Como dar respostas mais empáticas em fóruns de discussão de desenvolvimento
O número de opções para ensino de programação para computadores a cada dia cresce mais e mais, sejam opções gratuitas ou pagas, para todos os gostos e níveis de conhecimento.
E também temos diversas áreas de atuação, com destaque para desenvolvimento web e mobile, que atualmente estão em alta, fora as milhares de tecnologias que podemos utilizar para desenvolver essas aplicações.
Estive refletindo um pouco sobre as formas como as pessoas são abordadas em fóruns de discussão (principalmente Facebook Groups).
Fulano entra no grupo e pergunta:
Como aprendo a programar?
E logo depois surgem uma enxurrada de sugestões, com links para diversas opções, onde cada um expõe seus motivos por indicar aquele link.
Vocês conseguiram ver alguma familiaridade com esse comportamento e o que ele tem de errado?
O Fulano não perguntou onde encontrar fontes de estudo, curso, links, ou etc. Ele apenas perguntou como pode aprender a programar. E esse tipo de comportamento não tem qualquer tipo de empatia com o Fulano que está com dúvidas, e pior, dando diversas opções, ele sai com mais dúvidas do que tinha antes.
O que há de errado nessa abordagem?
Abrimos um espaço onde as dúvidas irão continuar, citando apenas caminhos diversos por onde a pessoa pode ir, mas não falamos o porquê, pra que e por onde é mais fácil chegar ao objetivo do Fulano.
Se uma pessoa chega a você e pergunta como chegar a um específico local, você prontamente irá dizer: “Vá até o final da rua, ao avistar um ponto de referência (Posto de gasolina, mercado, etc), vire a direta e siga a 300 metros até avistar outro ponto de referência, vire a esquerda e a 600 metros chegará aonde deseja.”
O trajeto descrito é bem detalhado e simples de seguir. E o melhor é que o ponto de chegada é muito claro, que por muitas vezes isso não é comum.
Responder dando uma resposta clara e objetiva, entendendo todas variáveis envolvidas, Fulano terá uma resposta satisfatória e com seus objetivos alcançados.
Então como seria uma resposta adequada?
Que tal algo assim: “Fulano, que legal que você está interessado em programar! Me diga o que você deseja fazer? É desenvolvimento de aplicações web? Mobile? O que você aprendeu até agora? O que você já sabe e quer complementar para conseguir alcançar seu objetivo?”
Dessa forma você consegue tirar diversos preconceitos sobre a simples perguntas e entender melhor o que a pessoa quer e precisa saber, dando respostas adequadas de acordo com a necessidade de cada um.
Fora outras respostas clássicas que são uma comunicação agressiva, tais como:
- “Já procurou no Google?”
- “Você é preguiçoso, vai procurar e depois venha aqui”
- “Você nem se deu o trabalho de procurar na documentação, vai lá e se vira”
- “Se está aprendendo a programar já tem que saber se virar, então procure por “xyz” que sua resposta será achada”
- E diversos outros.
É muito comum praticarmos a comunicação violenta, onde tomamos o pressuposto e preconceito que a pessoa nem se deu o trabalho de procurar antes. E pior, o que há de errado se a pessoa preferiu ir a um grupo perguntar do que ir procurar pela internet?
Precisamos de mais empatia
A área de TI em geral já é complicada, porque complicarmos ainda mais desperdiçando o tempo dando respostas rasas e sem qualquer empatia, causando nenhum impacto para o Fulano?
O que podemos fazer para melhorar isso?
A internet já é um lugar ‘frio’, nenhuma tecnologia irá substituir o contato presencial, a sensação de olhar nos olhos da pessoa, observar sua linguagem corporal e compartilhar dos sentimentos do Fulano.
Se for para ajudar uma pessoa, vá fundo e tente criar empatia com a pessoa. Dessa forma tenho certeza que estamos criando uma cultura mais aberta para que as pessoas tenham mais liberdade de perguntarem e instigarem suas dúvidas e criatividade.
Ignorância não é não saber de algo, ignorância é não reconhecer que você não sabe tal coisa, e que você precisa e mesmo assim reluta em não mudar essa situação.