A vulnerabilidade e seu poder de libertar

Sobre a nossa busca por perfeição

Sempre senti muito medo da exposição de quem eu sou, do que eu penso, do que eu sinto. Sempre senti o peso da busca pela perfeição e por não me sentir digna de pertencer, caso eu resolvesse fazer de outra forma.

A verdade é que a necessidade de ser aceita sempre me incomodou. Por que mesmo eu preciso que essa ou aquela seja minha amiga? Por que mesmo eu preciso que esse ou aquele me ame? Mas, na verdade, sempre foi essa a minha busca.

Procurei, por muito tempo, ser aceita nos grupos. Ser amada. Pertencer. A ideia de ficar sozinha, ser excluída, não saber das últimas novidades, ou não estar nas rodas de conversas, sempre me incomodou.

E o pior, mesmo fazendo muito esforço para ser aceita e pertencer, sempre me senti incompleta, diferente. Hoje eu entendo que isso que me incomodava era porque eu sempre tive vontade de me expandir, de me aceitar e me respeitar mais.

Não, eu não preciso que as outras pessoas amem o que eu não sou, para me sentir feliz. Preciso mesmo é demonstrar amor e compaixão por quem eu sou, para que as outras pessoas também se sintam livres para me amar pelo o que eu sou de verdade.

Ser “perfeito” e “à prova de bala” são conceitos bastante sedutores, mas que não existem na realidade humana. Devemos respirar fundo e entrar na arena , qualquer que seja ela: um novo relacionamento, um encontro importante, uma conversa difícil em família ou uma contribuição criativa. Em vez de nos sentarmos à beira do caminho e vivermos de julgamentos e críticas, nós devemos ousar aparecer e deixar que nos vejam. Isso é vulnerabilidade. Isso é a coragem de ser imperfeito. Isso é viver com ousadia.
[Brené Brown — livro: Coragem de ser imperfeito]

Por sentir tudo isso, e por saber que deveria existir algo a mais que me fizesse feliz, comecei uma busca grande por autoconhecimento.

Sinto que, quando somos muito jovens, essas confusões são mais acirradas dentro de nós. Com o tempo e com o amadurecimento, vamos nos sentindo mais pertencentes à nós mesmos e menos autocríticos também.

Com o tempo, passei a me sentir mais livre do que os outros pensam, com menos necessidade de perfeição, mais flexível à criatividade, mais alegre, mais autêntica, com menos necessidade de certezas absolutas, menos ansiosa com estilos de vida focados em impressionar os outros, mais alegre e com menos necessidade de estar no controle de tudo o tempo todo.

Essa palestra da Brené Brown sobre vulnerabilidade me ajudou a entender bem esse meu estado de aceitação. Que você possa se abrir para ser mais você e menos o que os outros esperam que você seja, porque quando deixamos que outros criem expectativa sobre nós, sofremos. Quando nós mesmos criamos falsas expectativas sobre os outros, também sofremos.

Mais amor, liberdade e compaixão para que possamos ter uma vida mais plena e criativa.