Será que você precisa de um brainstorm?


Quatro gerentes, uma sala de reunião, eles precisam de idéias para resolver um grande problema de segurança em um aplicativo de banco, em seguida começam a falar em voz alta:

“mensagem de texto”, “notificação”, “email”, “ligação automática”, “token físico”, “digital”, “reconhecimento facial”.

Esse é um cenário muito comum e se você não é familiarizado com o conceito, a atividade que essas pessoas estavam desenvolvendo pode ser chamada de brainstorm.

Brainstorm é uma técnica de dinâmica de grupo que visa encontrar uma conclusão para um problema através da geração espontânea de idéias. É uma técnica antiga, popularizada no livro Applied Imagination de 1953, que é utilizada até os dias de hoje, seja em aulas de faculdade ou em dinâmicas empresariais.

Existem diversas formas de conduzir um brainstorm, porém vamos utilizar a definição contida no Design Kit da IDEO (empresa responsável por popularizar o design thinking), porque se alguém sabe fazer brainstorms são esses caras. São apenas cinco passos:

  1. Passe canetas e post-its para todo mundo e tenha uma lousa ou superfície grande onde eles possam ser colados;
  2. Revise as regras do brainstorm antes de começar — São 7 regras, que resumidamente envolvem, não julgar as idéias de ninguém, encoraje idéias loucas, construa nas idéias dos outros e foque no tópico;
  3. Coloque a questão que será desenvolvida em evidência;
  4. Conforme cada pessoa tem uma idéia, peça que ela descreva para o grupo enquanto ela a escreve em um post-it e cola na superfície;
  5. Gere o máximo de idéias possível;

Pronto. Cinco passos, não parece tão difícil certo? Ok… existem algumas regras, mas nada muito difícil de aprender.

Mas será que brainstorm realmente funciona? Será que essa é a melhor forma de resolver problemas e criar soluções criativas ou inovadoras?

Existem uma série de pesquisadores que dizem que não, um exemplo é um estudo conduzido em Yale em 1958 (tão velho quanto a popularização do termo), em que indivíduos competiam com grupos realizando brainstorm para resolver o mesmo problema, os indivíduos não só geraram maior quantidade de soluções, como suas soluções foram julgadas ser de maior qualidade e mais originais (p.107 Sprint Book — Knapp, Jake).

Uma justificativa que explica porque trabalho individual ganha de brainstorm em grupo, é o simples fato que ao trabalhar sozinho é mais difícil do que falar idéias que “não serão julgadas” em um brainstorm. Para criar uma solução a pessoa deve criar uma estratégia para resolver o problema. Isso faz com que seja necessário pensar sobre o problema, pesquisar a respeito, encontrar inspiração e formular soluções que se justifiquem. Além de que a responsabilidade sobre o resultado de seu trabalho serve como motivador para a pessoa se empenhar.

Para ganhar o melhor dos dois mundos é possível trabalhar sozinho em grupo, desta forma adiciona-se os componentes do ambiente de trabalho em equipe com a eficácia do trabalho individual. Uma forma de realizar este tipo de atividade consiste em que é dado um tempo para os membros do grupo criarem soluções individuais, ao final essas soluções são coladas na parede e então analisadas. Este método inclusive é muito utilizado pela GV, antiga Google Ventures que atualmente é o braço de investimento da Alphabet Inc., como metodologia de criação de soluções para empresas que estão em seu portfólio de investimento.

Além dessa forma de trabalho a GV também aconselha que as soluções devem ser esboçadas, pois

Esboçar é a forma mais rápida e fácil de transformar idéias abstratas em soluções concretas.

Muitas vezes uma idéia parece ser ótima em nossas cabeças, mas quando precisamos explicá-la para alguém acontece algo estranho, ou a pessoa não a entende muito bem ou nós mesmos não ficamos satisfeitos com a explicação. Esboçar uma idéia faz com que seja necessário elaborar melhor o conceito e possivelmente tentar de certa forma deixar o esboço auto-explicativo para outras pessoas.

Da próxima vez que você pensar em iniciar um brainstorm para chegar em uma solução de um problema, tente diferente: trabalhar sozinho em grupo. Se era o nome que te cativava (brainstorm é realmente chamativo), chame de Work alone together.


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