Cagada de gato

Sempre fui desorganizado. Sempre. Aquela bagunça normal de gente que nunca aprendeu a ter disciplina. Mas também sempre me orgulhei de tentar manter a casa limpinha.

Limpar o chão uma vez por semana, dar aquela varrida bonita quando necessário, lavar a louça, tirar o pó eram partes corriqueiras da minha vida. Gostava daquele cheirinho de limpo, de andar de pés descalços sem sujar eles. Coisa de gente normal que tem apreço pela limpeza. Aí eu adotei gatos. E meus gatos procriaram (bem contra a minha vontade, digamos assim).

E agora, de 3 gatos que eu tinha, no meu apartamento vivem 8. Pelo menos por enquanto (eu espero). E quando esses gatinhos chegaram, a minha vida mudou.

Das minhas tentativas de limpeza, nada sobra. Minutos depois de ter me esfalfado limpando o chão pra deixar tudo cheiroso, eu encontro caca de gatinho no meio da sala. Xixi na cobertinha. Mais caca atrás da estante. MUITA CACA ATRÁS DA ESTANTE. E minha resolução de não ter filhos humanos fica mais forte aí.

Porque chegou um momento nessa batalha em que eu simplesmente DESISTI. Quando você chega em casa e encontra gato em cima da mesa, em cima da pia, comendo suas toalhas, virando o lixo dia após dia, você desiste. Não há persistência que dure.

O conflito interno é o seguinte: eu limpo aquele cocô pra dois segundos depois ter um BEM MAIOR no lugar ou eu finjo que ele não existe, brinco de campo minado em casa e tento almoçar com o doce aroma da caca de gato pela casa toda?

Podemos dizer que eu e incenso viramos grandes amigos. Tem uma lata de Glade que virou parte da decoração da sala. Eu não me atrevo a por os pés no chão da sala. E acabei de dar um gole de chá com pelos.

Ter filhos, inclusive os de quatro patas, não é fácil.

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