
EP6 — Por que as pessoas não estão nas ruas?
10 respostas pra essa pergunta
Aug 29, 2017 · 2 min read
por Gustavo Laet e Rafa Spoladore
Neste episódio, buscamos responder a seguinte questão: por que, mesmo diante da escalada dos absurdos da política brasileira, as pessoas não estão na rua, como estiveram em 2013 e 2015-2016? Temos o governo Temer completamente afundado num mar de lama, sobram motivos para manifestações, e, como já discutimos outras vezes, a Dilma caiu por muito menos. Constatamos que a resposta não é fácil, nem muito menos única, e levantamos ao menos 10 pontos que podem ajudar a pensar o que pode estar acontecendo conosco.
Listamos aqui os 10 pontos que abordamos na nossa tentativa de responder à questão de por que as pessoas não estão nas ruas.
- Por vergonha.
- Devido a um sentimento de impotência diante da situação.
- Por um certo niilismo em relação à política: “o Brasil segue seu rumo apesar da política”.
- Porque talvez faça parte da nossa cultura a alternância entre estar e não estar na rua.
- Por medo, considerando o aumento de mecanismos (promovidos pela classe política) de desincentivo e de efetiva repressão às manifestações populares.
- Devido à polarização e à birra das posições polares.
- Porque ainda não chegou o momento certo de ir para as ruas, ou porque ainda não surgiu um movimento de rua com que Eu esteja 100% de acordo.
- Porque a atual proliferação de novos movimentos progressistas (Agora, Acredito, Brasil 21 etc.) gera dispersão.
- Devido à ilusão da efetividade do “espaço público” promovido pelas redes sociais — a autoilusão de que o engajamento online é efetivo.
- Devido a uma desilusão com a realidade bruta escancarada pela desfaçatez com que o governo Temer e os congressistas realizam suas negociatas e naturalizam o modus operandi podre da política brasileira, dissolvendo qualquer possibilidade de uma política ideológica (que, em doses moderadas parece ser saudável).
Referências:
- O mito do sistema político perfeito: Congresso busca algo que não existe (Fernando Rodrigues)
- A anatomia dos acontecimentos (Wladimir Safatle)
- Fooquedeu. Mas não deu (Nuno Ramos)
- Illusion and Well-Being: A Social Psychological Perspective on Mental Health (Shelley E. Taylor e Jonathon D. Brown)

