Obsolescência programada e inversa

Do que se trata a obsolescência programada?

Também conhecida como obsolescência planejada, construída ou dinâmica, se trata de uma política de planejamento de produtos com uma vida-útil artificialmente determinada. Quando o produto atinge o final desta vida-útil artificialmente determinada, ele de alguma forma se torna obsoleto, isto é, não mais funcional ou desinteressante.

A intenção por trás da estratégia é evitar a saturação do mercado por criar um ritmo de consumo acelerado e alimentado pela necessidade de substituição. A técnica é, porém, arriscada, ao ponto em que uma concorrente pode aproveitar a situação para expor serviço ao consumidor ou a verdadeira intenção da que exerce a obsolescência programada.

Vale notar que a obsolescência programada ocorre tanto através da marginalização ou exclusão de características de software, quanto de hardware. Em exemplo, o primeiro pode ocorrer pelo bloqueio de uma função no sistema de um smartphone após o lançamento de um suposto substituinte, enquanto o segundo ocorre pela proposital resistência duvidosa de materiais de eletrodomésticos ou o ato da ineficiência forçada, conforme o passar do tempo, do processador de um smartphone, ato também conhecido como underclocking.

Como, quando e onde a técnica comercial surgiu?

O conceito de obsolescência programada que mantemos hoje teve início em 1924, apesar de não contar com as especificidades modernas que engajam a continuação do consumo. Quando a indústria automobilística Americana começou a alcançar a saturação, Alfred P. Sloan, presidente da General Motors sugeriu a criação de modelos anuais com menores mudanças para convencer donos de automóveis a comprarem um novo modelo pela invenção de uma falsa “necessidade”, comumente conhecido na Sociologia como fetichismo de consumo. A estratégia, que já era utilizada no mercado de bicicletas, era criticada como “obsolescência programada”, o quê Sloan preferia chamar de “obsolescência dinâmica”.

Eventualmente, questões além do design do produto passaram a ser abordadas para que a obsolescência programada se tornasse mais convincente. A qualidade dos materiais investidos na confecção passou a obedecer uma regra de “evolução” por preço e tempo. Como resultado, a técnica teve importante efeito para o campo do negócio automobilístico, o campo de design de produtos e do mundo do comércio em si.

A técnica funciona?

A resposta pode variar entre situações, como por exemplo, entre afetados. Em ocasiões de usuários mais leigos ou desinteressados no cenário da tecnologia, diante de uma concorrência de opções desinteressantes ou a preferência cega por uma linha ou marca, a técnica realmente funciona. O vídeo “IDIOTS” é uma crítica-humorística à uma das maiores adotantes da obsolescência programada na atualidade, a Apple.

Na descrição do vídeo, o criador cita que “Todos temos um i-diota dentro de nós”.

É neste ponto que a concorrência deve avantajar-se da tática, oferecendo uma opção viável e que entregue tanto quanto a marca qual o consumidor já era fiel. Neste ponto entra a importância da persuasão e convencimento da concorrente.

O Marketing de Oportunidade

Na maioria das vezes, conquistar o consumidor da equipe concorrente acaba por ser um grande desafio. O principal motivo disto acontecer é não só a comodidade pela qual a maioria destes consumidores se encontram, mas na tentativa de convencer que muito mais pode ser entregue e na desmistificação de uma marca. Para que esta intenção seja um sucesso, o marketing de oportunidade pode ser uma ferramenta potente de convencimento.

Um recente exemplo da espécie de marketing de oportunidade no cenário da tecnologia é a grande divulgação dos serviços prestados pela Google através do aplicativo Google Fotos, que oferece espaço ilimitado e backup automático gratuitamente. Pouco tempo antes da divulgação da informação, diversas reclamações em relação ao serviço de backup de fotos oferecido pela Apple através do iCloud se intensificaram e demonstraram insatisfação com as limitações, os preços e a funcionalidade da rede.

Apesar de não representar um produto específico em si, a situação se trata de um marketing de oportunidade e a Google é responsável por enorme parte dos serviços do sistema operacional Android, uma possível opção para insatisfeitos com o iOS, sistema operacional dos smartphones da Apple.

Obsolescência Inversa?

Por mais estranho e sem sentido que possa soar, ela existe. A obsolescência inversa pode ser identificada em produtos que removem funções com o objetivo de forçar a compra de produtos vendidos separadamente do principal. O anúncio do iPhone X foi repleto de fatores que remetem à obsolescência inversa, assim denominada por se tratar de um processo inverso à obsolescência comum: Neste caso, os produtos mais recentes parecem menos interessantes e lançam com menos funções que os produtos anteriores, assim dificilmente incentivando o consumo contínuo.

Para valor de exemplo, o iPhone 8 acaba por ser muito mais interessante do que seu “sucessor” iPhone X (“10”), pelo fato de que: Funcionalmente, ambos os modelos são idênticos; A tecnologia de identificação por digital é comprovadamente funcional, enquanto a de identificação facial não é; O iPhone 8 tem a maioria das funções mais interessantes que o iPhone X tem; O preço do iPhone X é consideravelmente maior que o do iPhone 8. Este caminho estranho de decisões começou, porém, já no iPhone 7, quando a Apple decidiu remover a entrada convencional de fones de ouvido para forçar a compra dos Airpods, fones de ouvido anunciados em conjunto ao modelo, alegando que a espécie de entrada “é muito antiga”.