Chegar em casa.

Os dias não são fáceis, mas a recompensa é sempre gratificante.

Não sei se há algo mais prazeroso do que se sentir em casa. Se sentir em casa é sentir a liberdade, se sentir livre para agir, pensar e falar. É não ser julgado.

Estar em casa é estar consigo mesmo. Se encontrar. Estar bem e de bem.

Da mesma forma, sair de casa é deixar para trás a liberdade, é vestir-se em uma nova pele, do trabalhador, do doente, do estudante e etc.

O corpo sai, a essência fica.

O dono do lar nunca sai, quem sai vestido em outra pele, talvez infeliz, apreensivo é outrem que não aquele que se alegra em estar bem, em casa.

Quando saímos para rua mudamos o foco e intensidade, não é só a pele, mas também os sentidos, nos induzimos ao stress para podermos viver o dia dos outros, das regras, condutas, preceitos, pré conceitos; diferenças. Temos que estar atento a tudo e todos. Indicadores e métricas sociais de uma sociedade sem rumo. Perdemos a liberdade “conosco”, nos afastamos de nós mesmos e nos encontramos trancafiados em paradigmas e incertezas internas. Assim se faz o trabalho, a lida o labor do dia e do ser.

Viver os outros desgasta não só a imagem vendida e velada em papel reciclado. Não trata se somente da personalidade entregue, mas sim da falsidade na persona, do sorriso amarelo e do controle no vocábulo, afinal, não trata se do Eu, mas dos outros. O tempo todo que não em casa.

No decorrer do dia a vida passa, a roupa suja, a mente se esvai com o ânimo diluído em dióxido de carbono. Nos derretemos para nós mesmo. No fim só nos resta a lembrança do Eu verdadeiro, o desejo do lar, da liberdade, da alegria, do reencontro.

Assim, desejamos no fim do dia o que não tivemos durante todo o dia, e que fomos obrigados a deixar para trás. Soldados de farda única, distinta, e no fim do dia extinta.

O que era dado, foi usurpado e passa a ser desejado.

Como é bom desejar. Desejo é meta. Meta é objetivo, conquista, euforia. Desejo ir para casa. Me encontrar. Me libertar. Mergulhar em mim mesmo.

Reencontro.

Dessa forma, ao chegar em casa destruido, ainda fardado na pele que não a minha, me reencontro ao abrir a porta de casa, e ao encontrar além de mim as pessoas que tanto amo sei que a recompensa é sempre mais gratificante, por isso, só por isso saio noutro dia.


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