A Saga da Daenerys

Karina Dantas
Jul 10, 2017 · 9 min read

Em uma narrativa, o personagem bem construído é fundamental para que a trama flua, o publico deve conhecer a motivação desse personagem e seu objetivo, caso contrário este poderá ser dispensável.

A Daenerys é um exemplo de uma personagem bem construída, podemos afirmar isso com base nas seis temporadas de Game of Thrones, a cada ano ela amadurecia e agia em prol de sua motivação.

O último episódio da sexta temporada de Game of Thrones (GoT) teve mais ou menos 8.9 milhões de telespectadores. Indicando que a bela Targaryen voltaria a sua terra natal, com um grande exercito, um conselheiro estrategista e três dragões. Mas nem sempre essa imponente Rainha teve tanta chance de vitória.




Pensando nisso resolvi escrever uma simples (eu disse simples) analise do crescimento de Daenerys Targaryen ao longo desses seis anos. Então a partir de agora vocês lerão um texto que foi produzido ao longo de um mês, cada parte dele será dedicada a uma temporada que mostrará o crescimento desta personagem.

Parte I

Antes da Daenerys ser: Nascida na Tormenta, a Não-queimada Mãe de Dragões , Mhysa, A Rainha de Prata e entre outros títulos, ela era apenas uma jovem que seria dada em casamento em troca de um exercito.

A primeira vez que conhecemos a jovem é no primeiro episódio da série e seu irmão a prepara para a entregar em casamento.

O mais interessante desta sequencia de apresentação da personagem é que ela dura aproximadamente três minutos. E na primeira parte vemos uma jovem sonhadora, com um olhar distante até ser abordada por seu irmão. Ainda com um olhar cabisbaixo e pouco expressiva, Daenerys parece uma personagem sem graça e facilmente manipulável.

Who’s the dragon now bitch!

Sem alterar sua expressão distante, percebemos apenas por suas ações quem realmente é o dragão que será desperto (Viserys usa a expressão ‘não desperte o dragão’ como uma ameaça a jovem), Daenerys entra no banho quente sem mudar sua expressão. Em poucos minutos e sem muitas falas passamos a conhecer uma personagem que marcará nossos domingos a noite.

No segundo episódio há uma cena que marcou muitos, o estupro de Daenerys.

No dia da cerimonia do casamento ela ganhou três ovos de dragão petrificados, esse presente serviu como primeira motivação para seu futuro ainda nebuloso.

Durante a cena (como vocês podem ver ao lado), por segundos podemos ver a expressão dela mudando, mesmo estando numa situação abusiva.

Ao receber esses ovos de dragão ela ganhou um motivo a mais para acreditar no lema de sua casa. E nesse mesmo episódio Daenerys tem uma conversa com uma escrava, onde ela pede ajuda para fazer algo agrade seu marido e a escrava a orienta: “… os dothraki pegam escravas como um cão pega uma cadela, você é uma escrava Khaleesi? . . . Então não faça amor como uma escrava”. A jovem Daenerys aos poucos vai acreditando em seu verdadeiro destino.

O crescimento de cada personagem depende em grande parte de quem está ao redor; a trama permite o crescimento de Daenerys na primeira temporada devido a três personagens, Viserys Targaryen, Illyrio Mopatis e Jorah Mormont.

O irmão de Daenerys levou a garota numa jornada da qual beneficiaria apenas ele, mas devido a sua burrice, sua irmã soube aproveitar as circunstancias e voltar a honrar sua casa. Já Illyrio apareceu na hora exata com aquilo que a jovem precisava, os ovos de dragão levaram-a a desejar o que ‘por direito’ é dela. E Mormont serviu como uma apoio as ideias de Khaleesi.

Avançando na trama o terceiro episódio da primeira temporada, Daenerys tem uma conversa rápida com Jorah, que mostra a evolução de seu pensamento e a forma como ela age, confira:

Ela não pensa como uma jovem, mas como uma Soberana que tem direito ao reino. Uma Khaleesi que pode sobreviver sem um Khal.

O episódio final do primeiro ano da série foi extremamente marcante, tanto pelos dragões como pelo discurso de Daenerys aos dothraki que permaneceram com ela, confira uma parte desse discurso:

“Vocês serão meu khalasar, eu vejo o rosto de escravos, eu liberto vocês, tirem seus colares. Vão embora se desejar, ninguém impedirá. Mas se vocês ficarem, será como irmãos e irmãs, como maridos e esposas. Eu sou Daenerys, Nascida da Tormenta, da casa dos Targaryen, tenho o sangue da Antiga Valíria, eu sou a filha do dragão. E eu juro a vocês que os que tentarem lhe machucar, morrerão gritando.”

Você seguiria essa mulher?

Parte II


O que seria da jovem Daenerys após o nascimento dos dragões, como ela sobreviveria ao Deserto com seu khalasar? Por meio de uma ação tática, Daenerys envia homens á três regiões em busca da auxilio para seu povo, e encontra abrigo na misteriosa Qarth.

Acredito que a segunda temporada foi a mais fraca no desenvolvimento da personagem. Toda a trama se passa em Qarth, e o ápice da história é o furto de seus dragões e a tentativa de conseguir barcos para chegar em Westeros.

Porém, no episódio 6, Daenerys tem uma ótima conversa com o Spice King, é mais um tipo de barganha para conseguir barcos. Nessa conversa ela afirma que pagará três vezes mais quando retomar o Trono. Enquanto o Spice King afirma que não pode fazer nada, afinal ela não tem exercito, súditos em Westeros e ela praticamente não é ninguém para ‘seu povo’.

Novamente Daenerys começa seus ótimos discursos, afirmando que se ela deu a vida a três dragões que estavam desaparecidos a séculos, tudo que ela quiser vai se realizar.

Eu não sou uma mulher comum. Os meus sonhos se tornam realidade!
Infelizmente as belas palavras emponderadas de Daenerys não tiveram efeito dessa vez, afinal quando se trata de negócios a lógica é mais eficaz que paixão.

O ponto alto dessa temporada é o resgate de seus filhos, os dragões. Destemidamente ela entra na Casa dos Imortais, porém isso a deixa sem saída diante de Pyat Pree. Mas a jovem é um dragão lembre-se disso.

Concluindo a segunda temporada dominando os Dragões, pegando todo o ouro que podia e partindo rumo a conseguir um exército, Daenerys provou mais uma vez que é uma p#ta personagem.



Parte III

A analise de um personagem na trama é mais complexa do podemos transcrever, mas há um elemento de Daenerys que nos leva a concluir que ela é uma das melhores peças nesse jogo.

Quando se cria um personagem dentro de uma história, é preciso que ele tenha um objetivo. Se entendermos esse objetivo ficará mais fácil estabelecermos laços com ele. A partir do momento que esses laços foram criados, passaremos a sentir empatia, não simpatia. É possível achar um personagem simpático mas não se importar e nem torcer por ele. A empatia é muito mais forte. E é na terceira temporada que percebemos o quanto nos importamos com nossa Khaleesi.

Agora que entendemos o objetivo da jovem de voltar a sua Terra, precisamos nos ligar a ela e sofrer por seus sentimentos e ações. E é pra isso que a terceira temporada serve.

No episódio 3, Daenerys vai até a grande cidade de Astapor, numa conversa com o ‘dono’ dos Imaculados ela é insultada. Quem não ficou p#to por ouvir os insultos. Mas novamente com uma boa barganha tática ela consegue um exercito. Uma ação memorável dessa Rainha é seu discurso aos Imaculados, além de bonita ela é boa com as palavras:

“Imaculados!

Foram escravos a vida toda. Hoje são livres, todo homem que quiser ir embora, pode ir. Ninguém lhe fará mal, eu dou a minha palavra. Lutarão por mim? Como homens livres?”

Daenerys avança com seu exercito, mais uma vez provando a grande mulher que é.

Queimem TODOS!

Parte IV



A quarta temporada é um grande teste para Daenerys, na luta por transformar as cidades escravistas em livres, ela acaba se confrontando com a cultura local de Meereen. E isso prejudica a fama da Mãe dos Dragões.

As suas palavras aos escravos de Meereen são motivadoras, afinal ela já havia livrado Astapor e Yunkai. A genialidade dela ao atacar Meereen é algo memorável, atirar todas as ‘coleiras’ dos ex-escravos fez com que a cidade entrasse em colapso. Ela é uma ótima vendedora de ideias.

Porém sem os olhos de Daenerys por perto os Mestres de Yunkai recuperaram o poder e escravizaram todos novamente. Como havia comentado, quebrar tradições antigas não é uma tarefa fácil para a Rainha dos Primeiros Homens. Nessa situação ela poderia apenas partir para Westeros, em sua contagem atual com 10 mil soldados e 93 barcos ela conseguiria chegar mais perto do Trono.

Segue o dialogo que define quem vence a luta contra os Mestres dos Escravos:

Daenerys: Como dominar os Sete Reinos se não consigo controlar a Baía dos Escravos? Porque confiariam em mim? Porque me seguiriam?

Jorah: Você é uma Targeryan, e Mãe dos Dragões.

Daenerys: Eu preciso ser mais que isso.

Mais uma vez essa Pokémon evoluiu, aprendeu que deve enfrentar qualquer situação não importa onde esteja. Uma prova disso é que no episódio final da quarta temporada, Daenerys toma a difícil decisão de prender Rhaegal e Viserion que ameaçavam o povo que ela jurou proteger.

Uma Rainha deve fazer escolhas em prol de seu povo.

Parte V


A quinta temporada é novamente uma prova para o amadurecimento da personagem. O choque cultural das ideias de Daenerys com a população de Meereen se intensifica nessa temporada devido ao controle dos Mestres de escravos e seu patrocínio aos Filhos da Harpia. Num empasse politico com um dos Mestres de Meereen sobre o uso de arenas de combate ela acaba em uma situação que exige madureza, raciocínio e sangue frio.

Vamos queimar os Mestres!

O engano só se torna um erro quando nenhuma medida é tomada, Daenerys mostra sabedoria por assumir um erro de mudar a cultura local. A tradição pode manter Meereen junta, deixar que as arenas de combate fiquem abertas deixaria povo unido. Um preço que a Rainha deve pagar, deixar seus planos. em parte, de lado e adapta-los a situação, assim ela saberia como Reinar em paz, mas este é apenas um passo para essa grande mulher.

Para forjar uma relação com o povo de Meereen ela decide se casar com um membro de uma família antiga. Apesar de ser uma situação que dura pouco tempo, foi uma decisão corajosa que ela teve de tomar para manter a paz. É interessante pois Daenerys para de pensar em Westeros, não que ela tenha esquecido seu desejo inicial, mas ela encontra desafios do qual precisa de mais atenção como Soberana. Acredito que esse seja o ápice da personagem nessa temporada, seu desejo pelo trono de ferro é moldado pelo desejo de saber como governar e quando ela conquistar o Trono saberá o que está fazendo.


Parte VI

A sexta temporada é o Moet Chandon da vida Daenerys, ela está em seu estado mais perfeito de amadurecimento. A personagem enfim foi moldada, e pode cumprir com o que havia falado na primeira temporada.

Um ponto que podemos admirar na construção da personagem é sua evolução, por exemplo na primeira temporada foi o nascimento dos dragões. Ela entra no fogo e quando acaba está nua, uma situação que deveria implicar certa fragilidade, mas gera imponência, Daenerys é admirada. Um contraste de fragilidade e reverência. Esta combinação de sentimento acontece novamente na sexta temporada, concluindo o arco evolutivo da personagem.

Esperamos que agora com certa maturidade e experiência como regente, Daenerys faça bom proveito do Trono de Ferro. Afinal quem melhor do uma mulher com um grande exercito, um conselheiro estrategista e três dragões para governar os Sete Reinos?

Clock Tower

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Karina Dantas

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A vida é muito curta pra escrever uma biografia.

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