O Caso Beyoncé

Amplamente divulgado por diversos veículos da mídia nas últimas semanas, Beyoncé, a cantora (e muito mais), lançou uma linha de roupas esportivas, Ivy Park, em parceria com a loja Topshop. Até ai, nada anormal. O que veio depois é o que impressionou muita gente: As roupas estariam sendo feitas em fábricas no Sri Lanka, com trabalhadores recebendo pouco e trabalhando muito (como muitas marcas fazem, diga-se de passagem).

Fãs e principalmente feministas compraram a briga para defender a cantora que nos últimos tempos tem se dedicado a pregar o empoderamento feminino (Who run the world?), especialmente da mulher negra. Mesmo vivendo no século 21, não consigo imaginar como deve ser complicado ser uma mulher negra, todas as dificuldades e tudo mais. E não podemos negar que ela tem feito um trabalho maravilhoso nesse aspecto.

O fato é que Beyoncé não é a primeira e não será a última celebridade a emprestar seu nome para uma linha de produtos. O problema está em pensar somente no dinheiro e emprestar o que se tem de mais valioso, que é o seu nome, para a primeira empresa que aparecer. Desde que o caso veio à público, muitos a defendem, dizendo que foi enganada (pode até ser), que a marca não é dela, etc, enquanto os muitos que a acusam de ser uma mentirosa que usa uma imagem de defensora das mulheres e dos negros mas que na verdade se comporta como uma verdadeira sinhá dos tempos da escravidão, explorando pessoas sem se importar com nada e com ninguém, apenas visando o lucro no fim do mês.

Eu, como rapaz branco de classe média de um país de terceiro mundo, digo que, na minha opinião ela é sim, culpada.

Não é de hoje que esta empresa, como muitas outras do ramo no mundo todo, são acusadas de práticas de trabalho desumanas em países pobres. Portanto, uma artista do porte dela, com o nome que ela tem a zelar e o principal: com todas as causas que ela diz defender teria no mínimo a obrigação de saber quem, onde e como seriam feitos os produtos que levariam seu nome. Poderíamos dizer que Beyoncé é culpada por associação (ou omissão, dependendo do ponto de vista), mas isso não tira um ponto da culpa que sim, ela tem. Culpa que ela tem por poder ter feito algo, por poder ter usado essa linha de roupas para mostrar que a indústria não precisa ser assim, mas infelizmente parece que ela preferiu pegar o seu dinheiro, ganho nas custas de trabalho árduo (e por que não desumano?) e sair por aí pra arrasar em seu vestido Givenchy.

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