Ocaso da Associação dos Profissionais de Propaganda?

Um futuro que assombra o glorioso passado da propaganda

Imagem ilustrativa. Fonte Pexels.com.

O XIX Encontro Nacional de História da Mídia organizado pela ALCAR aconteceu no período de 8 a 10 de junho de 2017 na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Sempre rico em estudos e análises, o encontro é particularmente proveitoso para aqueles que atuam na área de Publicidade e Propaganda.

Tradicionalmente há uma divisão entre a academia e o mercado (vicissitudes do Brasil) que geralmente se expressa numa polaridade entre os “que fazem” e “os que estudam”. Ou colocado de outra forma, os que estão no calor da lida diária quase nunca tem tempo e vontade de produzirem conhecimento sobre sua práxis.

O que é uma pena, pois imensamente ricos são os levantamentos feitos acerca da história da publicidade no Brasil (já foi dito por alguns que somos um país sem memória). O resgate e contextualização de ações publicitárias no último século nos permite compreender aspectos da cultura e mercado brasileiros que são únicos e dignos de nota.

De fato, dos publicitários que frequentaram a academia, poucos ao irem trabalhar recordam-se do contato que tiveram com a disciplina de História da Propagada. Presos a uma memória de curto prazo, quando muito lembram-se de comerciais memoráveis e publicitários dignos de nota, perdendo justamente a dimensão história do processo a qual fazem parte. Ficando este arquivo a cargo de entidades como a Memória da Propaganda ou pesquisadores como João Anzanello Carrascoza e Pyr Marcondes .

De um inicio pautado por profissionais que eram: “artistas por vocação, publicitários por conveniência”, a publicidade brasileira foi e é, uma construção alimentada por artistas, escritores, poetas, designers e uma imensa game de articuladores culturais e se em seu inicio tendia a “papagaiar” os gringos, com o passar do tempo aprendeu a andar por conta própria, desenvolvendo cara, gosto e tom que lhe são únicos.

Neste contexto, nós da Planners Group, que buscamos atuar tanto no mercado como na academia temos particular apreço pelo trabalho realizado pela APP — Associação dos Profissionais de Propaganda junto ao público universitário, em especial na promoção do Fest’up e dos Jogos Publicitários. E foi com particular interesse que assistimos a apresentação do presidente da entidade Ênio Vergueiro acerca dos 80 anos da APP-SP, apresentada no primeiro dia do congresso.

Atual presidente da APP — Ênio Vergueiro.

Nascida da necessidade da atividade publicitária ter uma voz frente aos desafios e temas do negócio publicitário e do profissional de propaganda, a história da APP mistura-se com a publicidade e propaganda no Brasil. Celeiro de discussões e espaço de trocas, antes mesmo do conceito de Incubadora estar em voga, a associação já cumpria este papel, sendo que em seu interior fora gestados importantes entidades como o CONAR (Conselho de Auto Regulamentação Publicitária) a ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), o CENP (Conselho Executivo de Normas-Padrões), os Grupo de Mídia e Grupo de Planejamento, e a Câmara de Arbitragem, que atestam a maestria na capacidade de articulação e congregação da entidade.

O importante resgate histórico feito, serve como lembrança da veia produtiva e capacidade dos profissionais Brasileiros que conseguiram alcançar a maturidade e identidade próprias. Porém neste cenário onde entidade e representados misturam-se, passa a ser sintomático que o futuro da APP (e dos próprios publicitários) não esteja claro, nestes tempos disruptivos. Perguntado sobre as perspectivas futuras da entidade - que em 20 anos completará cem anos — Ênio afirmou não estar bem certo acerca do futuro (e existência da entidade).

Os meios digitais colocaram em cheque a necessidade de um espaço físico de encontro de profissionais, a tradicional sede da entidade localizada na Rua Hungria está a venda. A imperiosa presença da mídia digital manifestas no Facebook e Google nem sempre se coadunam com os desígnios da tradicional publicidade brasileira (ambos não se associaram nem se comprometem a responder ao CONAR) comprometendo a capacidade de articulação da entidade, o crescente imbricamento técnico-produtivo da profissão, bem como as demandas do marketing, deslocam o eixo do poder para entidades técnico/certificadoras como o CENP.

Estaria a entidade encaminhando-se para seu ocaso? Ou saberá reinventar-se e como os publicitários que representa, adequar-se aos novos tempo?


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