Talita Dantas
Aug 26, 2017 · 2 min read

[SOBRE RELACIONAMENTOS E SAPATOS]

Na adolescência, quando eu visitava lojas de sapatos, muitas vezes os comprava por achá-los lindos, ainda que me causassem um certo desconforto.

A lógica era simples: Ah! É um sapato tão bonito... e tá apertando só um pouquinho... é, acho que posso suportar.

A realidade, no entanto, era bem outra. Aquele pequeno incômodo, após um único dia, tornava-se um desconforto descomunal. Em determinadas ocasiões, meus pés ficavam feridos e, noutras, a dor chegava a me impedir de andar.

Perdi mais de um sapato lindo pro armário, porque, depois de uma ou duas sessões de tortura, esse era o destino deles, até que, alguns meses depois, eu me conformava e doava a alguém a quem não fossem machucar.

Aos poucos, fui aprendendo a comprar sapatos. Entendi que, por mais belos que fossem, a dor não valia o investimento.

Ocorre que sempre gostei de sapatos em promoção e, num dado momento, comecei a perceber que muitos destes são refugos que a industria chama de produtos com defeito aparente. Defeitos de costura, um laço mal pregado, etc. Algo que afeta minimamente a aparência, fazendo com que seu preço seja diminuído em função disso.

Foi numa dessas promoções que comprei um peep toe, preto, lindo (só as mulheres entendem a emoção... Rs)! Era perfeito! Bom, quase... ele tinha dois pequenos defeitos aparentes: uma falha no couro e uma leve assimetria no laço. Eram sem dúvida defeitos, comparado o meu sapato aos outros da mesma linha, mas não eram defeitos que me causavam dor, nem que me impediam de andar.

Eu permaneci com aquele sapato até o fim (dele)! E foi ele que me fez entender que aos relacionamentos se aplica a mesma lógica, com a diferença de que, na vitrine, só há produtos com defeitos. Ora com defeitos aparentes, ora com defeitos que machucam (mas são relativamente suportáveis), ora com defeitos que inviabilizam completamente prosseguir.

Sabedoria é reconhecer quando um "sapato" lhe causa tamanha dor que se mostra mais inteligente andar descalça que ostentar sua beleza.

Sobre Mulheres e Lobos

Somos um grupo de mulheres que nos reunimos para compartir ideias acerca do livro Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés. Aqui você encontrará reflexões decorrentes dos nossos encontros.

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Talita Dantas

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...uma flor no asfalto...

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