A Vida Secreta de Walter Mitty

Um filme bem dirigido, mas com um roteiro fraquinho, fraquinho…


“A Vida Secreta de Walter Mitty” tem uma direção acima da média que, embora não seja fantástica, mostra um Ben Stiller bastante inspirado no comando. Ele consegue contar a história de uma maneira bonita e diferente do comum, que em conjunto com o competente trabalho de direção de arte, criam composições que embelezam as situações. E são elas, os problemas.

Achei o roteiro desse filme bem fraco.

Se fosse um bom roteiro, ele não poderia ter o que deseja, até evoluir e se tornar alguém melhor (em qualquer sentido, contanto que ele passasse por uma transformação). Essa evolução viria através da jornada criada pelo problema, com a superação de obstáculos (fossem externos ou internos), criando um novo homem, capaz de alcançar o que almeja… Mesmo que fosse tudo “clichê”.

Se fosse um roteiro genial, ele teria essa mesma estrutura, mas os obstáculos seriam muito difíceis de transpor, e as soluções que ele precisaria encontrar, teriam que ser criativas e inspiradoras.

Mas infelizmente o filme não tem essa estrutura, nem a evolução, nem a transformação, nem a criatividade.

O roteiro falha em criar motivações fortes para os personagens. Nos primeiros minutos do filme, somos apresentados a uma ameaça ao protagonista (e todos com quem ele convive), mas em nenhum momento ele demonstra preocupação. Isso faz com que o espectador (eu ao menos) não sinta urgência na resolução do problema. Não cria expectativa, não “dá nervoso”. Desde o início, parece que “tanto faz”, que ele não se incomoda com as consequências de não superar os obstáculos.

O interesse romântico do protagonista: uma personagem com potencial, que parece interessante, mas que foi pouco explorada.

Um pouco antes, ainda, nos é apresentado o “objeto de desejo” (“objeto” do ponto de vista da estrutura de roteiro e não do significado) do protagonista. Algo que, teoricamente, seria difícil de alcançar. Mas não é. Desde a primeira vez que ele interage com esse “objeto de desejo”, tu já percebe que é algo que ele precisa se esforçar muito pra conquistar. Mas que, também… Se ele não conquistar, tanto faz.

E a maior parte dessa jornada é povoada por por situações bobas, que não forçam ele a tomar nenhuma decisão difícil, ou ter qualquer superação. Toda a jornada é feita de situações específicas, das quais ele não tem como fugir ou contornar, então só resta aceitar o destino. A única função dessas situações é apresentar uma metáfora.

Acho que o maior representante disso é a bicicleta. Toda a história da bicicleta é chata, assim como a forma com que as metáforas são apresentadas. E como os diálogos.

Em resumo, uma direção acima da média, com um roteiro fraco. As atuações só merecem o comentário: “normal”. Ben Stiller atua bem, mas ele foi muito melhor em “Trovão Tropical” e muito, muito melhor em “Quem Vai Ficar com Mary”.

E ao contrário do que se possa pensar, o maior clichê de todos, foi uma das coisas que vi como positivas no roteiro. Desde o início do filme tu sabe que ele vai acontecer,… É a única metáfora bem feita. Na verdade, igual a todos os outros filmes com o mesmo tema, mas… Bem, se o filme era sobre isso, então um acerto o roteiro teve…

Veja o trailer:

http://www.youtube.com/watch?v=vnB8XFPC_iA

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