Interestelar para românticos?

Karina Dantas
Jan 18, 2017 · 3 min read

É interessante como trailers foram feitos para vender um filme de uma maneira apaixonante. Aqueles dois minutos e pouco com uma trilha sonora perfeita, falas selecionadas a dedo e cenas que cativam, e pronto está feito a armadilha. Expectativas são criadas, porém essas pequenas ilusões vendidas por grandes estúdios nem sempre são correspondidas. Após comprarmos nosso ingresso e disponibilizarmos às vezes mais de duas horas de nossas vida, nem sempre recebemos aquilo que esperamos, algumas vezes nos é entregue um filme mediano e até medíocre.

E foi exatamente o que aconteceu com novo filme dos famosos de Hollywood Chris Pratt e Jennifer Lawrence. O trailer de Passageiros nos dava a ideia de um filme que iria brincar com o desespero do ser humano pela sobrevivência; dois personagens presos numa nave com destino a um novo planeta em uma viagem que duraria mais que sua existência. Uma luta contra o tempo-espaço, além de segredos do passado que poderiam vir a tona a qualquer momento. Essas pequenas, mas significativas expectativas são criadas em trailers como esse:

Mas, como diz o filosofo Jagger ‘You Can’t Always Get What You Want’.

Passageiros prometeu algo como Interestelar e entregou um roteiro de Nicholas Sparks. Chris Pratt interpreta Jim Preston, que é apenas um dos milhares de passageiros que despertou 90 anos antes de chegar ao seu destino — uma nova Terra para um novo começo, já que a vida aqui se tornou difícil e instável.

O filme mostra Jim Preston despertando antes da hora, devido a um erro no sistema da nave. Percebendo que foi o único a acordar, Preston se vê num looping de atividades, visto que ao comprar seu ‘passaporte’ para esse novo planeta ele adquiriu a classe econômica, dando direito apenas aos serviços básicos. Pense como seria comer pão com manteiga de hoje até o dia da sua morte, hummm, parece delicioso não é? Ou dormir num colchonete, tomar o mesmo suco todos os dias.

Essas e outras questões passam a mexer com a mente do personagem de Pratt, levando-o a questionar sua existência. Porém essa parte da trama passa tão rápido que parece uma ofensa a um possível roteiro bem feito.

Com respeito a atuação, tenho sérios problemas com a Jennifer Lawrance, ela é sempre a Katniss. Acredito que os únicos papéis que não vejo a personagem são as do filme Joy e American Hustle, o resto a Katniss sempre aparece para assombrar suas atuações. E em Passageiros não é diferente, uma situação ou outra o fantasma de Jogos Vorazes aparece pra acabar com o filme. Já Chris Pratt que ganhou mais destaque depois de Guardiões foi testado num papel mais sério, porém não passou no teste. Existem atores e atores, alguns conseguem migrar de gêneros com facilidade, mas outros são marcados como gado, não tem como fugir.

Mas então, qual o grande problema de Passageiros? Como eu disse, venderam uma ficção e recebemos um romance. Isso não é tão ruim assim, se você olhar para o filme como romântico é até aceitável, entretanto não há como dizer que esse filme é de ficção, chega a ser ofensivo para quem ama o gênero. Então, Passageiros é uma pedida pra quem quer levar a namorada(o) no cinema pra ficar dando uns beijo porque realmente não vale a pena prestar atenção.

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Karina Dantas

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A vida é muito curta pra escrever uma biografia.

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