Capoeira: um esporte completo

Ela não é só dança ou luta, mas também uma modalidade que proporciona benefícios físicos tanto quanto qualquer outra prática esportiva

Se podemos dizer que o Brasil tem um esporte genuinamente nacional ele seria a Capoeira. Isso mesmo, a modalidade passou a ser considerada esporte pelo Conselho Nacional do Esporte (CNE) a partir de 16 de fevereiro de 2016, uma vez que já possui campeonatos e competições, inclusive mundiais, nos quais o Brasil é constantemente destaque.

Sempre entendida por alguns como dança, por outros como luta, a capoeira acabava ficando sem uma definição concreta, o que dificultava sua aceitação na sociedade. Outro fator que influenciou na decisão foi a intenção de permitir o acesso dos praticantes da capoeira a programas do Ministério o Esporte como o Bolsa Atleta, que patrocina esportistas no treinamento para grandes eventos do esporte.

E para os amantes das rodas de capoeira, como são chamados os encontros dos capoeiristas, nem dança, nem luta, nem esporte. Eles acham que tem muito mais coisa envolvida nesse universo que vão além da nomenclatura. Mestre Padeiro, responsável por um grupo grande de praticantes, diz que a capoeira é cultura popular, música e também brincadeira, acessível e benéfica para todas as idades.

O nome verdadeiro dele é Edson Rocha da Silva, mas há anos ele já não atende por esse nome nas rodas. Mestre Padeiro explica que depois do batismo, ritual de ingresso na capoeira, eles recebem como que um “nome de guerra” que será levado para sempre. “Padeiro” veio, é claro, de sua profissão na época.

Atualmente, o Mestre está se preparando para mais um Mundial de Capoeira Maculelê, o 7º já realizado, que esse ano será entre 19 e 23 de julho. A sede em 2017 será a cidade de Londrina, no Paraná, onde o grupo dele atua. Para Silva esse é um ganho para a cidade, pois “através dos mundiais que o grupo promove atraímos cada vez mais pessoas de muitos países que vêm a londrina para participar dos eventos e acabam conhecendo a cidade e contribuem com a economia”

O grupo é responsável por toda a organização de infraestrutura e inclusive de segurança durante o evento, além de organizar workshops para introduzir a capoeira aos iniciantes. Mestre padeiro garante que quer conquistar premiações para a cidade, mas que o mais importante é “perpetuar os ensinamentos da capoeira como jogo sem perder a essência de sua história no passado, como esporte e cultura afro Brasileira.”

Gilberto Serapião, conhecido como mestrando Bé, vai participar de mais esse campeonato dentre tantos outros aos quais já compareceu. A preparação, segundo ele, se torna um pouco mais intensa conforme a competição se aproxima, mas nada que tire o prazer de se participar das rodas, encontrar os amigos e descontrair. Para ele treinar não é uma rotina e sim um prazer.

O mestrando conta que já participou de campeonatos em todo o país e também já viajou para os Estados Unidos, Colômbia e Argentina. “Londrina é uma das cidades que se destaca em nível de capoeira, apesar de não haver muitos grupos por aqui o nível é bom e estamos sempre tentando trazer muitos mestres renomados”, explica.

Além de treinar, Bé já é professor e dá aulas de capoeira semanalmente. Ele, assim como o Mestre Padeiro e outros integrantes, coordenam projetos sociais que buscam levar a capoeira a crianças da periferia através de parceria com ONGs. O projeto mais recente é levar a modalidade a academias de ginásticas, atingindo um público ainda mais variado.

José Carlos Neves Junior é o Graduado Junior dentro da roda. Ele conta que inicialmente é difícil acreditar que você será capaz de realizar todos os movimentos, saltos e mortais da modalidade, mas que, com o tempo, você percebe que a capoeira vai além disso. “A Roda de Capoeira é onde os amigos se encontram para jogar, treinar, desestressar e mostrar o que estão aprendendo. Hoje tenho verdadeiros Irmãos na capoeira, amigos de verdade, onde há respeito, partilha e aprendizado constante”, conta.

Junior ingressou na capoeira com nove anos de idade influenciado por amigos mais velhos. O que ele não imaginava é que a modalidade o permitiriam viajar para lugares como Atlanta e Miami, nos EUA. “O bacana da capoeira é que, além de ser genuinamente Brasileira, é luta, é arte, é cultura, é nossa história dentro de um dos esportes mais completos que temos.”

E como esporte, quais são os benefícios?

Segundo o Mestre de capoeira Padeiro, muitos. Ele garante que a capoeira é um esporte completo e que trabalha grupos musculares distintos num mesmo treino. Os movimentos costumam ser ágeis e, às vezes, complexos, utilizando mãos, pés e mesmo alguns elementos acrobáticos.

Além disso o capoeirista nunca está parado. Quando não está executando um salto, está gingando ao ritmo do berimbal. Ou seja, ela contribui com o ritmo, flexibilidade, tonificação muscular e queima calórica. “A capoeira pode ser praticada por qualquer pessoa dentro de suas limitações e com as metodologias aplicadas para cada especificidade”, reforça Padeiro.

Segundo o mestrando Gilberto Serapião os benefícios para o corpo foram visíveis, pois houve muita queima de gordura, definição muscular, reflexo, agilidade, elasticidade e condicionamento. “A capoeira transforma seu corpo dos pés à cabeça, e não só o físico, mas também o lado mental o emocional. Hoje não vivo sem capoeira, meu corpo necessita do movimento, do balanço da ginga, do som dos berimbaus, da energia da roda, do convívio com os amigos e dos conselhos do mestre.”