Muito empreendedores se desesperam com esta pergunta: o que é mesmo capital de giro? “De maneira bem objetiva e simples, capital de giro é o valor que a empresa tem para custear e manter suas despesas operacionais, sejam elas fixas ou variáveis, tais como gastos com comercialização, produção de um produto ou prestação do serviço.

Os negócios não quebram por dar prejuízo e sim pela falta de caixa. É claro que prejuízos constantes levam à falta de caixa, mas a empresa não se inviabiliza se houver crédito. Um bom exemplo para se entender isso são os clubes de futebol no Brasil. Muitos devem milhões de reais há anos e têm seguidos déficits e prejuízos, mas não quebram (ou não quebraram ainda), pois têm crédito, mesmo sendo reconhecidos maus pagadores. Aqueles que conseguiram se organizar melhor têm, inclusive, tido melhores desempenhos dentro e fora de campo.

Mas voltando à nossa questão central: por que falta dinheiro no caixa das empresas? Um erro comum dos empreendedores é não calcular o efetivo fluxo de caixa, que é a diferença entre as entradas e saídas de recursos da empresa em um certo período. O ideal é calcular diariamente os encaixes entre contas a pagar e a receber, e com previsão de pelo menos 90 dias.

E o que capital de giro tem a ver com fluxo de caixa? O que acontece é que quando fazemos o encontro de contas a pagar com contas a receber mais saldo de banco e caixa, percebemos que alguns dias o caixa fica negativo, ou seja, sem capacidade de pagamento. Neste momento, a empresa precisa recorrer a recurso extra para honrar seus compromissos. O capital de giro serve exatamente para cobrir o caixa nessas circunstâncias. O problema é que como planejar não é o forte das empresas brasileiras, este desencaixe ocorre sempre de forma inesperada, pressionando o departamento financeiro a pegar o dinheiro disponível mais rápido, que quase sempre é muito mais caro também.

Como calcular o capital de giro líquido?

O capital de giro (CDG) é reflexo do volume de vendas e seus custos diretos, das compras e seus prazos médios de estocagem e pagamento. Essas ocorrências variam bastante e por isso precisam ser monitoradas com frequência para que o empresário não seja surpreendido. O capital de giro e o fluxo de caixa estão diretamente ligados.

É simples a fórmula do capital de giro:

CDG = AC — PC

AC: ativo circulante (caixa, bancos, aplicações financeiras, contas a receber etc.)
PC: passivo circulante (fornecedores, contas a pagar, empréstimos etc.)

Algumas dicas para prevenir a insuficiência do capital de giro estão em manter o controle da inadimplência, renegociar dívidas para o longo prazo e adotar uma política para reduzir gastos (custos e despesas). Existe uma prática de colocar de 30% a 40% do total dos ativos de uma empresa em capital de giro, mas isso varia muito de negócio a negócio.

Como primeiro passo é necessário ter um fluxo de caixa detalhado para conhecer a fundo a empresa. O fluxo de caixa é a base para conhecer suas despesas, já que de lá você conseguirá tirar suas informações essenciais.

O segundo passo é saber o quanto de recursos estão sobrando na empresa, ou seja, seu lucro. Com isso, você poderá enxergar como o seu capital de giro é alimentado, tanto em termos de tempo, como em quantidade.

O terceiro passo depois disso é necessário definir quanto tempo que esse recurso deve durar para que seja suficientemente reposto constantemente.

A unidade de negócio de Consultoria da Smart Inteligência Empresarial fez um levantamento sobre a principal motivação que o cliente apresenta na hora de procurar uma consultoria em gestão de negócios. Entre 2012 e 2016, em um universo de mais de 400 empresas, mais de dois terços (67,2%) procuraram em função de problemas com capital de giro ou fluxo de caixa.

Veja o gráfico:

Fonte: Smart Inteligência Empresarial, 2016

Fica a última dica: problemas com capital de giro ou fluxo de caixa muitas vezes são apenas sintomas e não efetivamente o problema central de uma empresa não estar indo bem. Mas ter instrumentos que calculem e monitorem isso diariamente e com precisão é fundamental para se construir uma gestão financeira equilibrada e sustentável.