AS DORES QUE EU AMEI

A VIDA É CHEIA DE HISTÓRIAS


Depois de um tempo debaixo do chicote, você aprende que se esforçar não é o melhor caminho.

Não importa o quanto você goste “daquilo ou daquela”, quando você percebe o esforço, percebe também a rotina, os problemas e os erros cometidos. Entende que se tivesse evitado alguns deles, você pouparia as horas que gasta hoje, pensando na solução de um caos que você mesmo ajudou a estabelecer. Mas o que fazer? Você tem amor pelo que tem (?), e se esforçar parece justo, certo?

Claro! Faz todo sentido, eu amo, eu tenho, eu quero e vou me esforçar pra manter assim o quanto eu puder.

Apego! Tão escrachado, que basta você se lembrar do natural, pra sentir o peso do esforço. A vida é um baile de máscaras, e todos nós temos nossos repertórios. Desperdiçamos anos até aprender que, amor e apego são caminhos paralelos, muito próximos, mas muito diferentes. O amor é a nossa maior sensação de liberdade, é um não à necessidade de ser ou pertencer. O apego queria ser amor, mas não consegue te deixar livre.


O CERNE DA MINHA DOR

A LUTA CERTA, PELO MOTIVO ERRADO


Eu amei cada um dos meus desperdícios. Me agarrava, com unhas e dentes, à qualquer possibilidade que estendesse minha dor. Por vezes deduzi que, enquanto sofro, me importo e enquanto me importo, amo. Talvez seja esse o cerne da minha dor. A luta certa, pelo motivo errado. Dias pensando que eu brigava pelo natural, quando, sem perceber, estava me esforçando pra ser, estar ou viver o que fosse necessário pra manter por perto o meu amor. E não generalize aqui, pois, de um tudo se ama hoje em dia, e não apenas as pessoas. A sociedade que te criou, criou também o direito de chamar de seu, quase tudo ao seu alcance. Mas o problema é que nesta mesma sociedade (quebrada, na minha opinião), o quase tudo, quase sempre, é alguém. E se você olhar pra trás, vai perceber tudo e todos que passaram pela sua vida e notar que, aquela sensação de pertencimento, desapareceu. Quantas pessoas permanceram? O seu hoje, valeu o custe o que custar do seu ontem?

“Quanta história longa, seria história curta, se eu pudesse voltar atrás com os olhos e ouvidos que tenho hoje!” – Desabafo –


A VIDA É CHEIA
DE HISTÓRIAS


Viver é melhor do que sonhar, ja dizia Elis Regina. E por muitas vezes eu vivi coisas que eu não precisava, ouvi o que não devia e falei o que não gosto nem de pensar. As consequências foram tristes e, diferente do que todo mundo pensa, não contribuíram em nada pro meu crescimento. O que me fez crescer, foi a minha necessidade de processar e entender os meu erros e acertos. Sempre cobrei muito de mim emocionalmente. Cada abismo pelo qual passei, bati no fundo de cabeça, me desmontei por completo. Peça por peça, fica mais fácil de se analisar um problema.


Introspeção. Palavra doce na boca de Nelson Mandela. Foi ele quem “me disse” que, é mais fácil olhar pra dentro quando não sabemos pra onde olhar. As dores que eu causei, me lançaram em sofrimentos muito mais profundos do que as dores que vivi. Hoje, consciente de tudo o que fiz, diferente daquela época, meu maior arrependimento é não ter despertado antes, interesse pela dúvida. Não vou ser altruísta ao ponto de dizer que mereci tudo o que passei. De todas as histórias, uma em particular, eu nunca vou aceitar que fiz por merecer. Mas até dessa eu sai ileso, digo, quebrado, mas capaz de seguir em frente. E foi o que fiz, os anos seguintes foram a busca e forja do homem que me tornei.

Em quase tudo que vivi, encontrei razão, mas tudo o que me tornei, eu devo às dores que eu amei.

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