Auto aceitação e Orgulho de Ser

Descrição do processo de auto aceitação da própria sexualidade

Finalmente a liberdade

Hoje, com uma certeza massiva, posso finalmente dizer que eu sou gay, não dizer para o mundo, mas para mim, e me sentir bem com isso, não me sentir em conflito comigo mesmo, mas nem sempre foi assim, descreverei o meu caminho pessoal da auto descoberta, das dificuldades, dos medos, dos sucessos, acho importante descrever aqui, pois pode haver histórias similares.

Para tentar te colocar na minha pele, querido leitor, descreverei o ambiente em que eu vive, a cultura e a moral que cresci e fui submetido, fui criado e convivo com uma família protestante e muito religiosa, desde pequeno foi mandado pra igreja, contra o meu querer e minha decisão, mas fui mandado, pois meus pais acreditam que os filhos devem ir para a igreja desde cedo, pois creem nessa passagem : ‘’instrua o mancebo no caminho certo e ele jamais se desviará dele’’, e nesse ambiente fui criado, o código moral a ser seguido de forma rigorosa era a moral da bíblia, acho que já deu para o situar na minha condição familiar.

Então, desde criança eu fui diferente , eu já me sentia atraído por garotos, até o final da pré adolescência tive minha aventuras,sem sequer me sentir culpado.

Até que no começo da adolescência os anos de martelada na igreja me fizeram sentir uma culpa e um peso imenso na consciência, por tudo aquilo que eu tinha feito, e pelos meus desejos, então eu comecei a me negar, a entrar em conflito comigo mesmo, eu passei a sentir raiva, nojo de mim mesmo e das pessoas que era iguais a mim.

Eu passei a sentir uma culpa imensa, pois cresci ouvindo de pais, pastores que isso tudo era uma aberração, eram coisas do demônio, da minha adolescência até o final dela, eu vivi um conflito interno muito grande, tentei sair com garotas, fiz o que todo bom cristão deve fazer, me ajoelhava e orava para deus me fazer normal, para tirar isso de mim, passei oito anos da minha vida divido e deprimido. Deprimido por que eu não me aceitava, a cada pensamento que eu tinha sobre minhas atrações eu fazia uma sessão de auto punição, evitar estes pensamentos, me punir e me machucar foram as formas que eu encontrei para ter uma paz e um sossego ilusório.

Quando eu vi que minhas auto flagelações, minhas orações de nada estavam adiantando, eu comecei a pensar que a morte seria uma solução final para o conflito que eu vinha vivendo. Nesse período eu perdi um ano inteiro de faculdade por causa da depressão, minha relação com as pessoas era superficial, eu me sentia meramente uma casca andante, eu me sentia morto.

Até que eu no meio deste tormento todo, eu vi que ou eu fazia as pazes comigo mesmo e me aceitava , ou eu iria muito em breve acabar com a minha própria vida, e então eu procurei me aceitar, parei de me condenar, não foi da noite para o dia o processo, eu li, eu procurei entrar em contato com pessoas que tiveram histórias semelhantes, e fui aprendendo que eu não estava errado, neste período, resolvi contar a um amigo sobre mim, o que foi muito importante, pois não fui julgado, me senti compreendido, acolhido, até que em plena paz comigo mesmo, unificado, eu pude me olhar e dizer: Sou gay, sem me culpar, sem me auto-flagelar.

Me sinto hoje, livre, livre da pior prisão que eu vivi, a minha própria prisão, à aqueles que estejam trilhando caminho parecido, digo, antes de tudo, se aceitem, façam as pazes consigo mesmo, quebrem as paredes da própria prisão, por que não há nada de errado com você, você deve antes se aceitar, não adianta o mundo te aceitar se a única aceitação que realmente importa você não tem, ou seja, a sua.