O boom da economia colaborativa

Vivemos tempos de contenção, de sustentabilidade, de desapegos, de gastar menos, porém produzindo em mesma escala e intensidade.

Em suas mudanças comportamentais o ser humano tende a influenciar a economia em aspectos muito mais profundos do que a gente imagina. É o caso da nova onda que está tomando conta do século XXI e que pretende perdurar por muito tempo: a economia colaborativa.

Conhecida também como A Nova Economia Digital, a economia colaborativa acompanhou os avanços da tecnologia para trazer mais mobilidade, flexibilidade, troca e experimentação aos dias atuais. Funciona de maneira a conectar pessoas que tenham interesses e necessidades comuns, por meio de redes sociais, aplicativos ou serviços que permitam uma troca além do valor monetário. O dinheiro é importante, sim, mas na economia colaborativa ele tem papel secundário, surgindo como resultado dessa troca e de quanto ela pode ser positiva tanto para o consumidor quanto para quem está oferecendo o serviço.

Tudo pode ser compartilhado: carros, roupas, alimentos, moradias, informação, tecnologia etc. O intuito é a redução do desperdício, o uso eficiente dos recursos naturais e o combate ao consumismo desenfreado e sem propósito, o tal do lowsumerism ou consumo colaborativo.

Casos de sucesso

O Itaú é um caso interessante de como a economia colaborativa pode ser lucrativa para grandes empresas, desde que usada em benefício do consumidor direto. As bicicletas do banco, espalhadas em algumas das grandes cidades brasileiras, exemplificam a ascensão dessa nova economia. O negócio alia a praticidade de uso (via mobile) aos benefícios do serviço (você pode pegar a bike em diferentes locais e devolver em outro destino, sem precisar usar outro meio de transporte) e à mobilidade que a bicicleta oferece em meio ao caos do tráfego brasileiro.

Outro case de sucesso, talvez um dos maiores, é o site de compartilhamento de moradia Airbnb, um serviço online que permite alugar casas, apartamentos ou qualquer acomodação de pessoas que estejam dispostas a dividir seus lares. Desde que estreou, em 2008, o site é um dos mais acessados para aluguel por temporada e já soma mais de 100 milhões de usuários. A empresa hoje tem valor comercial de 30 bilhões de dólares.

No Brasil, várias empresas estão se destacando, dentre elas o site de vendas de roupas e acessórios “Enjoei” mostra que a economia colaborativa também tem remexido o guarda-roupa das pessoas. No ar desde 2009, o site já conta com “lojas” virtuais de personalidades de peso no universo da moda e das blogueiras. Mas não é só com essas pessoas que o Enjoei tem feito sucesso: consumistas conscientes também embarcaram na ideia e lucram vendendo suas roupas pouco usadas, adquirindo novas peças sem pesar tanto no bolso. Esse ciclo de consumo é uma das premissas da economia colaborativa e faz parte da ideia central do Enjoei. O site só tem crescido: em 2014 o faturamento da empresa foi de R$30 milhões e em 2016 investidores já injetaram mais dinheiro na plataforma.

Mas não é somente na lucratividade que se baseia a cadeia de consumo colaborativo.

Compartilhando ideias e trabalhos

Um outro tentáculo dessa economia são os chamados coworkings, espaços para compartilhar trabalhos e ideias. Dentro da logística de fornecer e consumir ao mesmo tempo, os espaços coworking são uma alternativa rentável e viável. Muito pela sustentabilidade e pela flexibilização do trabalho — isso, claro, graças à tecnologia, que proporciona cada vez mais mobilidade aos afazeres diários.

A economia colaborativa tem trazido grandes mudanças para a vida do cidadão, que se vê cada vez mais envolvido nesse novo modelo de negócio. Seja qual for a oferta, o que realmente importante dentro dos conceitos da nova economia é a troca de experiências e o uso de recursos que não envolvem somente um meio ou fim “centralizado”. Como resultado vingam as redes e teias que essa forma de consumir mais inteligente e consciente tem oferecido. Para isso, é importante que as empresas repensem seus modelos de negócios, e passem a acreditar e a cultivar uma economia onde divide-se mais e acumula-se menos.


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