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Tem que manter isso, viu? — Episódio 6

Por que as pessoas não estão nas ruas?

por Gustavo Laet e Rafa Spoladore

Neste episódio, buscamos responder a seguinte questão: por que, mesmo diante da escalada dos absurdos da política brasileira, as pessoas não estão na rua, como estiveram em 2013 e 2015-2016? Temos o governo Temer completamente afundado num mar de lama, sobram motivos para manifestações, e, como já discutimos outras vezes, a Dilma caiu por muito menos. Constatamos que a resposta não é fácil, nem muito menos única, e levantamos ao menos 10 pontos que podem ajudar a pensar o que pode estar acontecendo conosco.

Baixe aqui: TQMIV — Episodio 6.mp3

Referências:


Excepcionalmente porque nós efetivamente conseguimos listar um quantidade de fatores relevantes para a discussão, listamos aqui os 10 pontos que abordamos na nossa tentativa de responder à questão de por que as pessoas não estão nas ruas.

  1. Por vergonha.
  2. Devido a um sentimento de impotência diante da situação.
  3. Por um certo niilismo em relação à política: “o Brasil segue seu rumo apesar da política”.
  4. Porque talvez faça parte da nossa cultura a alternância entre estar e não estar na rua.
  5. Por medo, considerando o aumento de mecanismos (promovidos pela classe política) de desincentivo e de efetiva repressão às manifestações populares.
  6. Devido à polarização e à birra das posições polares.
  7. Porque ainda não chegou o momento certo de ir para as ruas, ou porque ainda não surgiu um movimento de rua com que Eu esteja 100% de acordo.
  8. Porque a atual proliferação de novos movimentos progressistas (Agora, Acredito, Brasil 21 etc.) gera dispersão.
  9. Devido à ilusão da efetividade do “espaço público” promovido pelas redes sociais — a autoilusão de que o engajamento online é efetivo.
  10. Devido a uma desilusão com a realidade bruta escancarada pela desfaçatez com que o governo Temer e os congressistas realizam suas negociatas e naturalizam o modus operandi podre da política brasileira, dissolvendo qualquer possibilidade de uma política ideológica (que, em doses moderadas parece ser saudável).