Pulso: um guia prático para curtir os festivais

O publicitário barbudão Franklin Costa fez da paixão pelos grandes eventos seu trampo e agora lança um anuário dos melhores festivais pelo mundo

Na edição deste ano do Coachella, na Califórnia

O lance começou lá no começo dos anos 2000, quando o publicitário Franklin Costa viu pela TV uma transmissão do Sónar, festival de música e arte que acontece todo ano em Barcelona, na Espanha. A identificação foi praticamente imediata, mas foi só em 2007 que ele conseguiu se organizar pra curtir o festival in loco com Carol, sua sócia e mulher.

De lá pra cá, os dois vêm marcando presença nos principais eventos ao redor do mundo. A empolgação virou coisa séria quando decidiram elaborar um guia anual para quem, assim como eles, sempre pautam suas férias em torno de um Roskilde (Dinamarca), um Coachella (Califórnia) ou até um Burning Man (Nevada).

O primeiro Guia Pulso foi lançando no ano passado e incluía apenas o circuito da América Latina ("a gente queria mostrar que tem muita coisa boa rolando por aqui, queríamos quebrar a ideia de que festival bom só rola na Europa ou nos EUA").

A segunda edição, que já está disponível para download desde a semana passada, agora inclui festivais europeus e americanos, totalizando 76 eventos. Engana-se quem pensa, porém, que vai encontrar no anuário o line-up ou apenas informações restritas à música. A ideia, diz Franklin, é discutir a cultura dos festivais, promovendo esses eventos para além da música e abordando questões como moda, identidade, comunidade, pertencimento…

"A gente acredita que os festivais refletem o espírito de uma época. Desde Woodstock e a contracultura, no final da década de 1960, até o Rock in Rio de 1985, com todas as questões políticas acontecendo no Brasil… Nos festivais vemos claramente a lógica de quais movimentos definem o nosso tempo.”
Com a sócia e mulher, Carol, na edição deste ano do SxSW, em Austin, no Texas

Sendo assim, os eventos aparecem separados em categorias, como políticos (a exemplo do Afropunk, que não tem marcas nem patrocinadores, apenas frases de ordem e de política compondo os palcos), os educativos (o SxSW, em Austin, é um exemplo), os tecno-futuristas, os transcendentais e espirituais (como o próprio Burning Man) e também os "Instagrammers" ("conceito que define os nossos tempos"), a exemplo do Coachella, que não entrou para a seleção final, mas sem sombra de dúvidas atualmente é o festival com maior apelo fashionista no momento.

No colorido fashionista do Coachella, na Califórnia

As ideias para o guia do próximo ano são ambiciosas: Franklin quer incluir um rolê pela Oceania ou, quem sabe?, pelo continente africano.

Pensando nisso, os dois já botaram de pé um novo projeto: o "Um Ano sem Casa".

No Carnaval, eles deixaram o apê, empacotaram as coisas, guardaram o necessário num depósito, venderam outro tanto e doaram o resto.

No maior espírito desapegado, rodaram 2 meses pelos EUA, onde foram nos festivais SxSW, Coachella, Ultra Music (Miami). Agora, já estão em Lisboa, por onde vão passar mais 3 meses — desta base, pretendem rodar pelo Roskilde (festival dinamarquês), pelo Nuits Sonores (em Lyon, na França), depois Sónar e, por fim, quem sabe, pelo Dekmantel, em Amsterdã.

"Nosso objetivo é ganhar novo repertório pro nosso projeto coletivo, que é feito por e para apaixonados por festivais", complementa.

No Ultra Music, em Miami