Curtinhas #1

Eu percebi que ficar esperando a inspiração bater não anda sendo a melhor ideia, porque: 1. já há anos eu só consigo escrever um texto — texto mesmo, não dois parágrafos — quando estou triste e /ou preciso desabafar; e 2. por isso mesmo é uma ideia ruim, já que eu sempre acabo com blogs recheados de dor de cotovelo e talvez as pessoas achem que eu seja depressiva ou sei lá. Chata.

Então resolvi tentar essa coisa de escrever comentários breves em um post só. Talvez até faça um post contando um dia de hora em hora, no estilo desses artistas de Tumblr.

(Se bem que escrever em notinhas não necessariamente vai livrar vocês das minhas choradeiras, como vocês vão ver ainda nesse post. Hoje foi um dia estranho, me abracem.)

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Chegou aquela época do ano em que sabemos que eu estou precisando de férias pois já quero chegar na sala falando verdades pros alunos. Me incomodam os adolescentes. Me incomodam os adultos que não fazem tarefa. Me incomodam os adultos que não fazer tarefa e não querem participar da aula porque tá tudo bem, a empresa é que tá pagando.

ARGH.

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Hoje eu tive um momento de tensão com a minha mãe e não foi legal. Nunca é e é quase sempre pelo mesmo motivo. Eu sou ansiosa, como vocês sabem. Ela não é. Então ela fica incomodada. Ela é muito compreensiva. Muito. Mas não sabe como é, então talvez sempre tenha essa ideia de que é só eu entoar um mantra e pensar que tá tudo certo, que tudo fica ok.

E não fica, não é assim. Por favor, não façam isso com os ansiosos à sua volta. Nós não temos como controlar isso. (Não sem medicamentos e terapia, pelo menos.) Isso, aliás, é algo que eu não consigo entender. Por que alguém acha que eu me sentiria assim se conseguisse controlar? Bem que eu queria poder fazer tudo passar só fechando os olhos. Mas infelizmente não tem mágica. Eu sei que estou sendo ilógica, eu sei que preciso me acalmar, eu faço um esforço e consigo respirar por alguns minutos, mas não passa só com o meu desejo. Antes fosse, porque eu me livraria de três transtornos sem nem pensar duas vezes.

[EDIT: Claro que, depois de muito quebrar a cabeça, hoje eu entendo minha mãe. E sei que ela sofre porque me vê sofrer. E isso aí é só um momento esporádico. Normalmente ela sabe me acalmar. Mas também é humana e também tem limites.]

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Estava assistindo o último episódio de Chelsea Does. Enrolei muito, mas vi. Espero que ela faça outros. Esse é o das drogas. O maior mistério da humanidade pra mim. Não, eu nem bebo ou fumo. Nada disso me tenta nem um pouco, e isso não é nem questão de orgulho.

Certa vez estava com dois amigos em casa e eles sugeriram que eu experimentasse beber. Bebi uma jarra de sangria. Não fez nada por mim. Aí sugeriram que eu tentasse maconha. Que também foi outro fiasco, porque nem tragar eu consigo. Aceitei meu destino de pureza e agora sei que terminarei meus dias como monja.

Mas no fim das contas acho que tem que ser isso aí mesmo. Porque eu fico vendo esse pessoal falar de delírios e duendes e cobras e cores piscando. E isso aí eu não quero não, gente. Isso aí eu tenho de graça com qualquer sobrecarga sensorial. Inclusive troco. Favor mandar inbox.

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