Projeto Vista

Por conta das tensões de uma possível Terceira Guerra Mundial a caminho e a população humana já passando de 10 bilhões, a humanidade precisava de uma resposta a degradação socioambiental que no planeta fizera. A primeira foi o investimento pesado em reciclagem de industrializados, depois a criação de leis mais severas em relação a proteção do meio ambiente, mas mesmo assim o impacto dessas políticas se tornou quase ínfima perante a quantidade de pessoas na Terra (e também por conta de alguns grupos políticos contra essas leis).

Foi assim que a Fundação Internacional de Expansão Espacial (F.I.E.E.), fundada pelo Doutor Jorge, começou a Grande Imigração. Lançou primeiramente o Porto Orbital, uma enorme estação espacial que servia de base para a construção de naves e das estações espaciais menores, que viriam a ser as 7-Flores. Sete megacidades flutuantes no vazio intergalático entre a Terra e Marte. O desabrochar da nova era da humanidade: A Era Espacial.

Marte

Ano 67 da Era Espacial (E.E.)

Próximo a Calota Polar Norte

A Cidadela

A mulher estaciona o seu 4x4 solar, abre o pequeno compartimento embaixo do porta-luvas que lhe dá acesso ao sistema de refrigeração do motor, e retira uma garrafa da cerveja que ela mesma produziu a partir das primeiras amostras de trigo, cevada e lúpulo cem por cento marcianos. Ainda não estava boa de acordo com a descrição de sabor que ouviu de seus pais sobre cerveja, mas acreditava que logo poderia apresentar seus resultados para o Conselho, e quem sabe começar a vender sua cerveja em Marte e na Terra.

Toma um gole enquanto observa o nascer do sol e a paisagem a sua frente.

-Ser a criadora da primeira cerveja marciana não soa nada mal — falou para si mesma, feliz.

Calis Enster vai para a parte de trás do veículo onde veste seu exotraje e antes de partir para seus afazeres e fica a olhar novamente a paisagem pela janela do veículo. Marte é formado por um terreno acidentado, grandes quantidades de areia, assim como óxido de ferro e outros obstáculos ambientais, o que fez com que o trabalho da terraformação de Marte, conhecido como Sapien-Martis entre colonos, fosse extenso e árduo.

O planeta vermelho por ser menor, acabou esfriando mais rápido que a Terra, o que fez com que seu núcleo se tornasse sólido, consequentemente tendo o seu campo magnético quase gerado, esse mesmo não podendo mais proteger o planeta de ventos solares, os quais cuidaram então de varrer a atmosfera restante, essa agora que se encontra extremamente rarefeita.

Mas o ser humano é um animal adaptável.

Os primeiros colonos de Marte criaram a Cidadela, uma pequena rede parcialmente subterrânea de tuneis e estufas que funcionam como salas, laboratórios, escolas, teatros. O comércio da cidade ainda é em sua maioria estatal e de produtos da Terra, mas agora já havia alguns comércios privados, de pessoas que vieram para Marte atrás de oportunidades. A Cidadela começava a ter ares de uma pequena cidade do interior.

Mas cidades do interior também possuem verde, e por ser tratar de um projeto mais de ida do que ida e volta, a Cidadela logo no começo precisou de uma forma de ser parcialmente sustentável, já que o envio de alimentos e outros produtos não seria algo constante, mas periódico ( e que por exemplo, agora estava atrasado a alguns meses já), e é para isso foram feitos as Cascatas. Com as escavações para construção das locações para a futura cidade, a terra que era retirada era então processada e utilizada na construção de paredes e colunas em série, de pelo menos seis metros de altura, que serviam como prateleiras de mini fazendas, para alguns tipos de tubérculos, frutos, arbustos e ervas

A água para isso tudo vem de duas formas. A primeira são dutos ligados à Central de Captação e Tratamento de Água (CCTA), que fica no limite da calota polar com o a Cidadela. A outra forma você pode encontrar acima da superfície e dentro das mini fazendas.

São pequenos “totens” que estão constantemente bem umidificados, o que resulta na geração de gelo a noite, o mesmo então com os primeiros raios de sol derretendo e caindo em fossos de coleta e armazenamento de água, assim gerando umidade no solo da Cascatas. A ainda a constante filtragem de toda a água já usada, o que ajuda na manutenção do sistema e não causa sobrecarga no mesmo.

Enquanto pensava na Cidadela, suas mecânicas e belezas, terminou de vestir o seu traje e entrou em contato com a Central de Comunicação.

-Bom dia Central. Biotecnóloga, ID-41/grb1, pedindo confirmação dos sinais do sistema operacional do exotraje.

-Bom dia Doutora Enster. — respondeu o operador de comunicação — Sinais S.O.E. retornando positivo aqui na Central. Pode prosseguir com checagem do Oásis no Quadrante 14.

-Confirmado Central. Doutora Enster em andamento.

Calis verifica mais uma vez os níveis de oxigênio e sai a caminho para fazer suas tarefas no quadrante. Por questões de segurança, os Oásis são instalados em locais de difícil acesso. A exemplo, o acesso a este é somente a pé, que se encontra no topo de um morro bem íngreme, o que dificulta a subida, mesmo com um 4x4.

O caminho até o Oásis se dividia, tendo a sua direita um corredor de rocha quase sem nenhuma cobertura, expondo a doutora constantemente ao sol, e a esquerda uma subida íngreme com bastante areia e rochas, mas que logo tinha acesso ao um corredor dentro da rocha. Na última vez que veio checar a estufa, tinha escolhido o caminho a direita, o que fez ela lembrar do cansaço que foi aquela vez.

-Central, alguma anomalia climática interna ou externa?

-Negativo para tufões. Existe uma tempestade de areia se formando, mas não há indícios de passar pelo seu quadrante. Negativo para tempestades solares. Doutora, não esqueça que hoje finalmente chega da Terra o novo carregamento (assim espero, pensou o operador), então por favor não se atrase.

De olho no marcador do Oásis no seu visor, Calis começa sua caminhada até o Oásis, pegando o caminho a esquerda e adentrando a rocha que se abria a sua frente. Era o caminho menos cansativo até o Oásis 14.

Enquanto caminhava, se deparando com alguns buracos aqui e ali, lembrava da sua infância.

Lembrava de quando corria brincando de pique-esconde com as outras crianças da colônia, por entre as plantações e construções da Cidadela. Assim como os muitos outros colonos, seus país também haviam imigrado da Terra para as recém construídas Flores. Mas quando houve o convite aberto a população das Flores, com a promessa de terras e emprego garantido para as futuras gerações, ambos decidiram migrar para Marte, e acabaram se conhecendo na nave que os levaria até lá. Afinal, era uma apostada arriscada, já que não havia nada em Marte a não ser os primeiros colonos e a fundações da Cidadela, hoje mais viva.

Um dos maiores problemas que veio com a superpopulação foi o processo de desertificação que se espalhou na Terra. E por mais que criassem plantas mais resistentes aos perigos humanos, ainda assim havia em cada vez mais parcelas do mundo, diminuição no abastecimento de alimentos e água para a população. Se conseguissem recriar um ambiente estável em Marte, logo então poderiam recriar o processo nas colônias e também na Terra. Parecia meio loucura, mas poderia dar certo. O planeta já estava morto, logo todo e qualquer impacto ambiental em Marte, devido aos experimentos de plantas e animais, seria algo positivo para o Planeta, ao invés de um risco para o resto dos biomas terrestres.

Seu pai, formado em biotecnologia, trabalhou sob a tutela do própria Doutor Jorge, e ajudou a criar o que viria a ser conhecido como mapa-fungal. Sua mãe, formada em programação, foi uma das pessoas mais conceituadas no projeto de criação dos I.A.M.`s, tendo como função principal criar as camadas de humanidade do primeiro I.A.M, as quais foram replicadas nos I.A.M.`s que hoje habitam os Oásis.

Calis para em frente ao Oásis, uma estrutura esférica com o domo superior semitransparente, esse exposto para fora do monte, e a parte inferior aterrado no mesmo. Parara em frente ao leitor da enorme porta de aço avermelhado que protege a entrada do Oásis, e então conecta seu USB de segurança no centro dela.

-Bem-vinda Doutora Enster. Como vai? -diz uma voz eletrônica, que vinha do alto-falante localizado na parede ao lado direito da porta.

-Olá I.A.M.-14. Um pouco cansada, mas alegre. — respondeu Calis.

-Por quê? É do meu entendimento que seres humanos se sentem felizes mesmo que cansados, quando possuem uma companhia para fins sexuais, ou finalmente conseguiram realizar um sonho/desejo. Qual dos dois?

As vezes a doutora se esquecia de como as I.A.M.`s não eram humanos controlando os Oásis. Uma inteligência artificial de monitoramento (I.A.M.), era simplesmente um aglomerado (mas este então muito bem estruturado, graças a sua mãe), de linhas de código que abordavam desde de como a inteligência artificial deveria responder aos comandos dos vários cientistas, assim como linhas de código sobre como elas deveriam entender sobre ralações humanas, mesmo que superficialmente dependendo do assunto. Enquanto pensava nisso, teve um pequeno vislumbre de sua mãe passando noites em claro, escrevendo as linhas de código de humanidade.

-Não, não é nada disso. — disse com um sorriso no rosto — Consegue guardar um segredo?

-Sabe que se for uma informação perigosa para a sobrevivência do projeto, não posso fazê-lo. Minhas…

-Ativar sistema de entidade separada. — disse Calis, calmamente.

-Sistema ativado. Olá doutora. Qual é a informação que deseja guardar? — disse o I.A.M. com um tom mais frio na voz.

-Estou feliz que consegui pela primeira vez criar algo próximo a cerveja por mais que tenha um gosto bem mais amargo do que meus pais haviam descrito para mim, mas nas próximas iterações acho que consigo chegar a uma fórmula mais estável. Fico só imaginando a cara daqueles anciões do Conselho quando lhes apresentar o primeiro produto produzido em Marte, com produção 100 por cento marciana, desde da plantação do trigo, cevada e lúpulo até o processamento dos mesmo a produção de cerveja. E com as vendas para as Flores e a Terra, a colônia vai ter mais dinheiro, e a colônia tendo mais dinheiro, eu vou ter mais dinheiro, logo vou poder ter meu próprio negócio. Encerrar gravação — disse Calis, com um sorriso largo de “orelha a orelha”.

-Áudio gravado, armazenado embaixo da camada 4 de firewall. — E assim a voz de I.A.M. voltou ao normal. — Então doutora, qual o segredo?

-Nenhum. — E riu um pouco mais consigo mesma, se sentido mais leve.

A grande porta de ferro se abre para os lados, e Calis entra na antecâmara.

-Doutora, por favor fique parada para limpeza.

Quatro jatos de vapor saíram dos cantos superiores da antecâmara, em alta pressão e direcionados a Calis, descontaminando o seu traje.

-Limpeza concluída. Pode prosseguir -disse I.A.M.

A segunda porta se abriu. Era sempre de tirar o fôlego ir a um Oásis mesmo que somente a trabalho. Por conta de sua função principal ser uma estufa para observação de como uma flora e micro-fauna se comportaria em Marte, a natureza ali estava disposta aleatoriamente. Em um Oásis era possível encontrar desde pequenas flores até arbustos, cactos e pequenas árvores, todas geneticamente modificadas para conseguirem sobreviver às intempéries do ambiente marciano. Para irrigar todas essas plantas, existe no centro da estufa uma piscina que tem uma máquina que bombeia água para o pequeno riacho, esse que então percorre toda a extensão do Oásis, terminando na piscina novamente.

Calis atravessa a ponte que conecta a entrada até pequena ilha no centro da piscina, entrando na porta que existe no pilar de sustentação da pirâmide, e descendo pela pequena escada reta a sua frente, adentrando ao cômodo de estudos do oásis, esse com dois laboratórios e os armários de servidores da inteligência artificial.

Passou a manhã todo ali, verificando amostras do Oásis, vendo os relatórios de polinização dos pequenos drones daquele ambiente. Verificou ainda amostras do solo e do mapa-fungal, assim como também os relatórios dos pequenos insetos, como besouros, minhocas e abelhas.

-Doutora Calis, estou recebendo alerta de tempestade da Central. — disse I.A.M. -14

Calis sabia muito bem que trabalhar em plena tempestade nunca era uma boa ideia. Arrumou rapidamente os laboratórios. Levou consigo algumas amostras para terminar de examiná-las na sua estufa na Cidadela, e na saída deu tchau para I.A.M., que lhe respondeu avisando sobre a proximidade da tempestade.

-O oásis ficara bem, mas para você é arriscado.

-Faz tempo que não aposto corrida com uma tempestade de areia. Vai ser divertido — disse Calis escondendo o medo que sentia em ficar presa na tempestade e não conseguir chegar a tempo na base. Estava previsto para aquela tarde, finalmente depois de quase 2 anos, a chegada de uma nova carga para suporte do projeto, como novos pacotes dos materiais que já utilizavam, a vinda dos primeiros dispositivos de climatização atmosférica. Um salto no projeto de terraformação, assim como outros mantimentos necessários.

Esperou para a porta fechar. Olhou o horizonte ao seu redor para encontrar a tempestade. A oeste de onde estava, vinha rapidamente uma parede enorme de areia. Correu então pelo terreno a sua frente, se deparando com o caminho íngreme de mais cedo. Para descer mais rápido, ligou os jatos de propulsão do traje, que lhe davam um controle melhor na descida, correndo menos risco de tropeçar.

Mas mesmo assim, ao finalmente chegar no nível do carro, tropeçou, batendo a cabeça. Procurou levantar bem rápido e verificar a integridade do seu aparato. Felizmente, a batida só arranhou de leve o vidro. Correu pra dentro do veículo, verificando os níveis da bateria solar. Era o suficiente para quase chegar no hangar de entrada dos Jardins.

Teria que ser o suficiente, pensou.

Ligou o 4x4, e acelerou.

-Central, na escuta?

-Doutora Enster, já está no caminho? Quanto tempo até o portão? — perguntou o operador de comunicação.

-Estou a pouco mais de 30 minutos.

-A senhora vai ser pega pela tempes-

Calis desligou o comunicador. Não gostava de pessoas agourando suas possibilidades. Depois de 5 minutos, o painel de controle do veículo acendeu a luz do resfriamento do motor. Era de dia em Marte, e esqueceu de verificar o sistema de resfriamento antes de sair do Oásis. Com toda certeza iria fritar o motor, mas agora era tarde demais. Se parasse para trocar o cilindro do gel de resfriamento, com certeza ficaria presa na tempestade. A única saída seria ligar o turbo do veículo, mas sem o sistema de resfriamento seria como um cometa entrando no hangar. Não teve outra saída.

-Central, pedindo permissão para ligar turbo do 4x4.

-…

-Central, se eu não ligar, vou ficar presa na tempestade. Estou agora a menos de 25 minutos dos Jardins, mas temo que-

-…Permissão concedida. A rede de pesca no hangar já está sendo expandida.

A doutora ligou o turbo do 4x4, e acelerou mais ainda, e poucos minutos depois, a tempestade estava em seu encalço, com seus ventos fortes e sua enorme parede areia e pedras. Belo e caótico, pensou Calis.

Mais uma golfada de vento veio, de novo empurrando o veículo para fora da rota e agora fazendo Calis perder por apenas um momento as mãos do volante, e esbarrando elas na tela de áudio do veículo.

Começou a tocar uma das suas bandas prediletas, Vermillion Bar, que tocavam uma mistura de rock e jazz experimental, se utilizando de instrumentos modificados com partes de ferramentas quebradas. Ao som da música Deimos Rising, com sua melodia formada por uma guitarra pesada, um baixo focado em graves e uma bateria de fundo tocando um jazz experimental, a doutora pegou novamente no volante, lutando contra o vento e a poeira como se fossem uma besta sem controle lhe perseguindo enquanto o GPS traçava uma nova rota até o Hangar.

Agora a menos de 15 minutos do Hangar, mas não conseguia velo. Só conseguia ver os marcadores de trajeto na no vidro do veículo, mas sem visão alguma do objetivo em si. Começou a sentir perda de aceleração, temendo que ou a bateria estivesse arriando com níveis baixos de resfriamento, ou pior, que tenha acontecido algum estrago ao motor do veículo, por intermédio de alguma pedrinha ou até mesmo pedregulho. Ligou uma nova célula de turbo, e acelerou mais uma vez. E mais uma vez, lá estava a besta da tempestade em seu encalço.

A quase 5 minutos do Hangar, começou a ter um vislumbre dele, e logo atrás, a Cidadela e suas torres eólicas.

-Dra.Enster, já te avistamos. A porta já está sendo aberta. Rede de pesca esticada e pronta para receber impacto. Qual a sua situação?

Calis nem precisou responder. Entrou com o motor fumegante quase pegando fogo, fazendo um cavalo de pau para evitar de danificar a rede de pesca mais do que iria. Quase capotou. Fecharam o hangar logo após sua entrada.

Depois de paramédicos verificarem a doutora, e os mecânicos atestarem as condições do veículo, ela foi chamada para uma sala, onde o chefe do Hangar chamou a sua atenção, e foi obrigada a assistir um vídeo sobre segurança.

Já era depois da hora do café da tarde, quando a doutora finalmente foi liberada. Passou na cafeteria próxima a seu quarto, onde pegou algumas barras de cereal, uma sopa e foi para os seus aposentos. Tomou a sopa, e comeu duas das três barras de cereal que pegou. Ligou o computador pessoal e adentrou os dados que obteve no Oásis. Resolveu dormir um pouco antes da chegada dos novos equipamentos.

Quando acordou, era quase hora do carregamento chegar a zona de aterrissagem que era há alguns quilômetros dali. Como quase todos, Calis foi até a cúpula central, que estava cheia, até onde era permitido, e quem não conseguia lugar ali dentro, ia pra outras localidades. Todos apreensivos, o que fez a pessoas respirarem um pouco mais rápido do que de costume e que aumentou um pouco o consumo de oxigênio. Mas era por uma boa causa.

-Conselheira chefe, se quiser fazer a contagem comigo — falou por meio de rádio, o piloto da espaçonave.

-10, 09, 08, … disse a Conselheira Helma.

E conforme a contagem regressiva era feita, os anseios davam lugar a felicidade das pessoas presentes. A pouco mais de 5 anos que fora o último envio de qualquer carga para auxílio do projeto de terraformação.

-… 03, 02, 01. Adentrando atmosfera! — e foi junto com a chegada da nave na atmosfera, que os anseios dos presentes na praça deram lugar a felicidade e comoção. Dias melhores estavam por vir.

Dias que se tornariam meses, e meses que se tornariam anos. Anos que se tornariam a era de ouro de Marte. Após alguns meses de terem recebido o carregamento, que até o momento da entrega estava atrasado, Marte declarou total independência da Terra.

Epílogo

Após meses de tensão de uma possível primeira guerra interplanetária, ambos os planetas fecharam acordos socioeconômicos.

GraçPor conta das tensões de uma possível Terceira Guerra Mundial a caminho e a população humana já passando de 10 bilhões, a humanidade precisava de uma resposta a degradação socioambiental que no planeta fizera. A primeira foi o investimento pesado em reciclagem de industrializados, depois a criação de leis mais severas em relação a proteção do meio ambiente, mas mesmo assim o impacto dessas políticas se tornou quase ínfima perante a quantidade de pessoas na Terra (e também por conta de alguns grupos políticos contra essas leis).

Foi assim que a Fundação Internacional de Expansão Espacial (F.I.E.E.), fundada pelo Doutor Jorge, começou a Grande Imigração. Lançou primeiramente o Porto Orbital, uma enorme estação espacial que servia de base para a construção de naves e das estações espaciais menores, que viriam a ser as 7-Flores. Sete megacidades flutuantes no vazio intergaláctico entre a Terra e Marte. O desabrochar da nova era da humanidade: A Era Espacial.

Marte

Ano 67 da Era Espacial (E.E.)

Próximo a Calota Polar Norte

A mulher estaciona o seu 4x4 solar, abre o pequeno compartimento embaixo do porta-luvas que lhe dá acesso ao sistema de refrigeração do motor, e retira uma garrafa da cerveja que ela mesma produziu a partir das primeiras amostras de trigo, cevada e lúpulo cem por cento marcianos. Ainda não estava boa de acordo com a descrição de sabor que ouviu de seus pais sobre cerveja, mas acreditava que logo poderia apresentar seus resultados para o Conselho, e quem sabe começar a vender sua cerveja em Marte e na Terra.

Toma um gole enquanto observa o nascer do sol e a paisagem a sua frente.

-Ser a criadora da primeira cerveja marciana não soa nada mal — falou para si mesma, feliz.

Calis Enster vai para a parte de trás do veículo onde veste seu exotraje e antes de partir para seus afazeres e fica a olhar novamente a paisagem pela janela do veículo. Marte é formado por um terreno acidentado, grandes quantidades de areia, assim como óxido de ferro e outros obstáculos ambientais, o que fez com que o trabalho da terraformação de Marte, conhecido como Sapien-Martis entre colonos, fosse extenso e árduo.

O planeta vermelho por ser menor, acabou esfriando mais rápido que a Terra, o que fez com que seu núcleo se tornasse sólido, consequentemente tendo o seu campo magnético quase gerado, esse mesmo não podendo mais proteger o planeta de ventos solares, os quais cuidaram então de varrer a atmosfera restante, essa agora que se encontra extremamente rarefeita.

Mas o ser humano é um animal adaptável.

Os primeiros colonos de Marte criaram a Cidadela, uma pequena rede parcialmente subterrânea de tuneis e estufas que funcionam como salas, laboratórios, escolas, teatros. O comércio da cidade ainda é em sua maioria estatal e de produtos da Terra, mas agora já havia alguns comércios privados, de pessoas que vieram para Marte atrás de oportunidades. A Cidadela começava a ter ares de uma pequena cidade do interior.

Mas cidades do interior também possuem verde, e por ser tratar de um projeto mais de ida do que ida e volta, a Cidadela logo no começo precisou de uma forma de ser parcialmente sustentável, já que o envio de alimentos e outros produtos não seria algo constante, mas periódico ( e que por exemplo, agora estava atrasado a alguns meses já), e é para isso foram feitos as Cascatas. Com as escavações para construção das locações para a futura cidade, a terra que era retirada era então processada e utilizada na construção de paredes e colunas em série, de pelo menos seis metros de altura, que serviam como prateleiras de mini fazendas, para alguns tipos de tubérculos, frutos, arbustos e ervas

A água para isso tudo vem de duas formas. A primeira são dutos ligados à Central de Captação e Tratamento de Água (CCTA), que fica no limite da calota polar com o a Cidadela. A outra forma você pode encontrar acima da superfície e dentro das mini fazendas.

São pequenos “totens” que estão constantemente bem umidificados, o que resulta na geração de gelo a noite, o mesmo então com os primeiros raios de sol derretendo e caindo em fossos de coleta e armazenamento de água, assim gerando umidade no solo da Cascatas. A ainda a constante filtragem de toda a água já usada, o que ajuda na manutenção do sistema e não causa sobrecarga no mesmo.

Enquanto pensava na Cidadela, suas mecânicas e belezas, terminou de vestir o seu traje e entrou em contato com a Central de Comunicação.

-Bom dia Central. Biotecnóloga, ID-41/grb1, pedindo confirmação dos sinais do sistema operacional do exotraje.

-Bom dia Doutora Enster. — respondeu o operador de comunicação — Sinais S.O.E. retornando positivo aqui na Central. Pode prosseguir com checagem do Oásis no Quadrante 14.

-Confirmado Central. Doutora Enster em andamento.

Calis verifica mais uma vez os níveis de oxigênio e sai a caminho para fazer suas tarefas no quadrante. Por questões de segurança, os Oásis são instalados em locais de difícil acesso. A exemplo, o acesso a este é somente a pé, que se encontra no topo de um morro bem íngreme, o que dificulta a subida, mesmo com um 4x4.

O caminho até o Oásis se dividia, tendo a sua direita um corredor de rocha quase sem nenhuma cobertura, expondo a doutora constantemente ao sol, e a esquerda uma subida íngreme com bastante areia e rochas, mas que logo tinha acesso ao um corredor dentro da rocha. Na última vez que veio checar a estufa, tinha escolhido o caminho a direita, o que fez ela lembrar do cansaço que foi aquela vez.

-Central, alguma anomalia climática interna ou externa?

-Negativo para tufões. Existe uma tempestade de areia se formando, mas não há indícios de passar pelo seu quadrante. Negativo para tempestades solares. Doutora, não esqueça que hoje finalmente chega da Terra o novo carregamento (assim espero, pensou o operador), então por favor não se atrase.

De olho no marcador do Oásis no seu visor, Calis começa sua caminhada até o Oásis, pegando o caminho a esquerda e adentrando a rocha que se abria a sua frente. Era o caminho menos cansativo até o Oásis 14.

Enquanto caminhava, se deparando com alguns buracos aqui e ali, lembrava da sua infância.

Lembrava de quando corria brincando de pique-esconde com as outras crianças da colônia, por entre as plantações e construções da Cidadela. Assim como os muitos outros colonos, seus país também haviam imigrado da Terra para as recém construídas Flores. Mas quando houve o convite aberto a população das Flores, com a promessa de terras e emprego garantido para as futuras gerações, ambos decidiram migrar para Marte, e então se conheceram na nave que os levaria até lá. Afinal, era uma apostada arriscada, já que não havia nada em Marte a não ser os primeiros colonos e a fundações da Cidadela, hoje mais viva.

Um dos maiores problemas que veio com a superpopulação foi o processo de desertificação que se espalhou na Terra. E por mais que criassem plantas mais resistentes aos perigos humanos, ainda assim havia em cada vez mais parcelas do mundo, diminuição no abastecimento de alimentos e água para a população. Se conseguissem recriar um ambiente estável em Marte, logo então poderiam recriar o processo nas colônias e também na Terra. Parecia meio loucura, mas poderia dar certo. O planeta já estava morto, logo todo e qualquer impacto ambiental em Marte, devido aos experimentos de plantas e animais, seria algo positivo para o Planeta, ao invés de um risco para o resto dos biomas terrestres.

Seu pai, formado em biotecnologia, trabalhou sob a tutela do própria Doutor Jorge, e ajudou a criar o que viria a ser conhecido como mapa-fungal. Sua mãe, formada em programação, foi uma das pessoas mais conceituadas no projeto de criação dos I.A.M.`s, tendo como função principal criar as camadas de humanidade do primeiro I.A.M, o qual foi usado como base para criação das réplicas que hoje habitam os Oásis.

Calis para em frente ao Oásis, uma estrutura esférica, com o domo superior semitransparente exposto para fora do monte e o inferior aterrado no mesmo. Parando em frente ao leitor da enorme porta de aço avermelhado que protege a entrada do Oásis, conecta seu USB de segurança no centro dela.

-Bem-vinda Doutora Enster. Como vai? -diz uma voz eletrônica, que vinha do alto-falante localizado na parede ao lado direito da porta.

-Olá I.A.M.-14. Um pouco cansada, mas alegre. — respondeu Calis.

-Por quê? É do meu entendimento que seres humanos se sentem felizes mesmo que cansados, quando possuem uma companhia para fins sexuais, ou finalmente conseguiram realizar um sonho/desejo. Qual dos dois?

As vezes a doutora se esquecia de como as I.A.M.`s não eram humanos controlando os Oásis. Uma inteligência artificial de monitoramento (I.A.M.), era simplesmente um aglomerado (mas este então muito bem estruturado, graças a sua mãe), de linhas de código que abordavam desde de como a inteligência artificial deveria responder aos comandos dos vários cientistas, assim como linhas de código sobre como elas deveriam entender sobre ralações humanas, mesmo que superficialmente dependendo do assunto. Enquanto pensava nisso, teve um pequeno vislumbre de sua mãe passando noites em claro, escrevendo as linhas de código de humanidade.

-Não, não é nada disso. — disse com um sorriso no rosto — Consegue guardar um segredo?

-Sabe que se for uma informação perigosa para a sobrevivência do projeto, não posso fazê-lo. Minhas…

-Ativar sistema de entidade separada. — disse Calis, calmamente.

-Sistema ativado. Olá doutora. Qual é a informação que deseja guardar? — disse o I.A.M. com um tom mais frio na voz.

-Estou feliz que consegui pela primeira vez criar algo próximo a cerveja por mais que tenha um gosto bem mais amargo do que meus pais haviam descrito para mim, mas nas próximas iterações acho que consigo chegar a uma fórmula mais estável. Fico só imaginando a cara daqueles anciões do Conselho quando lhes apresentar o primeiro produto produzido em Marte, com produção 100 por cento marciana, desde da plantação do trigo, cevada e lúpulo até o processamento dos mesmo a produção de cerveja. E com as vendas para as Flores e a Terra, a colônia vai ter mais dinheiro, e a colônia tendo mais dinheiro, eu vou ter mais dinheiro, logo vou poder ter meu próprio negócio. Encerrar gravação — disse Calis, com um sorriso largo de “orelha a orelha”.

-Áudio gravado, armazenado embaixo da camada 4 de firewall. — E assim a voz de I.A.M. voltou ao normal. — Então doutora, qual o segredo?

-Nenhum. — E riu um pouco mais consigo mesma, se sentido mais leve.

A grande porta de ferro se abre para os lados, e Calis entra na antecâmara.

-Doutora, por favor fique parada para limpeza.

Quatro jatos de vapor saíram dos cantos superiores da antecâmara, em alta pressão e direcionados a Calis, descontaminando o seu exotraje.

-Limpeza concluída. Pode prosseguir -disse I.A.M.

A segunda porta se abriu. Era sempre de tirar o folego ir a um Oásis mesmo que somente a trabalho. Por conta de sua função principal ser uma estufa para observação de como uma flora e microfauna se comportaria em Marte, a natureza ali estava disposta aleatoriamente. Em um Oásis era possível encontrar desde pequenas flores até arbustos, cactos e pequenas árvores, todas geneticamente modificadas para conseguirem sobreviver às intempéries do ambiente marciano. Para irrigar todas essas plantas, existe no centro da estufa uma piscina que tem uma máquina que bombeia água para o pequeno riacho, esse que então percorre toda a extensão do Oásis, terminando na piscina novamente.

Calis atravessa a ponte que conecta a entrada até pequena ilha no centro da piscina, entrando na porta que existe no pilar de sustentação da pirâmide, e descendo pela pequena escada reta a sua frente, adentrando ao cômodo de estudos do oásis, esse com dois laboratórios e os armários de servidores da inteligência artificial.

Passou a manhã todo ali, verificando amostras do Oásis, vendo os relatórios de polinização dos pequenos drones daquele ambiente. Verificou ainda amostras do solo e do mapa-fungal, assim como também os relatórios dos pequenos insetos, como besouros, minhocas e abelhas.

-Doutora Calis, estou recebendo alerta de tempestade da Central. — disse I.A.M. -14

Calis sabia muito bem que trabalhar em plena tempestade nunca era uma boa ideia. Arrumou rapidamente os laboratórios. Levou consigo algumas amostras para terminar de examiná-las na sua estufa na Cidadela, e na saída deu tchau para I.A.M., que lhe respondeu avisando sobre a proximidade da tempestade.

-O oásis ficara bem, mas para você é arriscado.

-Faz tempo que não aposto corrida com uma tempestade de areia. Vai ser divertido — disse Calis escondendo o medo que sentia em ficar presa na tempestade e não conseguir chegar a tempo na base. Estava previsto para aquela tarde, finalmente depois de quase 2 anos, a chegada de uma nova carga para suporte do projeto, como novos pacotes dos materiais que já utilizavam, a vinda dos primeiros dispositivos de climatização atmosférica. Um salto no projeto de terraformação, assim como outros mantimentos necessários.

Esperou para a porta fechar. Olhou o horizonte ao seu redor para encontrar a tempestade. A oeste de onde estava, vinha rapidamente uma parede enorme de areia. Correu então pelo terreno a sua frente, se deparando com o caminho íngreme de mais cedo. Para descer mais rápido, ligou os jatos de propulsão do traje, que lhe davam um controle melhor na descida, correndo menos risco de tropeçar.

Mas mesmo assim, ao finalmente chegar no nível do carro, tropeçou, batendo a cabeça. Procurou levantar bem rápido e verificar a integridade do seu aparato. Felizmente, a batida só arranhou de leve o vidro. Correu pra dentro do veículo, verificando os níveis da bateria solar. Era o suficiente para quase chegar no hangar de entrada dos Jardins.

Teria que ser o suficiente, pensou.

Ligou o 4x4, e acelerou.

-Central, na escuta?

-Doutora Enster, já está no caminho? Quanto tempo até o portão? — perguntou o operador de comunicação.

-Estou a pouco mais de 30 minutos.

-A senhora vai ser pega pela tempes-

Calis desligou o comunicador. Não gostava de pessoas agourando suas possibilidades. Depois de 5 minutos, o painel de controle do veículo acendeu a luz do resfriamento do motor. Era de dia em Marte, e esqueceu de verificar o sistema de resfriamento antes de sair do Oásis. Com toda certeza iria fritar o motor, mas agora era tarde demais. Se parasse para trocar o cilindro do gel de resfriamento, com certeza ficaria presa na tempestade. A única saída seria ligar o turbo do veículo, mas sem o sistema de resfriamento seria como um cometa entrando no hangar. Não teve outra saída.

-Central, pedindo permissão para ligar turbo do 4x4.

-…

-Central, se eu não ligar, vou ficar presa na tempestade. Estou agora a menos de 25 minutos dos Jardins, mas temo que-

-…Permissão concedida. A rede de pesca no hangar já está sendo expandida.

A doutora ligou o turbo do 4x4, e acelerou mais ainda, e poucos minutos depois, a tempestade estava em seu encalço, com seus ventos fortes e sua enorme parede areia e pedras. Belo e caótico, pensou Calis.

Foi então nessa beleza que a doutora foi engolfada pelo caos. Como a tempestade vinha a Oeste de sua posição, logo sentia a porrada dela no veículo, empurrando-o para fora da trajetória marcada no GPS, até o Hangar. Calis segurou firme no volante do 4x4, lutando contra os ventos fortes da tempestade.

Mais uma golfada de vento veio, de novo empurrando o veículo para fora da rota e agora fazendo Calis perder por apenas um momento as mãos do volante, e esbarrando elas na tela de áudio do veículo.

Começou a tocar uma das suas bandas prediletas, Vermillion Bar, que tocavam uma mistura de rock e jazz experimental, se utilizando de instrumentos modificados com partes de ferramentas quebradas. Ao som da música Deimos Rising, com sua melodia formada por uma guitarra pesada, um baixo focado em graves e uma bateria de fundo tocando um jazz experimental, a doutora pegou novamente no volante, lutando contra o vento e a poeira como se fossem uma besta sem controle lhe perseguindo enquanto o GPS traçava uma nova rota até o Hangar.

Agora a menos de 15 minutos do Hangar, mas não conseguia velo. Só conseguia ver os marcadores de trajeto na no vidro do veículo, mas sem visão alguma do objetivo em si. Começou a sentir perda de aceleração, temendo que ou a bateria estivesse arriando com níveis baixos de resfriamento, ou pior, que tenha acontecido algum estrago ao motor do veículo, por intermédio de alguma pedrinha ou até mesmo pedregulho. Ligou uma nova célula de turbo, e acelerou mais uma vez. E mais uma vez, lá estava a besta da tempestade em seu encalço.

A quase 5 minutos do Hangar, começou a ter um vislumbre dele, e logo atrás, a Cidadela e suas torres eólicas.

-Dra.Enster, já te avistamos. A porta já está sendo aberta. Rede de pesca esticada e pronta para receber impacto. Qual a sua situação?

Calis nem precisou responder. Entrou com o motor fumegante quase pegando fogo, fazendo um cavalo de pau para evitar de danificar a rede de pesca mais do que iria. Quase capotou. Fecharam o hangar logo após sua entrada.

Depois de paramédicos verificarem a doutora, e os mecânicos atestarem as condições do veículo, ela foi chamada para uma sala, onde o chefe do Hangar chamou a sua atenção, e foi obrigada a assistir um vídeo sobre segurança.

Já era depois da hora do café da tarde, quando a doutora finalmente foi liberada. Passou na cafeteria próxima a seu quarto, onde pegou algumas barras de cereal, uma sopa e foi para os seus aposentos. Tomou a sopa, e comeu duas das três barras de cereal que pegou. Ligou o computador pessoal e adentrou os dados que obteve no Oásis. Resolveu dormir um pouco antes da chegada dos novos equipamentos.

Quando acordou, era quase hora do carregamento chegar a zona de aterrissagem que era há alguns quilômetros dali. Como quase todos, Calis foi até a cúpula central, que estava cheia, até onde era permitido, e quem não conseguia lugar ali dentro, ia pra outras localidades. Todos apreensivos, o que fez a pessoas respirarem um pouco mais rápido do que de costume e que aumentou um pouco o consumo de oxigênio. Mas era por uma boa causa.

-Conselheira chefe, se quiser fazer a contagem comigo — falou por meio de rádio, o piloto da espaçonave.

-10, 09, 08, … disse a Conselheira Helma.

E conforme a contagem regressiva era feita, os anseios davam lugar a felicidade das pessoas presentes. A pouco mais de 5 anos que fora o último envio de qualquer carga para auxílio do projeto de terraformação.

-… 03, 02, 01. Adentrando atmosfera! — e foi junto com a chegada da nave na atmosfera, que os anseios dos presentes na praça deram lugar a felicidade e comoção. Dias melhores estavam por vir.

Dias que se tornariam meses, e meses que se tornariam anos. Anos que se tornariam a era de ouro de Marte. Após alguns meses de terem recebido o carregamento, que até o momento da entrega estava atrasado, Marte declarou total independência da Terra.

Epílogo

Após meses de tensão de uma possível primeira guerra interplanetária, ambos os planetas fecharam acordos socioeconômicos.

Graças a isso, hoje em dia saímos do ciclo de progresso agressivo que tínhamos, e agora vivemos em um mundo no qual estamos conseguindo consertar as marcas por nós deixadas.

Ainda não é global essa idealização, já que alguns grupos políticos e blocos socioeconômicos acreditam que Marte deveria ser subjugada a Terra, e não livre como Cidadelas Libertas, que servem como ponte entre os dois planetas. São pessoas que ainda acreditam que o progresso não tem custos, e se de fato tem, são baixos em comparação ao ganho final.

E essas pessoas estão se movimentando nas sombras das Cidadelas Libertas. E querem Marte e sua tecnologia a qualquer custo.

Cabe a você que está lendo este documento, impedir isso. Pode custar tudo que você tem. Mas o que você prefere? Ficar lendo sobre um possível futuro oblíquo, ou agarrar o bilhete de uma aventura que vai te levar para um futuro que talvez jamais será vivido…

Te vejo no jogo do Projeto Vista