galáxia azul & calças curtas

as crônicas da kombi branca datam de uns dez anos atrás. eles me encontraram quando eu ainda cantava ópera.

num hall frio estavam dispostas cadeiras desconfortáveis. eu cantante, de pé, e um guitarrista com bochechas cor-de-rosa, executávamos uma peça autoral lírico-guitarreira. lembro do eco da minha voz no pé-direito duplo do cômodo, mas não lembro melodia ou letra. os acontecimentos que definiriam o rumo da minha história começaram pouco depois desse preciso momento.

um casal magrelo empoleirava-se sobre uma mesma cadeira quando os notei; ambos tinham longos cabelos. depois do recital o rapaz veio a mim, parabenizar e também dizer que era baixista de uma banda de rock clássico — que, aliás, procurava vocalista. (por que eu?) me convidou pra um ensaio.

que nóia :B

topei com outros dois rapazes esguios no dia e local combinados. discutiam sobre uma calça social, e como ela, no mais alto deles, ficava tão curta; achei graça. ele tinha volumosos cachos castanhos nos cabelos pelo ombro. caminhando por uma longa avenida rumo ao estúdio de ensaio, notei seu sotaque de algum lugar que não aquele, seus jeans surrados, e um discurso enérgico e apaixonado sobre qualquer coisa sem importância que ele fazia parecer incrível. a energia, curiosidade e sede de mundo que ele exalava me faziam querer, por um breve instante que fosse, poder ver o mundo como ele.

tocamos por horas a fio num estúdio-garagem, sentindo a sincronia-sintonia entre vozes e instrumentos. parece que encontrei meu clubinho, pensei, enquanto fazíamos um cover de secos e molhados.

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