Hospital investe na autoestima de pacientes na luta contra o câncer

Serviços como corte de cabelo e barba, limpeza de pele e truques de maquiagem são oferecidos para melhorar a autoestima dos pacientes


O tratamento de câncer é altamente invasivo. Pensando nas dificuldades de enfrentar uma terapia tão longa e dolorosa, que acarreta consequências como perda dos cabelos, enjoo, indisposição, o Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo) tratou de levantar a autoestima de seus pacientes. A medida tomada por eles foi oferecer algo como um “salão de beleza”. Que funciona dentro do próprio hospital.

Serviços como corte de cabelo, barba, limpeza de pele, entre outros são oferecidos aos pacientes. O projeto conhecido como “Cantinho da Beleza”, atende a homens e mulheres internados no Icesp. Os tratamentos de beleza são oferecidos três vezes por semana, nos próprios leitos do hospital, e os atendimentos devem ser agendados com antecedência.

Esteticistas fazem a unha, cortam a barba e cabelos, fazem tratamento de pele e aparam as sobrancelhas. Além disso, dão dicas de beleza, explicando como usar lenços e truques de maquiagem. O serviço ajuda muito no aumento na autoestima dos pacientes, além de quebrar a rotina de exames e remédios. A mudança é bem vista por psicólogos que dizem que muitos pacientes ficam abalados com as transformações físicas consequentes da quimioterapia.

Segundo o psicólogo Lórgio Henrique Diaz Rodriguez, coordenador do serviço de psicologia hospitalar do Icesp, “Quando o paciente procura melhorar a aparência ele demonstra que busca recursos de enfrentamento para lidar com a situação atual, o que pode repercutir na autoestima e favorecer uma melhor adesão ao tratamento. É diferente do paciente que se deprime, porque o primeiro impacto depois do diagnóstico é a negação da situação”, afirma o especialista.

Para o pedreiro azulejista que está internado no Icesp, Caetano Donizete da Silva, 57, tratando de um câncer no estômago, é grande a satisfação por participar do “Cantinho”. “Eu estava barbudo pra caramba e a pele dá uma ressecada com a quimioterapia. Achei o serviço ótimo porque eles chegam aqui e acaba com aquele baixo-astral”, disse após sua primeira sessão de cuidados.

Por Guilherme Rossini

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