Codamos Summit 2018 — Painel da Representatividade

#pracegover: imagem simulando a impressão digital e misturando ilustrações que lembram moedas, com escrito 2018 no centro.

No final do evento, teve um painel da diversidade, mas que acredito que o nome mais justo seja da Representatividade, pois muitos personagens defenderam suas comunidades, a diversidade esteve presente no evento como um todo.

Tão pouco se aborda sobre representatividade por parte das empresas, eu como profissional, como empresa me sinto no dever de dar espaço e voz para cada grupo que tenta se engajar na tecnologia, mesmo não dispondo de suporte físico ou financeiro, mesmo assim sempre que posso e sempre que puder darei voz primeiro para estas comunidades, para que crescam e possam um dia ficar em pé de igualdade com o restante da sociedade que muitas vezes é privilegiada e não observa.

As vozes que tivera a coragem para falar e compartilhar um pouco de sua história foram:

Roberta, representando a própria força e os trans que como ela passaram e passam por problemas para sobreviver, relatou seus anos de dor, sofrimento e tristeza por não conseguir se encaixar no mundo. A felicidade de poder contar com o canto da mãe, da família pra se reerguer, estudar e conseguir um espaço no mercado e não simplesmente um lugar por opção, mas ser reconhecida.

Jonas, defendeu a comunidade dos cegos, falou dos desafios de mesmo tendo conquistado espaço em faculdades, não ser visto de forma justa e mesmo pagando mensalidade não ser reconhecido a necessidade de permitir o acesso à informação de forma igualitária. Também abordou o fato de o Telegram não permitir acessibilidade por comunidades cegas, algo bem chato.

Charlotte, fez par no evento de sábado junto com a Miguel(não sei quem gritava mais), mas relatou dor, depressão, angústia, e não deixou de dar indiretas para empresas que dizem contratar e ter a diversidade em seu repertório, mas no fim das contas é somente um fake pra aparecer como bonitinha na fita, não é algo real e pertencente na cultura da empresa.

Isa Galvão, do Reprograma que insere mulheres no meio digital através da programação, onde ela é uma das professoras, falou do desafio encontrado no dia a dia por várias mulheres e sobre a gratificação em ver e acompanhar o empoderamento feminino.

Vanessa Almeida Silvestri, da Femme.it um focado em ajudar mulheres no mercado de TI, comentou sobre um momento de profunda dor que ao mesmo tempo mostrou força ao falar de abusos em ambiente de trabalho, porém enxergando a comunidade abriu espaço para outras/os à falarem.

Maitê Balhester, representando o Rails Girls e apesar de não ter falado de dores, sua expressão mostrava que passou por maus bocados e a emoção era forte demais.

Samir Salim Jr, falou do seu papel como responsável, como homem branco, mesmo sendo gay, ainda se vê como muito mais privilégios que a maioria, a mudança em sua forma de pensar e como isso permitiu ver a mudança que fazia na vida de outras pessoas ao indicar para trabalhos.

Matheus Hernandes, falou do preconceito, do fato de ser negro e não poder trabalhar com TI segundo a visão de pessoas próximas, falou da superação, como tem mudado isso buscando levar o mundo do Backend Brasil para a Zona Leste de São Paulo, para a periferia não vista pela sociedade.

Jacqueline Venturim, comentou a discriminação que o mercado ainda tem com mulheres lésbicas, o tratamento como um ser inferior a contínua descrença na capacidade de cada uma da LGBTech de superar em conhecimento e força de vontade muitas vezes e provadamente maior que os homens brancos.

Diego Garcia, reforçou sobre o preconceito com os negros e também sobre com a programação através do AfroPython tem ajudado na inclusão e propagação de bons profissionais que são marginalizados pela sociedade.

Giulia Losnak, representando o Campinas Frontend mais um braço feminino representando as mulheres que programam e trabalham com frontend na região de campinas.

Jessica Temporal, da Pyladies, reforçou a nota mulheres precisam ser enxergadas pelo potencial que possuem, pelo conhecimento e capacidade de se superar e não pela aparência e muito menos pela aparência, precisa existir respeito, precisa existir espaço e aceitar que uma mulher pode saber mais que um homem, que uma mulher possui sim o conhecimento sem gerar perguntas intermináveis à fim de testar algo que beira o surreal.

O painel foi sensacional, foi incluidor, foi esclarecedor, foi muita coisa e todos os eventos de TI deveria ter e abrir espaço para este tipo de engajamento, só quando nós como profissionais, nós como empresários, nós todos não importando os gêneros formos uma comunidade forte o mundo será menos preconceituoso, menos divisor, menos racista, menos acusador.

Mais uma vez agradeço a Codamos.Club pela oportunidade de ver essa energia transformadora que o evento foi e espero ver cada vez mais.


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