Experiência do Consumo na Era Digital: um olhar a partir da arte

Juliana Rangel
Nov 14 · 3 min read
Foto: Pablo Gerson

Se você visitou alguma exposição de arte nos últimos 2 anos, provavelmente se deparou com alguma peça artística ou com algum espaço que apresentasse a arte combinada com a tecnologia. De fato, temos presenciado um momento de crescente uso de novas tecnologias no campo artístico.

É incontestável que o mundo caminha para a transformação digital e que há uma mudança comportamental dos públicos em vários segmentos. Hoje, mais do que nunca, é importante criar momentos a partir do design ou da arte que façam o receptor ter uma experiência “além do olhar”. Que façam com que esse público se sinta pertencente e contribuindo com aquele universo de alguma maneira.

Vemos esse movimento na realidade virtual, nos games, nas instalações interativas e até mesmo nos filtros que hoje são usados no Instagram e que foram usados anteriormente em projetos artísticos.

Alguns projetos são desenvolvidos somente a partir do uso de novas tecnologias. Esse foi o caso da “Floresta Encantada”, uma realidade virtual criada pelo VJ Suave, na Caixa Cultural do Rio de Janeiro; da exposição DISRUPTIVA, trazida pela FILE para o CCBB Rio, que apresentava diversas peças em realidade virtual ou com algum tipo de interatividade ; como o Art Light Rio, no Oi Futuro Flamengo, com obras de Alexandre Mazza, Anaisa Franco e Carmen Slawinski; ou como o Digital Art Museum, criado pelo Team Lab em Tokyo, um espaço voltado para esses tipos de produções.

Já em exposições de pintura, fotografias, objetos e outros suportes, foram usados painéis interativos, projeções ou realidades virtuais como formas de aproximação do time educativo de museus e projetos de exposição. Há também, a criação de novos centros de arte, como o Atelier des Lumières em Paris, que oferece uma verdadeira imersão em obras como a de Klimt, Van Gogh e Katsushika Hokusai.

Mas a questão é: o que determina uma arte tecnológica ou uma arte digital?

Penso que a arte é fruto da sensibilidade de percepção de um artista através do seu tempo, espaço e da sociedade em que vive. Para mim, a função da arte, principalmente a partir da modernidade, é criar questões, dúvidas, apresentar diversos caminhos e deixar o público livre para decidir a maneira e a intensidade como aquilo os toca.

Como as tecnologias digitais têm se infiltrado em praticamente todos os aspectos da nossa vida, também se infiltram na arte. Elas têm servido como suporte para artistas e como forma de engajamento para museus e galerias. Em um mundo cada vez mais codificado, é importante pesquisar o impacto dessas ferramentas e se perguntar quais programas ou obras podem ser criadas para expressar as novas questões da experiência humana, ampliando nossas capacidades afetivas.

Essas novas formas de consumir e produzir arte não mudam a sua função de explicitar dúvidas e criar caminhos. É possível usar a tecnologia na arte para falar de assuntos como sustentabilidade, biodiversidade, gênero, sexualidade. Todos os temas e questionamentos são válidos e podem ser abordados. O que de fato vai sempre predominar na arte é a troca com a sociedade. E essa troca incentiva a humanização das pessoas, mesmo que elas estejam conectadas.

Remix.Templo

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