tudo é mais caro”, avisa.

Especificamente sobre a inflação, a equipe de economistas da FIERGS destaca que, no acumulado em 12 meses até outubro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu 9,9% ao ano. Mesmo que o peso dos impactos do realinhamento nos preços dos combustíveis e da energia elétrica responda por parte significativa desse avanço, o núcleo do índice por médias aparadas atingiu 7,1% ao ano até setembro (última mensuração disponível), indicando uma pressão disseminada. “Dificilmente o IPCA se manterá perto da meta ou seu limite de tolerância superior (6,5% a.a.) em 2016. Portanto, no horizonte de 24 meses, é improvável que teremos uma taxa de inflação próxima do centro da meta. Nesse ambiente, o risco de realimentar a inflação através dos mecanismos de correção monetária que existem na economia brasileira ainda é muito elevado”, detalha Nunes.

No Rio Grande do Sul, o governo do Estado conseguiu aprovar o aumento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em 2015, passando a valer já em janeiro de 2016. Essa medida terá impactos sobre a atividade da indústria e vai acentuar o ambiente recessivo.


Esforços pelos empregos

Na economia nacional, uma piora mais intensa no mercado de trabalho é o principal foco de risco para 2016. No acumulado dos últimos 12 meses até novembro, o número de postos de trabalho encerrados já passava de 1,3 milhão. Os movimentos na atividade econômica medidos pelo IBC-BR mostram elevada correlação com o estoque de empregos, algo bem evidente. Entretanto, a partir de 2014 houve um descolamento das séries: a atividade caiu de forma muito mais intensa do que o mercado de trabalho.

Vale ressaltar que o IBC-BR é um indicador criado pelo Banco Central para tentar antecipar o resultado do PIB e ajudar a autoridade monetária na definição da taxa básica de juros (Selic). O Banco Central decide que esse índice “constitui uma medida antecedente da evolução da atividade econômica”. Antes divulgado por Estados e por regiões, desde o início deste ano o indicador passou a ser calculado com abrangência nacional. O índice do BC incorpora estimativas para agropecuária, indústria e setor de serviços, além dos impostos.

Para a FIERGS, ainda há a característica de rigidez no mercado de trabalho a ponto de as empresas e seus gestores desistirem de contratações por causa de custos muito elevados ou impasses em negociações sobre percentuais de aumento, mesmo para períodos críticos e com dificuldades financeiras. Sendo assim, e considerando que no Rio Grande do Sul existe uma diferenciação de salários por conta do piso regional, os números negativos não param de aparecer para os gaúchos. As vagas existentes estão sendo cortadas e isso afeta diretamente a vida das pessoas. Os dados de geração de empregos do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), divulgados em meados de novembro, demonstram que as demissões seguem superando as contratações.

Para o mês de outubro, o saldo de geração de empregos foi de menos de 8,2 mil no Estado, repetindo o desempenho negativo dos últimos sete meses. “Tipicamente, este período do ano costuma ser positivo em termos de geração de empregos em função das contrações temporárias de final de ano. Entre os anos de 2006 e 2014, em média, foram 11 mil contratações a mais do que demissões. No entanto, em 2015, nem o fator sazonal ajudou a melhorar a situação do emprego no Estado”, observa o presidente da FIERGS.

No acumulado de 2015, já são 59,6 mil vagas fechadas e nos 12 meses são 87 mil empregos a menos, considerando as declarações fora do prazo. Historicamente, os setores que mais se beneficiam do aumento de vendas no final do ano são a indústria, o comércio e os serviços. No entanto, seguindo a tendência dos últimos meses, a indústria de transformação fechou 6,4 mil vagas no Estado em outubro e o setor de serviços, 2 mil. Entre os três setores citados, somente o comércio gerou empregos com carteira assinada em outubro (152 vagas). Outro com desempenho positivo foi a agropecuária, com saldo de 636 vagas. No acumulado do ano, os setores que apresentaram resultado mais negativo foram: Indústria de Transformação(-29,9 mil), Comércio (-16,0 mil), Construção Civil (-8,9 mil) e Serviços (-5,5 mil). Somente dois setores apresentam desempenho positivo: Administração Pública (0,5 mil) e Agropecuária (1,0 mil).

No acumulado do ano de 2015 no Estado, já são 59,6 mil vagas fechadas e, em 12 meses, 87 mil empregos a menos, considerando as declarações fora do prazo. Historicamente, os setores que mais se beneficiam do aumento de vendas no final do ano são a indústria, o comércio e os serviços. No entanto, seguindo a tendência dos últimos meses, a indústria de transformação fechou 6,4 mil vagas no estado em outubro e o setor de serviços, 2 mil.


A perda do quarto lugar

Em novembro, o IBGE atualizou as Contas Regionais com os resultados do PIB para as unidades federativas de acordo com a mudança metodológica implementada neste ano. O principal destaque foi que a economia gaúcha perdeu a quarta posição para o Paraná em produção para a economia. Com a mudança, o PIB gaúcho atingiu R$ 331,1 bilhões em 2013, um aumento de

R$ 20,5 bilhões (ou US$ 9,5 bilhões à taxa de câmbio média daquele ano) em comparação à metodologia anterior. Considerando os quatro anos revisados, apenas no de 2010 houve queda (R$ 11,2 bilhões), enquanto em 2011 a mudança foi marginal (R$ 1,3 bilhão, ou 0,5%).

Dentre as principais mudanças que acarretaram as diferenças na magnitude do valor a preços de mercado estão a reclassificação de impostos anteriormente considerados encargos (PIS/Cofins e ITBI), a atualização dos índices utilizados para aproximar a produção na construção civil e energia elétrica, a distribuição dos valores adicionados na administração pública federal por Estado e a alteração dos deflatores na indústria de transformação.

Os desempenhos dos setores e segmentos de atividade também se alteraram a partir da incorporação da última classificação de atividades (CNAE 2.0). Como consequência, a agropecuária aumentou sua participação em 1,8 ponto percentual (p.p.) entre 2010 e 2013 (atingindo 10,1% nesse ano), enquanto os Serviços cresceram 1,9 p.p.

Os resultados para a indústria mostram não só os efeitos do novo agrupamento de atividades, mas as consequências da estagnação verificada em sua produção após a crise de 2009. Em 2013, o total dos segmentos industriais representou 24,3% do valor adicionado gaúcho: uma queda de 3,6 p.p. frente a 2010. Dentre os segmentos o encolhimento foi mais forte na transformação (-2,4 p.p.), seguida da produção de energia e saneamento (-1,5 p.p.) e extrativa (mantendo sua participação de 0,2% no período).

Dentro da indústria, apenas a construção civil aumentou sua participação no valor adicionado gaúcho (0,3 p.p.). Destaca-se que tal resultado pode ter sido influenciado pelo crescimento do estoque de empregos formais no setor, uma vez que a nova metodologia utiliza a Rais como um dos parâmetros para aproximar o nível de produção.

Já a comparação entre os Estados, agora possibilitada pela adoção das mesmas metodologias, segue sem modificações entre as três primeiras posições, com São Paulo (32,1%, em 2013) ainda respondendo por quase 1/3 do PIB brasileiro. No entanto, a estagnação do Rio Grande do Sul quanto a sua participação no PIB nacional se consolidou desde 2010, com o crescimento marginal (porém contínuo) da produção do Paraná ao longo dos últimos quatro anos.

Os resultados divulgados são mais um sinal da piora do ambiente de negócios local, e da ineficácia das políticas governamentais adotadas. O avanço de 2013, quando se apresentou o Rio Grande como o Estado que mais crescia, foi suficiente apenas para recuperar a participação de 2010 (6,2% do PIB nacional), reduzida (para 6%) em função da estiagem que atingiu a região em 2012.

A ausência de reformas nas instituições gaúchas e a retomada das estatizações dificultaram ainda mais a implementação de grandes projetos de infraestrutura, impondo uma espécie de custo de localização para as empresas aqui instaladas. Não só isso, o péssimo quadro das finanças públicas e os reajustes irreais do Piso Regional — em descompasso com a produtividade dos fatores — alcançaram resultados esperados: perda de competitividade e agravamento da crise do setor público regional.

Segundo o presidente da FIERGS, a retomada da capacidade de competitividade do Rio Grande do Sul exige que a sociedade escolha quebrar um ciclo vicioso que já perdura por décadas. “Para isso é preciso exigir reformas que mirem o aumento da competitividade, da segurança física e jurídica, bem como um setor público mais eficiente e que ‘caiba’ em nosso PIB”, salientou.


Os três cenários para 2016

Os cenários para 2016 foram construídos tendo como base a expectativa de uma crise crônica e longa, sem ruptura política, mas com muita instabilidade nesse âmbito. A agenda política deverá continuar sendo dominante sobre a agenda econômica.

No cenário base a tendência é que a economia brasileira amenize o ritmo de queda, na medida em que a atividade atingiu mínimas históricas. A recessão permanece na maior parte do ano, mas a previsão de retração de 2,5% no PIB é menos intensa do que em 2015 (-3,5%). Nessa perspectiva, o consumo das famílias tende a manter a trajetória de queda, acompanhando o aumento do desemprego e a retração na renda real. Além disso, em períodos de crise fiscal, dada a forte rigidez imposta sobre o orçamento público, os investimentos são ainda mais penalizados.

No caso do Rio Grande do Sul, o cenário base contempla a recessão que tende a se intensificar em todos os setores. A queda projetada de 2,5% do PIB neste ano deve se acelerar para 3%, em 2016. A agricultura colherá uma safra boa (perto da recorde), mas insuficiente para impulsionar o crescimento do PIB. Em termos setoriais, a indústria metalmecânica ainda sofrerá com a queda nos investimentos, crédito mais restrito e caro. Por outro lado, alimentos e couro e calçados conseguem se beneficiar mais intensamente da desvalorização cambial e cair menos. Pelo lado do consumo das famílias, mesmo considerando que essa variável tende a ser um pouco mais rígida do que a média do Brasil, por conta do peso do setor público e transferências previdenciárias, o aumento do ICMS terá impactos negativos sobre o desempenho econômico. Além disso, a parada da atividade do setor público estadual e o risco de atraso de salários do funcionalismo deverão permanecer para 2016.

No cenário superior, uma recuperação em nível nacional pode começar lentamente e a retomada mais forte da atividade no segundo semestre indica um resultado de estagnação para o ano que vem. Dentro desse melhor quadro, o RS apresentaria uma pequena queda, limitada pelo ritmo da recuperação do Brasil.

No cenário inferior não está descartada a possibilidade do recuo na atividade brasileira se intensificar. Para isso, teríamos um agravamento da crise política e fiscal, bem como, a total paralisia do setor público. O desemprego pode surpreender negativamente e a confiança dos consumidores e dos empresários continuará em declínio. O contexto macroeconômico será o mesmo para o RS, com o agravante de que a queda disseminada entre os setores será aprofundada pela retração na atividade nacional.

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