Bolsa x startups: por que não os dois?

SMU Investimentos
Sep 21 · 5 min read
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Vivemos um momento de grandes inovações e com os investimentos não é diferente. A taxa SELIC deve se manter num patamar baixo por um bom tempo, e o investidor precisará buscar alternativas aceitando um pouco mais de risco para manter o seu retorno. Bolsa, fundos, moedas e porque não investimento em startups?

Entretanto, sempre que tentam nos vender algum investimento será que nos contam todos os riscos ou só destacam o retorno?

Listamos abaixo os 5 Principais Riscos do Crowdfunding de Investimentos e fazemos uma comparação com os investimentos em bolsa.

1. Risco de perder o seu dinheiro investido.

Apesar de correr o risco de ser sócio de uma empresa, normalmente os contratos de crowdfunding são elaborados de tal forma que o risco de perda fique limitado ao valor investido e não mais do que isto. Não há chamada adicional de margem como em alguns produtos de corretoras ou ainda uma cobrança de dívida trabalhista ou fiscal como acontece com empresários. Entretanto é importante dizer que a maioria das startups falham. A grande maioria. Por isso é muito importante saber investir o montante correto e procurar sempre investir em conjunto e com quem tem experiência em análise e Investimentos dessa natureza. Quanto mais cabeças pensantes analisarem e acompanharem aquela startup, melhor a sua tomada de decisão.

Fazendo um paralelo com ações, é o risco semelhante ao de perder dinheiro investindo numa ação com baixíssima liquidez mas com um grande potencial de valorização. Não há o risco de chamada de margem como por exemplo em algumas estratégias com derivativos.

2. Risco de não ser um investimento para o seu perfil.

Se você é um investidor iniciante ou conservador, crowdfunding de investimentos não é para você neste momento. Sair do conforto (e baixos retornos) dos investimentos tradicionais como poupança e CDBs de bancos requer uma certa dose de estudos, pesquisas e tempo para acompanhá-lo. Você precisará entender em que fase de desenvolvimento aquela empresa está, qual é o seu plano de negócio, o seu valuation, seu contrato e alguns jargões do mercado de startup. Uma boa plataforma deve oferecer este tipo de educação financeira aos seus clientes.

Num banco ou corretora você responderá algumas perguntas e obterá o seu perfil de investidor, bem como a indicação de produtos de investimentos que são mais adequados a este perfil e balanceamento do seu portfolio. Adicionalmente uma parte educacional poderá ser oferecida, o que também é muito bem vinda para melhorar a capacidade de análise do investidor.

3. Risco de liquidez (precisar resgatar e precisar aguardar).

Via de regra o investidor em startup precisará aguardar um evento de liquidez, seja ele a venda da empresa investida, o recebimento de uma nova rodada de investimento ou a negociação do seu investimento no mercado secundário. Esta negociação no mercado secundário está próximo próximo de ocorrer com a revisão da CVM588 (normativa da Comissão de Valores Mobiliários que regula o crowdfunding de investimento no Brasil). Desta forma só invista o dinheiro que não precisará resgatar no curto/médio prazo.

Crowdfunding de investimentos se assemelha a alguns produtos e fundos que possuem prazo de carência ou de resgate Elevado (ex, fundo de private equity, LCI e LCA longas, entre outros) quando falamos em liquidez.

4. Risco de não conseguir obter informações da empresa.

Aqui no Brasil as empresas que captam recursos via crowdfunding de investimentos são obrigadas a liberarem semestralmente relatórios de acompanhamento gerenciais/contábeis. Algumas plataformas exigem até que estes relatórios sejam trimestrais. Porém as vezes as empresas atrasam um pouco a liberação destes relatórios, ou ainda não disponibilizam algumas informações que julguem serem estratégicas ao seu negócio com o receio que estes dados caiam indevidamente em mãos de concorrentes. Utilizar plataformas sérias e que também investiram na mesma rodada é uma boa forma de reduzir este risco informacional.

Uma empresa listada em bolsa segue o CPC 26, Comitê de Pronunciamento Contábil, e precisa informar periodicamente os investidores com seus relatórios e demonstrativos auditados. A grande diferença é que no caso do crowdfunding os relatórios necessários a serem disponibilizados não são pré-estabelecidos pela CVM. Outra diferença é que na Bolsa, uma empresa que atrase em demasiado a liberação destes informes poderá sofrer punições como por exemplo o bloqueio das negociações das suas ações. Além disso, os balanços das empresas costumam ser auditados, o que no mundo de startup é inviável dado os custos relacionados. No crowdfunding este atraso é informado à CVM e não há este bloqueio dado que não há um mercado secundário organizado, porém uma empresa em atraso não poderá realizar novas captações com a chancela da CVM.

5. Risco de Diluição nas próximas rodadas de investimentos.

Uma startup queima caixa no lugar de gerar lucro para poder acelerar o seu crescimento. E para esta corrida funcionar é preciso muito combustível, neste caso, investimento. Algumas startups fazem mais de uma rodada de crowdfunding e neste caso o investidor poderá decidir se quer investir mais ou não. Em outros casos a empresa começa a buscar recursos com fundos de venture capital que por sua vez, começam a fazer cada vez mais exigências para investirem, o que pode não ser tão alinhado aos investidores iniciais como anjos e crowdfunding. Mais uma vez o papel ativo e forte da plataforma, seja através de uma liderança via sindicato, experiência dos seus executivos ou atuação com interesses alinhados com seus investidores poderá evitar uma situação desconfortável ao investidor de crowdfunding ou não. Os contratos devem prever todos os direitos e proteções ao investidor (TAG Along, Anti Diluição em Down Round, condições mínimas do acordo de acionista no momento da conversão, etc).

Em empresas listadas em bolsa os investidores conseguem participar de rodadas futuras adicionais, porém também há o risco da empresa crescer e deixar alguns investidores minoritários fora de determinadas rodadas ou de outras transações. Quanto maior o nível de governança corporativa desta empresa, mais seguro será aos investidores.

Em resumo, não deixe de fazer uma auto análise do seu momento, balanceamento do seu portfólio, vontade de aprender sobre investimento em startups e alinhamento com o seu propósito antes de fazer o seu aporte. Agora se já se sentir preparado ou disposto a aprender, analise, compare as plataformas, e escolha a que investe junto com você e defende os seus interesses. Será um caminho sem volta e com certeza valerá os esforços.

Texto escrito por Rodrigo Carneiro, CEO da SMU, originalmente publicado no Estadão.

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