Mergulho-me
Não sou uma pessoa de cachoeiras. Tenho medo especialmente das pedras — a certeza é de que vou escorregar no limo, vai faltar força pra subir, o equilíbrio vai fugir cambaleando. Trilhas? Não me convide, pois não há paisagem que compense a perspectiva de ficar sem fôlego, grudada e esfolada.
É por isso que aceitei o convite pra visitar uma cascata no meio do Carnaval.(vá em direção dos seus medos, dizem)
Mergulho-me na longa caminhada sob o sol e sobre a poeira e preciso lembrar de não pensar em chegar, mas sentir cada passo e cada respiração.
Mergulho-me na subida e na descida nas pedras, deixo o medo me atravessar, me arrependo muito e preciso lembrar de sentir cada pedra de uma vez.
Mergulho-me na água congelante. Sinto em cada poro. Sinto. Cristalina, apavorante, eletrizante. Não preciso lembrar de nada.
Ouço só a água caindo e a luz passando e sou também a água e a luz.
E lembro que sou uma pessoa de cachoeiras. A primeira que corre pro mar, a que enfrenta o morro pra ver a praia mais bonita, a que nada quilômetros em águas abertas, a que pula logo pra sentir o frio de uma vez só.
Sou isso muito tempo atrás, antes de me encher de medos. Sou isso e sou meus medos.
E, agora, mergulho-me.
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Aconteceu semana passada com uma amiga.
Buscando entender o que quer da vida, ela buscou um mentor — que, por uma piscadinha de olho do destino, não entendia lá muito bem o Português.
Ela: eu quero fazer algo para me orgulhar.
Ele: para mergulhar?
Sim.
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Aparentemente, tudo é diferente do que realmente é.

Da mãe da Paola, aqui.
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E o amor, neste caso específico, é um mergulho.

Da @lannacollares, aqui