Eram várias filas; um sistema que eu nunca vi para a correção de provas e exercícios. Vários guichês, vários atendentes, todos recolhendo as provas escritas para que os professores as corrigissem ali mesmo no departamento. Entrava-se, pegava-se uma senha, e, assim que ela fosse chamada, entrava-se na fila. Havia um sistema estranho em que se poderia ganhar tempo, ou avançar alguns lugares na fila através dum jogo de poker. A cada rodada o vencedor avançava um lugar na fila, ou coisa parecida. Não joguei. Mesmo porque não entendo nada de poker.
Entrei, peguei a senha, fui chamado, tomei lugar na fila, entreguei minha prova. Saí e aguardava o resultado. Valia vinte. De dentro veio um moço com meu papel corrigido na mão. Antes que eu visse o resultado, todos riam — até discretamente, em certa medida. Nota 3. Absurdo! Geralmente não ligo para notas baixas, mas essa me incomodou profundamente. Principalmente porque vinha acompanhada de alguns desaforos e insultos pessoais. Voltei para tirar satisfações com o professor.
Voltei e o encontrei na mesa de poker; folgava alto como um bêbado. Automaticamente — como quem já está acostumado — enfrentei a burocracia e fui em busca da senha. Desta vez o número vinha num papel enorme — e o meu parecia ser o último daquela manhã. Enquanto eu aguardava a confirmação da senha o professor me olhava divertido.
— Gostou da correção, rapaz? — me perguntava lá da mesa. É uma maneira nova… bem legal, não?
— Bem legal, sim, professor! — eu respondia entre os dentes.
Tentei me desvencilhar do lençol e lhe dizer umas boas verdades, mas perdi as forças… o lençol era pesado demais. Droga de lençol! Ele ria alto enquanto empurrava mais fichas para o meio. Revoltado, comecei a gritar dali mesmo o absurdo da nota recebida e dos comentários desaforados no rodapé enquanto, com toda força, lutava contra o maldito lençol… Acordei falando sozinho e com uma fresta de sol na cara.
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