Lavar louça é meditar

Lavar louça não é ruim, ruim é arrumar a louça antes, melhor, ruim mesmo é pensar que vou ter que lavar louça, em geral depois do jantar. Se eu dizer que gosto de lavar louça vocês não vão acreditar, bom, porque eu não gosto, mesmo assim, tenho lavado quase todos os dias após o jantar. Na hora do almoço em geral não estou em casa.

Agora, lavar louça tornou-se quase que uma terapia para mim. É um momento que eu fico sozinho, ouvindo podcast e pensando em grandes questões da humanidade, como, “por que chamamos de louça se só há vidros, metal e plástico?”, por quê?

Eu dificilmente lavo alguma peça de louça, a minha louça é composta por pratos de vidro, talhares de metal, copos de plásticos (crianças…) dentre outras tomadores de tempo alheio.

Depois que arrumo a louça na pia, respiro fundo e começo a lavar. Sempre me vem a cabeça aquela música “Lava roupa todo dia, que agonia…”, mas na versão “Lava louça todo dia, que agonia…”.

Tenho pensamentos contraditórios, sempre penso em como podemos tornar esse mundo melhor, com mais fontes de energias renováveis e lixo zero o qual todo resíduo é renovável, até que eu olho para a pia e vejo um monte de panela e me pego pensando por que elas não são descartáveis? As ideologias não resistem à realidade.

Horrível é terminar de lavar tudo, limpar a pia, a esponja, tirar o avental (eu uso avental, tenho dois e um está escrito “Central Perk”, pegaram a referência?) olhar para trás e ver que esqueci louças na bancada. Por quê?

Mas toda essa agonia é amenizada com os podcasts (tá bom, agonia é forte, quem fala isso deveria ter que lavar mais louça, ou lavar louça!). Ouvir podcast durante um tempo foi como ouvir rádio antigamente, mas na verdade os podcasts estão substituindo a TV. Eu me informo com os podcasts, as vezes, mais do que com a internet. Em um mundo no qual o History Channel fala de alienígenas do passado e o Discovery de caçadores de relíquias, são nos podcasts que ouço sobre história, ciência, política, filosofia, teologia, quadrinhos e cultura pop/nerd.

Os podcasts ocuparam um espaço que a TV abandonou ou nunca ocupou, além que como estão sempre, ou quase sempre, disponíveis em algum site na internet, permitem-nos a compartilhar opiniões com os criadores do programa e outros ouvintes.

A internet é sempre acusada de ter dado voz aos ignorantes e ter tornado-se um ambiente de selvageria e desrespeito, eu entendo quem defende esse ponto de vista, agora, vocês estão errando.

Não é porque há uma briga no Facebook que eu devo entrar nela. Por que deveríamos entrar em guerra de convertidos?

Sabe o que falta para essas pessoas? Louças para lavar.

Devo dizer que lavar louça, que não são louças na maioria, é uma atividade como meditação, onde os mantras são os podcasts e que quando não lavo, sinto falta desse meu tempo introspectivo, mas olhem, ainda vou comprar uma lava louça…