Multi-room audio: o que é e quais são as suas opções

'Multi-room audio' é uma daquelas expressões que você vêm ouvindo há uma porção de tempo. É um termo que, em última análise, se refere ao seu sentido literal — áudio distribuído em vários ambientes — mas não se deixe enganar em pensar que este é todo o significado há para ele.

A expressão multi-room audio mascara um assunto que está longe de ser simples. Não existem apenas várias marcas oferecendo sistemas de distribuição de áudio pela casa, mas plataformas e arquiteturas variadas também, todas com experiências diferentes.

Não importa se você já está avançado na busca pelo sistema ideal, ou se está apenas tentando descobrir o que é multi-room audio, você veio ao lugar certo. Neste artigo vamos explorar tudo o que se é preciso saber sobre multi-room audio, desde o conceito, as diferenças nas plataformas disponíveis, e até mesmo os sistemas populares por aí.


O que é multi-room audio?

De uma maneira simples, multi-room audio — o popular 'som ambiente' — é a idéia de se distribuir áudio por vários espaços à partir de um ponto central.

Dependendo do sistema escolhido, é possível escutar um único conteúdo ou conteúdos diferentes, em todos os ambientes ou em apenas alguns deles, de maneira simultânea.

A música reproduzida pode ser original da sua coleção pessoal (armazenada em um computador, CDs etc.), de serviços de streaming como o Spotify, ou qualquer outra fonte a qual você deseje compartilhar pela casa.

Com um conceito tão abrangente, praticamente qualquer arranjo de equipamentos pode ser considerado como um sistema de multi-room audio, mas existem algumas formas convenientes de se separar o joio do trigo. Vamos percorrer pelas 3 principais arquiteturas de distribuição de áudio pela casa, para que se possa ter uma idéia melhor do que é possível fazer com cada uma delas.

Um início analógico

Uma forma bastante popular de se distribuir áudio pela casa, utilizada principalmente nos primórdios da era multi-room, é simplesmente ligar mais caixas ao home theater.

Tomando proveito de canais sobressalentes dos amplificadores, é bastante comum optar por fazer a distribuição de áudio à partir deste ambiente, onde já existe a concentração das fontes de áudio do sistema.

Niles SS-4, um exemplo de setorizador.

Para isso, são adicionados setorizadores (ou seletores de caixas) na saída do amplificador, proporcionando controles individuais de acionamento e volume à cada um dos ambientes (e tecnicamente, fazendo o casamento de impedância do conjunto de caixas acústicas). Ainda que com algumas variações em função dos equipamentos utilizados, um sistema analógico possui basicamente as seguintes características:

  • Operação majoritariamente manual;
  • Tendência à centralização dos controles operacionais (embora hoje seja comum o uso de reguladores de volume locais);
  • Independência de acionamento e controle de volume em cada um dos ambientes;
  • Pouca ou nenhuma independência na escolha da fonte de áudio reproduzida em cada um dos ambientes;
  • Baixa potência designada à cada uma das caixas acústicas;
  • Elevada necessidade de infraestrutura;
  • Custo reduzido.

Hoje, com grande parte dos receivers oferecendo o recurso de multi-zona (reprodução independente entre o home theater e zonas secundárias), adaptações que usam os setorizadores para expandir a área de cobertura das zonas secundárias dos receivers ainda acabam por ser uma forma popular de se projetar sistemas de distribuição de áudio, mesmo com todas as limitações descritas acima.

Diagrama básico de um sistema analógico.

Bem-vindo à era digital

Quando se pensa em um sistema digital, a coisa muda de figura.

A popularização dos sistemas de distribuição de áudio pela casa impulsionou o desenvolvimento de novos equipamentos, mais adequados às necessidades e anseios dos usuários.

Os sistemas deixaram de ser uma extensão do home theater e passaram a ter um papel central no projeto de entretenimento das residências. Nesse contexto, surgiram grandes nomes da indústria — Niles, Russound, NuVo — , com controladores dedicados, capazes de gerenciar uma casa inteira, keypads digitais e players otimizados para o uso em múltiplos ambientes.

Dentre os modelos atualmente disponíveis, o Russound MCA-C5 é um tradicional multi-room audio controller.

Em comparação com os antigos sistemas analógicos, a plataforma digital oferece uma experiência muito mais completa aos usuários, cumprindo com a promessa de ouvir "o que, quando e onde quiser". As características marcantes de um sistema multi-room digital:

  • Diversas maneiras de se operar o sistema, com tendência à virtualização dos controles (seja através de aplicativos, ou via integração com sistemas de automação);
  • Independência total de acionamento, volume e escolha da fonte de áudio reproduzida em cada um dos ambientes;
  • Envio de potência flexível, adequada às caixas de cada ambiente;
  • Recursos de conveniência, tal como equalizações para cada ambiente, interrupção de áudio (para ouvir a campainha tocando), modo festa etc.
  • Elevada necessidade de infraestrutura;
  • Custo elevado, se comparado com o sistema analógico.

Embora com custos mais altos em comparação ao antecessor analógico, os benefícios da arquitetura digital ganharam adotantes em larga escala, fazendo com que ainda hoje, grandes empresas continuem a oferecer opções de sistemas multi-room dedicados.

Diagrama básico de um sistema digital.

Revolução sem fios

Se você viu com o mínimo de atenção os dois diagramas anteriores, deve ter notado sua similaridade.

Durante muito tempo, um limitante fez com que o desenvolvimento dos sistemas multi-room se concentrasse basicamente em equipamentos mais modernos: a integração das fontes de áudio ao sistema. Com o surgimento do streaming, essa preocupação deixou de fazer sentido, uma vez que o áudio está armazenado em todo lugar.

Alguns dos vários modelos disponíveis pela americana Sonos.

A disponibilidade e popularidade de serviços como Spotify e TuneIn, somados à confiabilidade das redes Wi-Fi modernas, proporcionou um cenário onde uma revolução era praticamente inevitável. Neste contexto, empresas como Sonos e sua apaixonante arquiteturas livre de fios levaram os sistemas de áudio multi-room à um novo patamar, retirando-os de um mercado de nicho, para uma popularidade nunca antes imaginada.

  • Virtualização dos controles operacionais;
  • Dominância de conteúdo de áudio digital (através de serviços ou envio de conteúdo via streaming);
  • Independência total de acionamento, volume e escolha da fonte de áudio reproduzida em cada um dos ambientes;
  • Modularização do sistema, permitindo escalabilidade e portabilidade, de acordo com as necessidades de cada ambiente, usuário e situação;
  • Baixa necessidade de infraestrutura;
  • Custo elevado, se comparado às opções anteriores.

Embora em um primeiro momento as marcas tenham adotado uma abordagem mais comercial, hoje os recursos presentes no sistemas sem-fio são comparáveis aos mais renomados sistemas digitais. Além disso, sua flexibilidade permite uma série de vantagens adicionais, entre as quais é particularmente notável a portabilidade, permitindo que o usuário 'transporte' seu sistema entre os ambientes. Isso faz com que o alto custo acabe por ser diluído, uma vez que o usuário pode adquirir novos módulos para o sistema de acordo com o uso.

Diagrama básico de um sistema sem-fios.

A melhor escolha

Einsten foi realmente sábio ao dizer que "tudo é relativo".

Assim como praticamente qualquer processo de compra, a melhor escolha depende das necessidades do usuário.

Ainda que ultrapassado em uma primeira impressão, mesmo um sistema analógico bem projetado pode atender às necessidades de usuários casuais, que só querem a trilha sonora para apreciar o por do sol, enquanto as modernas opções digitais com certeza oferecem mais recursos aos heavy users.

Sabendo das opções de disponíveis, com certeza a melhor opção é conversar com um integrador, que pode oferecer um estudo detalhado, aplicado diretamente ao empreendimento no qual o sistema será instalado.

Pra saber mais

A lista abaixo contém links para os sites de alguns tradicionais fabricantes de sistemas de áudio multi-room:

  • Absolute Acoustics: marca nacional, possui sistemas de multi-room audio em seu portfólio, entre uma infinidade de outros equipamentos.
  • Denon HEOS: sistema de multi-room audio wireless da legendária marca japonesa de A/V receivers.
  • Google Chromecast: apesar de não ser oficialmente um sistema multi-room, os excelentes recursos de compartilhamento do app Google Cast o tornam uma excelente opção DIY.
  • NuVo e Russound: duas das mais tradicionais marcas de sistemas de distribuição de áudio.
  • Sonos: a mais popular marca de sistemas multi-room sem fio (ainda sem disponibilidade oficial no Brasil).

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