Os movimentos de André de Castro

Visualidade que dá voz às ruas


O artista carioca André de Castro leva seu projeto Movimentos ao CCBB de Belo Horizonte a partir desta quarta-feira (22) e depois percorre outras cidades brasileiras. Da fábrica Bhering, onde montou ateliê especialmente para a ocasião, ele conversou com a gente sobre a exposição, política, arte e design.

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Quarenta telas e muitas histórias. Para compor o projeto, André ouviu pessoas engajadas em movimentos políticos recentes na Turquia, Brasil e Grécia. Mas foi em Nova York, cidade onde fez seu mestrado, que tudo começou. Observador do movimento “Occupy Wall Street”, ele encontrou sua forma particular de participar: visualmente. Através das redes sociais, usando tags e pesquisas descobriu pessoas envolvidas e propôs um trabalho quase de co-autoria. Elas entrariam com suas representações pessoais, André com sua arte.

Uma cor, uma música, uma pessoa, um lugar, uma data, uma imagem e uma palavra. Das respostas saiu a matéria prima de suas obras, todas em silkscreen. A técnica responde ao projeto. ​São monoprints em silk, peças únicas onde o silk é utilizado com o intuito de validação, perpetuação da imagem representada, conta Castro. Não há uma bandeira política única. Movimentos traz para discussão a questão da individualidade no coletivo, os indivíduos são entendidos para além das entidades. André faz da arte uma forma de discutir as agências individuais, as unidades, as exceções.
A exposição é, em si, um convite para analisá-las.

Maquete da exposição:projeto definido por André e o curador Alex Cousens
“Muito se falou do “gigante que acordou” no Brasil. Discute-se o que esse gigante quer e o que se quer para esse gigante. No gigante mora o perigo de se conferir uma identidade única para a multidão”, diz. São muitas as vozes a serem ouvidas e o projeto trata dessa polifonia.

André é designer, artista e atualmente trabalha com publicidade. Ele considera diferentes os três processos de trabalho, mas também vê neles uma unidade. Todos são inspirados em sua necessidade de falar e a sua voz é sempre visual.

A visualidade é uma maneira de iniciar uma conversa. Ela sempre acrescenta, é uma forma de diálogo, complementa Castro. E foi recorrendo ao que chama de sua biblioteca visual, que o artista ganhou o prêmio de arte Never Stop, Never Settle da Hennessy nos EUA pelo projeto Movimentos. Somente depois da premiação ele percebeu que tinha ultrapassado a fronteira entre o design e a arte.

Independentemente se arte, design ou publicidade, André vai montando o acervo visual que permite suas colagens, sobreposições de significados e edições de mundo.

Curiosidades sobre o projeto e exposição

  • A Turquia foi o país com o maior número de participantes no projeto.
  • Uma imagem transnacional foi a máscara de gás, citada por participantes dos quatro países (Brasil, EUA, Turquia e Grécia).
  • Uma mesma composição é feita 3 vezes pelo artista. Muitas vezes ele acaba escolhendo a primeira versão.
  • As músicas escolhidas por cada participante do projeto também compõem a exposição.
  • As obras não são emolduradas para transmitir a ideia de cartaz, detalhe marcante dos grandes movimentos históricos.
  • Abrem a exposição as primeiras telas em silk do artista. Elas têm rostos conhecidos como os de Barack Obama, Marilyn Monroe e Che Guevara, que é sua “tela xodó”.
André e sua tela preferida ao fundo

Agenda
22/04 a 25/05 — CCBB Belo Horizonte
27/05 a 29/06 — CCBB Brasília
11/08 a 11/10- Caixa Cultural Galeria2, Rio de Janeiro

E mais
Para saber sobre o artista e o projeto:
www.andredecastro.com
www.projectmovements.com

Para levar arte pra casa: colab55.com/@andredecastro

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