Juventus busca sair do casulo

Juve chega ao último estágio de reconstrução tentando devolver o orgulho piemontês ao topo da Europa

Há um provérbio no norte da Itália que diz: quem segue os outros nunca chega primeiro. E é exatamente neste lema que a direção da Vecchia Signora aposta para devolver o clube aos tempos de glória no cenário europeu. Para entender esse processo, devemos começar pela observação da liga Italiana.

Na saudosa década de 80, jogar na Itália significava estar no maior centro de futebol do mundo. O Calcio possuía craques como Maradona, Platini, Falcão, Zico, entre muitos outros. Hoje, a liga não carrega mais o mesmo glamour, perdendo prestígio para centros mais enfadonhos, porém mais ricos. Nem a seleção consegue montar um esquadrão genuíno, importando valores de outras nacionalidades. Grande parte deste fracasso pode ser atribuída à cartolagem tradicional italiana, personificada na imagem do Sr. Berlusconi, obstante na maneira de dirigir um clube modernamente.

Com a receita de não repetir as ultrapassadas administrações de seus rivais Milan e Inter, a diretoria bianconera decidiu fazer uma série de intervenções, com o objetivo de voltar a ser grande não só na Itália, mas também no Velho Continente.

Esse processo de resgate passa por uma sequência muito interessante:

1 A demolição do antigo Delle Alpi para dar vida ao novo Juventus Stadium inflamou a já apaixonada torcida e potencializou a captação de receitas do clube.

Novo estádio da Juve

2 Reconstrução do time com a aposta em um jovem treinador identificado com o clube retornando com o conceito de jogo preferido dos italianos — defesa forte, ataque pragmático. Antonio Conte, ou Conte Drácula, como foi apelidado pelos torcedores, trouxe de volta o 3–5–2, muito contestado pelos analistas modernos, mas que devolveu a confiança ao time.

Antonio Conte

3 Títulos nacionais subsequentes para devolver hegemonia local, participações constantes em fases de mata-mata na Champions para dar musculatura ao clube. A Juventus é gloriosa e todos do clube devem saber disso.

Partida válida pela semifinal de 2015. Perderia a final para o Barça do trio MSN.

4 Até o escudo passou por reformulação. Confeccionado com design arrojado, promete unir a imagem do clube ao futuro, levando sua tradição ao mercado global.

O último estágio e tão desejado pelos zebrinos é a reconquista da Europa. O sentimento no clube, do jogador mais experiente ao mais jovem é de maturação da conquista.

  • “Devemos estar sempre, pelo menos, entre os oito primeiros da Liga dos Campeões e, se chegamos dez vezes seguidas, talvez chegue a hora de ganhar” — avaliou Buffon.
  • “Óbvio que podemos. Com o time que nós temos não podemos pensar que não podemos chegar na final.” — concluiu Dybala.

Quando o time entra em campo, a torcida canta: Juve, una storia di un grande amore. A pergunta que queremos fazer é: Será que o amor contagiará a Europa este ano?