SNL Brasil e o susto

O susto muda as pessoas. Modifica seus hábitos, seus atos. A partir do susto elas reveem seus ideais, seus conceitos. E foi isso que o Saturday Night Live Brasil tomou na primeira semana: um susto.

Na primeira semana, estavam esperando de 4 a 7 pontos na audiência: tiveram 0.9. Susto. Rafinha Bastos é polêmico, as pessoas querem vê-lo só para saber o que ele vai falar: nem tanto. Susto. Saturday Night Live é uma franquia conhecida, o pessoal vai querer assistir: acho que não. Susto. E foi com estes sustos que o SNLB correu atrás e consertou algumas coisas, outras não.

Algo que eu gostei de ver foi esse desgarramento com o americano. Temos nossas próprias referências, e são nelas que o público se baseia para tirar sarro. Por isso gostei muito da primeira sketch sobre os seguranças de prédio e o jogo de palavras. Além de uma boa atuação por parte do Anderson Bizzocchi — o melhor de todos os atores ali, na minha opinião. Falando em atuações: parem de gritar enquanto encenam. E falando nas encenações ao vivo: destruam o microfone Sandy e Jr.

Rafinha Bastos foi bastante idiota e vergonhoso no Weekend Update desta semana. A cada piada lembrando o que é e o que não é palavrão e que ele não estava sendo pedante. Ok, Rafinha, deixa isso com a gente. E sobre o quadro desta semana, parece que confundiram o Weekend Update com A Praça É Nossa onde vai um convidado meio louco, fala umas bobeiras e canta uma música no final. Que fórmula, hein?

Eu não vou comentar sobre a Fernanda Young azeda* fazendo sketch azeda de sarrismo azedo de feminismo. Mas se fosse para dar um conselho deste episódio seria: trabalhe muitos ápices de humor em encenações ao vivo, muitos, muitos mesmo. Você não vai saber em qual vai cativar o público (ainda mais se precisar dos atores). E paguem um curso de teatro para toda essa cambada.

Em muitos outros blocos eu vi um humor ofensivo. Mas um ofensivo meio 14 anos assim. Um ofensivo meio escondi sua bola no playground. Um ofensivo meio tirar sarro de Paniquete — como se precisasse tirar sarro. Um ofensivo meio Rafinha Bastos. Não precisa disso.

Uma sketch que merece ser lembrada é a do continuista. A melhor de todo o programa, com certeza. O trabalho com situações inusitadas e acontecimentos impossíveis foi algo além do que eu imaginava ver no programa. E mostra que não precisa tirar sarro de novela ou jogador de futebol para fazer um bom quadro de comédia aqui no Brasil. E as outras sketches estavam boas e com elementos diferentes, tenho de admitir. Erros de timing aqui e acolá, ou de abordagem, mas no todo eu gostei de notar uma evolução em dois programas: é o susto. E como eu falei no primeiro texto: torço para que algo diferente saia disso tudo.

E superem o Capitão Nascimento, pelo amor de deus.

*Obrigado @feliep_ pelo adjetivo, não encontrei palavras melhores para descrever Fernanda Young e seu mundo.

Originally published at sobrecomedia.com on June 6, 2012.

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