

A aldeia global em “Paulistinha”, o funk de Cabeção e Dino Boyer
Estudioso das inovações tecnológicas, Marshall McLuhan é um dos principais teóricos da comunicação. Ele publica na década de 1960 o livro Os Meios de Comunicação Como Extensão do Homem. Entre suas teses, procura entender como os meios de comunicação influencia nas formas de organização humana.
O autor argumenta que a invenção da imprensa de Gutemberg, ao permitir a possibilidade da leitura individual e privada, destribalizou as relações sociais. No entanto, ao analisar o surgimento da televisão, McLuhan percebeu que muitas pessoas estariam interligadas assistindo ao mesmo programa ao mesmo tempo, assim criando uma forma de retribalização, chamada pelo autor de Aldeia Global. Em suas palavras, “a nova interdependência eletrônica recria o mundo em uma imagem de aldeia global.”
Décadas depois, a teoria de McLuhan só ficou ainda mais atual e relevante. Basta olhar para a internet para perceber como a interação globalizada através dos meios de comunicação é naturalizada e parte fundamental de nosso cotidiano. Há uma profunda interligação entre todos os cantos do mundo, diluindo as froteiras do espaço e tempo. Basicamente, é o famigerado processo de globalização.
A dupla de pop funk Cabeção e Dino Boyer faz uma releitura desse conceito em “A Paulistinha”, seu segundo single.
A canção fala sobre a paixão de um carioca por uma paulista, quebrando assim a rivalidade histórica — das escolas de samba, biscoito vs. bolacha, times de futebol — entre Rio de Janeiro e São Paulo. Ele se imagina conhecendo a cidade e até mesmo indo morar em SP:
“Tô vendo a gente passeando, conhecendo São Paulo, me apresentando como seu namorado
Ou num domingo ensolarado os dois em Copacabana, o amor fazendo a união Rio e Sampa.
Se a paulistinha me convida irmão pra dar um role, eu largo tudo, vou com ela é já é.
E o final dessa história eu já to imaginando, um carioca lá em Sampa morando.
Não tem rivalidade, quando o assunto é o amor
E em qualquer cidade, podemos ser feliz com quem for”
Portanto, Cabeção e Dino Boyer recriam o conceito de aldeia global, que une Rio e São Paulo, tendo como elemento de ligação não a tecnologia, mas sim o romance. É uma apropriação de um conceito para realocá-lo dentro do ambiente do gênero do pop funk, que é “até um pouco ingênuo”, como disse Cabeção na matéria da Ilustrada, da Folha de São Paulo.
A dupla planeja um clipe para a música e está à procura de gravadora para lançar seu primeiro CD. As palavras de cabeção sobre suas composições geram expectativas altas: “tenho algumas poesias que não são muito comerciais, digamos assim.”
O texto da Ilustrada (e, obviamente, essa análise da Som e Fúria também) é promissora. Basta lembrar que a carreira de Mallu Magalhães deslanchou ao ser matéria por lá, indo da “jovem cantora de vídeos do Youtube” à “revelação da música brasileira” em instantes. É uma esperança para a tortuosa vida e carreira de Cabeção e sua triste balada, conforme detalhado previamente pelo Buzzfeed. O caminho é longo e difícil e o público parece não estar muito simpático ao seu projeto funkeiro (comentários extraídos dessa matéria do Ego). Mas a conclusão de tudo ainda está por vir.


Esperamos ansiosamente pelo desfecho dessa história.