TAS: Tool Assisted Speedruns
No mundo dos jogos, é frequente um jogador se deparar com o termo speedrun: o ato de jogar por um jogo completamente da forma mais rápida o possível. Divididas em diversas categorias como completar o jogo de qualquer forma, incluindo bugs; completar obtendo todos os itens ou completando todos os objetivos; ou qualquer outro parâmetro decidido pela comunidade ao redor do jogo, speedruns se popularizaram nos últimos anos devido a serviços de stream como Twitch.tv e maratonas focadas em adquirir dinheiro para doar para uma caridade.
As speedruns em sua maioria são feitas por jogadores humanos; classificadas como RTA ou IGT — Real Time Attack, que é o ato de contar o tempo a partir de quando um jogo começa e quando acaba (condições podem variar, mas essa é a mais comum), ou In Game Time, onde o tempo é contado a partir do tempo mostrado dentro do jogo. Porém, existe uma categoria onde o jogo não é jogado em tempo real, mas sim construída cautelosamente com ajuda de ferramentas, criando uma possível speedrun perfeita. E é daí que vem a TAS: Tool Assisted Speedrun.
A Tool Assisted Speedrun é, como o nome diz, uma speedrun realizada com ajuda de ferramentas. Normalmente, um ser humano normal não consegue realizar mais de um comando entre alguns frames dentro de um jogo; porém, com o uso desses utensílios, isso se torna possível. As ferramentas normalmente são emuladores, mas também podem ser bots. Caso não saiba o que é um emulador, recomendo a leitura do artigo, que explica sobre o que são de maneira fácil de entender.
Um runner pode enviar comandos através de um emulador que serão realizados durante o período de um frame no jogo; e pode editar tais comandos livremente, ou seja, pode voltar o tempo no jogo com save states (como se você tivesse salvo um arquivo e abrisse ele para voltar a editar ele a partir daquele ponto, só que em um jogo) e avançar frames para mudar os comandos feitos.
Isso abre um mundo de possibilidades para speedruns, já que você pode otimizar o movimento dentro de um jogo ao máximo; mas também serve para outras coisas, como descobrir glitches que permitem aos jogadores pularem seções do jogo ou conseguirem itens importantes mais cedo, fazendo com que uma speedrun seja mais rápida, ou até mesmo como reproduzir um glitch consistentemente — a parte difícil é descobrir um que possa ser reproduzido por um ser humano.
Devido ao fato de uma TAS ter o uso de ferramentas fora do jogo, ela não pode “competir” contra speedruns de jogadores para decidir quem é mais rápida; afinal, seria injusto comparar algo meticulosamente planejado para ser o mais rápido o possível, contra algo jogado em tempo real por um ser humano. Além de que, como uma TAS é construída cuidadosamente, o tempo que uma pessoa passa construindo uma speedrun nesse estilo pode durar de dias a meses.
Mas de onde isso surgiu? Algumas fontes citam o jogo DOOM, onde a comunidade ao redor do jogo estava tentando inventar ferramentas para fazer com que o jogo ficasse mais devagar, permitindo movimentos mais precisos por parte dos jogadores — ou seja, uma playthrough assistida por ferramentas.
Porém, a categoria TAS só se popularizou em meados de 2003, a partir de um vídeo de uma speedrun do jogo Super Mario Bros 3, postada por um jogador chamado Morimoto. Na época, muitas pessoas pensaram que ele era apenas um jogador muito habilidoso, ou que havia editado o vídeo para fazer uma speedrun perfeita. Algum tempo após o lançamento do vídeo, Morimoto postou novamente, explicando como realizou a speedrun: utilizando ferramentas para maximizar o seu movimento pelo jogo. Muitas pessoas ficaram bravas; já que utilizar ferramentas para uma speedrun, na época, era considerado trapaça, mas com o tempo entenderam o potencial de se utilizar uma ferramenta em speedruns, desde que classificadas diferente de speedruns normais. A partir daí, o “taboo” de se usar ferramentas foi dissipando pouco a pouco, permitindo várias descobertas e o desenvolvimento de tecnologias mais avançadas para permitir jogadores a fazerem um TAS com menos dificuldade do que o normal.
A influência de Tool Assisted Speedruns pode ser vista por várias formas: certos glitches só foram descobertos com a utilização de emuladores e ferramentas, assim como maneiras de serem reproduzidos por seres humanos. Por causa disso, várias speedruns tiveram seu tempo cortado no meio, ficando otimizadas. Até em tempos recentes o TAS vem ajudando speedrunners a descobrirem novas maneiras de completarem os jogos mais rápidamente. Além disso, também ajudaram os jogadores a entenderem seus jogos, já que o uso de ferramentas necessita entender como o jogo funciona por dentro, olhando o código e possíveis coisas estranhas neles.
Por outro lado, algumas pessoas usam o TAS como forma de entretenimento — estudando o código do jogo e como burlar o mesmo para criar resultados inusitados que normalmente não deveriam dar certo, porém funcionam. Um exemplo disso é o “TAS-bot”, que faz parte de um bloco no evento “Games Done Quick”, que acontece em Julho e Janeiro. A equipe por trás do TAS acham maneiras de modificar o jogo original criando algo completamente diferente; como em um jogo de matemática, onde a resposta é desenhada pelo jogador, mas o TAS acaba fazendo algo completamente diferente.
Enquanto a direção que a categoria TAS pode tomar no futuro é incerta, é possível assumir que com a popularização de jogos VR e speedruns dos mesmos, a comunidade tente criar ferramentas ou emuladores que permitam aos usuários enviar comandos que simulem os de um ser humano mexendo o braço; algo que já acontece nos tempos atuais com TAS de jogos do Nintendo Wii.
