André Maldonado
Jun 18 · 5 min read
Team building — Escalando na Casa de Pedra

Pesquisando na internet você vai encontrar uma série de posts sobre team building. Então por qual motivo escrever mais um? Acredite, refleti bastante sobre esse assunto.

Olhando para os artigos escritos por aí notei muita gente falando bem e falando mal deste tipo de atividade, porém poucos falando sobre as dores e os êxitos conquistados ao fazê-las. Por isso resolvi focar nestes dois pontos.

Como o post ficaria muito longo para falar dos dois pontos em um único texto, resolvi dividi-los. Nesse primeiro falo das dificuldades comuns, num próximo falarei sobre os êxitos.

O que saber para evitar possíveis dores?

1 — Não ignore que algumas pessoas ODEIAM essas dinâmicas

Algumas pessoas têm uma visão tão ruim desse tipo de dinâmica que pensam coisas assim:

“If you are friends with your co-workers, you will feel more guilt about looking for/accepting a new job. I think the goal of “team building” social events is to keep employee retention up while keeping compensation down.” — Comentário feito nesse post

Ok, preciso admitir que não posso falar por todos e, talvez, algumas empresas façam esse tipo de dinâmica justamente para “segurar” as pessoas. Não é o nosso caso e tenho a esperança de que não seja o caso da maioria. O ponto aqui é que sim, algumas pessoas odeiam essas dinâmicas.

Sendo assim, não podemos ignorar isso e temos que pensar em dinâmicas que sejam minimamente aceitáveis para todos. Por isso, antes de começar a jogar dinâmicas que você aprendeu em um post qualquer por aí no seu time (eu já fiz isso 😢), leve em consideração quem são as pessoas que trabalham com você.

No meu caso, por exemplo, e não estou dizendo que sou bom nisso, trabalho com pessoas que aceitam de boa uma dinâmica, algumas que aceitam com ressalvas e outras que não querem estar lá.

O que eu faço é:

  • Deixar claro que estas dinâmicas são importantes, explicando a motivação delas. Isso ajuda as pessoas a tomarem decisões com menos vieses;
  • Fazer com que elas não sejam obrigatórias: se você trabalha com profissionais capacitados, as pessoas deveriam ser livres para participar, ou não participar, de qualquer reunião.
  • Não fazer e nem incentivar qualquer tipo de represália por alguém não ter participado de uma dinâmica destas.

No caso da dinâmica da foto deste post, que foi organizada pelo Luiz, uma das coisas muito legais que ele fez foi fazê-la num horário que seria bom para todas as pessoas, considerando as dinâmicas de vida de cada um. Nesse dia, eu mesmo saí mais cedo da escalada e ninguém ficou fazendo piadinha ou me olhando diferente por isso. Como participante e não organizador, da dinâmica, pude me ver do outro lado, o que foi muito enriquecedor.

2 — Vá no passo adequado para o seu time

Vou falar sobre isso pois este é um erro que eu ja cometi anteriormente e, nesta última dinâmica que fizemos na Casa de Pedra, isso não aconteceu.

O ponto aqui é que, em minha experiência, não é legal você tentar fazer dinâmicas que estão desconectadas com o momento do seu time. Cometi esse erro no passado, fazendo uma dinâmica onde eu trouxe assuntos muito pessoais para um time que não se conhecia muito bem ainda. Isso gerou dois desconfortos:

  • Como eu comecei trazendo assuntos pessoais, as pessoas também sentiram a necessidade de irem no mesmo tom;
  • O que foi compartilhado naquela dinâmica era profundo demais para um time que ainda estava se conhecendo, o que foi estranho para algumas pessoas.

Consegue perceber como a dinâmica precisa estar casada com o momento do time? Não foi a dinâmica errada, foi a hora errada de fazê-la. Tenho certeza que hoje, se eu fizesse a mesma dinâmica, com o mesmo time, seria muito mais legal, pois estamos em outro momento.

No caso da dinâmica que fizemos na Casa de Pedra, o tempo do time foi respeitado. Nos mostrou a importância da confiança nos pares — se você não puder confiar na pessoa que trabalha com você, não vá escalar, pode ser uma péssima ideia — sem precisar trazer nenhum assunto desconfortável para a discussão. Todos deram boas risadas e passaram um tempo importante juntos. Vimos as forças de outras pessoas e trocamos elogios por isso. Tudo aconteceu de maneira muito natural e tranquila.

O que não pode acontecer é você ler esse post, juntar o seu time e ir escalar com eles sem avaliar se este é o momento do time. Não é porque deu certo conosco que vai dar certo para todo mundo.

Outra coisa muito legal que foi feita para essa dinâmica foi conversar com todas as pessoas antes para saber se todas topariam fazê-la. Esse é o ápice do respeito ao tempo do time. Se todas concordarem, mesmo que a dinâmica seja ruim ou dê errado, o dano causado é menor.

3 — Isso não pode ser “coisa do gestor”

Acredite, eu sei quanto é difícil engajar um time recém-formado ou trabalhar com uma equipe que você não conhece. Já passei pelas duas situações mais de uma vez.

Nessa ânsia de querer conhecer as pessoas e fazê-las trabalharem juntas da melhor forma possível, alguns gestores acreditam que precisam fazer várias dinâmicas, essa é uma abordagem para a questão. Eu acredito que exista um caminho mais saudável.

O risco que existe nessa primeira alternativa é o do time não comprar a ideia e acabar fazendo apenas por conta do gestor marcar a reunião. Principalmente num início de relacionamento, as pessoas não se sentem à vontade para dizer que não vão participar. Isso pode fazer com que toda a dinâmica vá por água abaixo.

Por isso, qualquer dinâmica como essa deve ser comprada pelo time. Quando o time compra a importância desse tipo de evento, o próprio time pede por elas ou acaba fazendo-as. Esse foi o caso da dinâmica da escalada, que foi organizada por uma pessoa não gestora.

Na minha experiência, o time marcar esse tipo de dinâmica é a exceção, o time pedir para fazer não é tão incomum. Basta que eles entendam a necessidade.

No fim, o que aprendemos com a dinâmica da escalada?

Nessa dinâmica nós vimos como a confiança nas pessoas que trabalham conosco é importante nas relações do dia-a-dia. A primeira vez que eu estava descendo da parede, me senti desconfortável, com medo. Não tinha certeza se a pessoa que estava me apoiando iria me segurar, se o equipamento iria aguentar, etc.

Aprendemos também que as pessoas são diferentes, cada um com uma força que não conhecemos. Lembro-me de quantas vezes a Sandra Campos Batista, que não estava em seu melhor estado de saúde, nos mostrou como a resiliência é importante em frente ao desconhecido. Ela foi a pessoa que mais escalou e nos deu uma aula de resistência.

Particularmente, como gestor, eu aprendi que nem todas as dinâmicas vão sair dos livros e dos posts sobre o assunto. Às vezes, as melhores dinâmicas são aquelas vindas das experiências de outras pessoas.

No próximo post falarei um pouco sobre os êxitos que tivemos com outras dinâmicas que fizemos.

Valeu.

Contribuíram: Luiz Henrique, Figaro e Leticia Valentini.

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