SNL Brasil e o que você perdeu

Você perdeu muita coisa


Menos de 1% dos televisores ligados no Brasil estavam sintonizados na Redetv! na estréia do nosso Saturday Night Live. Isto demonstra que Rafinha Bastos não tem tanta força assim, entre outras coisas. Demonstra também que você que está lendo este texto provavelmente não assistiu a este primeiro episódio. Mas, o que você perdeu?

Antecipando, muito. Admito que pouca coisa boa, excepcional. E muitas outras que, acredito, não irão se repetir. Primeiramente, há de se falar que o SNL é um programa tradicional nos Estados Unidos com 36 anos de idade com formatos já consolidados e copiados por muitos outros programas mundo afora. Porém, no Brasil, pouco conhecido devido ao diferente tipo de humor que é trabalhado: humor sem punchlines; alongando piadas; com muito contexto (deles) por trás. O que impede de já querermos dizer que não vai dar certo: tem SNL na Itália há quatro anos e lá vai muito bem, assim como no Japão, e são dois países que carregam formas de humor bem peculiares.

E esse já foi um erro do SNL Brasil: copiar o humor do americano. Mesmo que você queira trazer uma nova variante do humor com toda a carga que esta franquia comporta, é preciso vir chegando de mansinho. Ainda mais quando se coloca em uma emissora como a Redetv!. Admiro a disposição da Redetv! em abraçar a causa e os 38,4 milhões de reais que o SNLB trouxe, mas todos sabemos que ela estava desesperada para preencher o vazio que o Pânico deixou. E que o rebanho da emissora não é lá o mais informado em termos de comédia. O exemplo maior que tenho é o pessoal de onde eu trabalho comentando aquela catarse baixa que veio logo a seguir do Dr. Rey e não falar nada sobre o programa. Mas é porque pouco ali dava para ser retirado e digerido como forma simples de humor. Tanto que os blocos mais aceitáveis eram as paródias de programas conhecidos.

As referências são outras, os blackfaces são outros por aqui. As atuações são outras. Mas com tanto dinheiro de receita o que poderia ser no mínimo parecido é a produção, não concordam? Primeiro, comprem um microfone boom e desistam do microfone Sandy e Jr.. Ou usem lapela, pelo menos. É coisa pequena, mas conta muito quando eu sei que o zelador que está lá atrás escondido vai ter uma fala na sketch, perde o efeito surpresa. Nuances de iluminação e cuidados no figurino também são importantes para se ter imersão no contexto da piada. Ah, e podem deixar o cenário da estação Grand Central de Nova York porque acho que a Estação da Sé não ia ficar muito legal mesmo.

Eu gostei das idéias, principalmente das sketches. Mas achei o desenvolvimento do roteiro maçante demais, e a finalização da piada mais alongada que os originais (que já são longas demais). Formando finais quase sofríveis para quem assistia. As atuações poderiam ser menos calorosas (mas há de se entender: estréia, nervosismo, etc.) no sentido de conter berreiros desnecessários e linguagem teatral cômica. As abordagens têm de ser mais cautelosas porque estamos lidando com um público diferente, e não cair na fuga do “público brasileiro que tá acostumado com Zorra Total e não entende”.

Enfim, tudo que pode ser melhorado. Com muito trabalho.

Li que reconheceram a duração longa das sketches e a iluminação ruim e que irão consertar nos próximos episódios. E parece-me que ele irá ao ar no sábado agora, fazendo jus ao nome. Espero que melhore, pois torço para que algo diferente saia no Brasil quando o assunto é comédia.

Originally published at sobrecomedia.com on May 29, 2012.

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