Em São Paulo

2001


Um banho de poça de esgoto fétido
me refiro ao cinza escuro das veias
ao dégradé das sombras e da areia
(tão rara quanto gravidez sem feto).

O olhar sem olhar dos olhos na feia
e crua arquitetura sem arquitetos
inspiram pesares, dos indiscretos
Lá ouço sirenes, que gritam, rodeiam.

Me incomoda o vermelho dos que vão
neste vai não vai, no breca não breca
no ronco insalubre deste vagão.

Então me esquecerei numa soneca
dos pesares daqui, do cidadão.
Suando na cidade que não sossega.

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