Propaganda intrusiva

A propaganda surgiu como uma oportunidade de meio de comunicação para convencer um público especifico a memorizar uma ideia ou adquirir um bem ou serviço, a publicidade e propaganda começa a se organizar quando meios de comunicação em massa são vistos como o melhor portador para o conceito.

Em 1650 são publicados os primeiros anúncios com fins comerciais na Inglaterra em um jornal, em quase cem anos em 1750 os anúncios comerciais já haviam saltado de um média de 6 para 50 por jornal, a forma como a propaganda é feita vai sofrer mudanças e se fortalecer nos séculos seguintes com o surgimento do rádio no final do século 19, com a difusão da televisão no mundo a partir de 1970.

O leitor, ouvinte e espectador, ou seja, o consumidor de meios de comunicação em massa, passou a se acostumar a estar exposto a propagandas e até mesmo as vezes pagar a mais para ter acesso a um conteúdo fechado livre ou com menor taxa de propagandas.

Com a solidificação da internet como mídia e meio de comunicação em massa, não demorou para que a mesma se tronasse alvo de propagandas e empresas, mas diferente dos meios de comunicação em massa antecessores, a internet se tornou mais acessível, de forma a ser mais democrática permitindo que qualquer um pudesse criar sua própria página ou utilizar páginas de terceiros e a partir dela ferramentas que permitiam atingir um público que poderia ser do mundo todo, começou uma era onde qualquer um poderia criar sua própria propaganda seja de uma ideia, bens ou serviços e repassar ela a diante sendo boa ou ruim ou sequer real.

Algumas propagandas de teor enganoso com ofertas irreais e tentadoras visam os usuários desavisados a modo de roubar-lhes dados pessoais ou infectar computadores com malwares que disseminam mais propagandas de terceiros com pop-ups infernais intermináveis pervasivos e maliciosos que tornam a experiência do usuário na rede estarrecedora.

Empresas com “boas intenções” e usuários mal intencionados resgataram um conceito criado, mesmo sem saber, por Gary Thuerk em 1978 em uma época que ainda não havia web como conhecemos hoje, somente ARPANET, em 1 de maio de 78 Gary mandava um e-mail para 400 pessoas com uma oferta de venda de computadores da marca DEC, Digital Equipment Corp, ele havia acabado de inventar o SPAM.

Gary Thuerk inventou o SPAM em 1978

O SPAM foi utilizado amplamente para fins legítimos e ilegítimos até mesmo para divulgar fake news em grandes proporções, com a criação de “bots” era possível atingir milhões de e-mails em pouco tempo, isso acabou forçando empresas responsáveis por fornecer o serviço de e-mail, como a Microsoft com o Outlook e a Google com o Gmail, a criarem o lixo eletrônico que visa combater e-mails de origem suspeita e diminuir o fluxo de mensagens “inúteis” em sua caixa de entrada.

A Google em 2017 prometeu através do Chrome páginas que disseminam conteúdo enganoso, principalmente na última década onde as redes sociais ganharam mais força e destaque, em 2015 por exemplo o Facebook chegou a registrar 1 Bilhão de usuários conectados em um mesmo dia.

As grandes empresas que detém um grande fluxo de usuários na rede em sua maioria atingem este número por fornecerem um serviço útil e na maioria das vezes gratuito para os usuários com ferramentas como YouTube, Instagram, Twitch e etc.

Estas empresas sabem que ao oferecer serviços gratuitos ou com um baixo custo muitas vezes optativo e acessível aos usuários elas conseguem minerar de volta algo muito mais valioso, dados. E com estes dados acoplar em suas ferramentas principais e terceiras o “Remarketing” que através de inteligência artificial consegue direcionar anúncios que “interessam” ao usuário, outras empresas pagam estas empresas maiores que detém um grande fluxo de usuários para que eles captem estes dados e “pesquem” um alvo ideal e direcionem ofertas de bens e serviços delas a um público mais disposto a adquiri-lo. No caso da Twitch(Amazon) e YouTube(Google) é uma forma de remunerar geradores de conteúdos para sua plataforma e incentivá-los a se dedicarem a stream como forma de trabalho e consequentemente incentivar mais pessoas e mais públicos diferentes a aderirem a ferramenta e e plataforma aumentando o fluxo e variedade de dados.

Contudo a forma como a propaganda se dissemina na internet começou a sofrer uma grande quebra por causa de alguns fatores, primeiramente grande parte dos usuários da internet são Millennials e uma de suas características segundo a Outbound Marketing, não são influenciados por propagandas, as propagandas por muitas vezes se torna mais chata que atrativa, eles estão mais interessados na relação que podem construir com uma marca do que acessar um milhão de ofertas diferentes, eles tem a expectativa de terem acesso a entretenimento e informação de forma rápida em qualquer lugar, em termos livres, Millennials não tem “saco” para assistir uma propaganda a cada 5 Minutos.

Gif sobre propaganda nos YouTube que duram 30 Segundos

Se tratando da internet que permite acesso a ferramentas open source que permitem desenvolver gadgets e extensões para browsers compatíveis como o Edge(Microsoft), Chrome(Google)e Mozilla Firefox(Mozilla). Estes gadgets e extensões são ferramentas em sua maioria uteis desenvolvidas por usuários muitas vezes de forma gratuita para as mais diferentes necessidades, não demorou para fosse desenvolvido extensões que permitem identificar e ignorar propagandas, se tratando de uma grande quantidade de usuários da Web que se encaixam na geração Millennials, extensões como AdBlock e outros bloqueadores de propaganda se tornassem um sucesso, estes usuários não querem lidar com o fato de alguém estar tentando vender algo o tempo todo tirando o foco ou dificultando a real intenção do usuário dentro de um site ou ferramenta, gerando até mesmo uma síndrome de “perseguição” onde se tenta antecipar uma necessidade e oferecer um produto para o usuário de acordo com as suas atividades na rede.

Como bloqueadores como AdBlock funcionam

Isto se tornou uma dor de cabeça para as empresas principalmente para aquelas que grande parte da receita dependia dos anúncios, isto forçou as empresas as repensarem como praticam seus anúncios e como oferecem seus serviços de forma gratuita mesmo com as propagandas sendo “boicotadas”.

O principal ponto é que se trata da internet, um ambiente democrático, se uma empresa fornecedora de um serviço gratuito adotar uma postura déspota obrigando de alguma forma o usuário a fazer ou ver algo que ele não quer, pode ocorrer uma debandada em massa de usuários para outra plataforma que oferece o mesmo serviço ou similar de forma também gratuita.

Isto forçou grandes empresas a se adaptarem a um nova realidade, por exemplo a Google, segundo a Meio Bit(Terra), 90% da receita da Google é proveniente de anunciantes, e para ela driblar este “boicote” a anúncios ela repensou a forma de construir a relação com os usuários dos seus serviços e ainda fornecer eles, a Google e mais 16 empresas formaram um coalizão em 2016 chamada Coalition for Better Ads que visa combater anúncios e anunciantes nocivos.

CBA — Coalition for Better Ads

A própria Google em 2017 anunciou que passaria a disponibilizar o seu próprio bloqueador de anúncios nativo para Chrome e que ele estaria de acordo com as regras da Coalition for Better Ads, passou a utilizar propagandas de poucos segundos ou que permitem ser “puladas” em pouco tempo se não forem do interesse do usuário e desenvolveu planos de assinatura mensal a preços acessíveis como o YouTube Premium onde o usuário acessa além do próprio YouTube outros serviços como música e stream de séries e filmes em alta qualidade tudo sem anúncios, para aqueles que ainda assim não toleram nenhum anúncio e permanecem utilizando bloqueadores de terceiros a Google consegue identifica-los mas não os punem de forma aberta ou dificultam o acesso destes usuários ao seu serviços, a Google de forma cordial tenta justificar a forma como utiliza os anúncios e de como seria importante para a manutenção dos serviços gratuitos que o usuário permitisse o uso de AD’s.

YouTubePremium e o Pedido da Google que os usuários parem de usar bloqueadores, algumas das formas que a Google lida para manter seus serviços disponíveis e ainda gratuitos

A forma como a propaganda funciona no meio de comunicação em massa mais difundido da atualidade deve passar ainda por um longo processo de otimização até se tornar confortável e coeso para ambas as partes, por um lado temos usuários que passaram a se acostumar a ter acesso de forma rápida a serviços gratuitos e úteis sem estar expostos a implicações, por outro anunciantes dependem das propagandas para disponibilizarem seus serviços de forma gratuita contudo entenderam que seus usuários não estão mais dispostos a ficarem expostos a um longo período a um conteúdo que por vezes nem se trata do objetivo ou interesse deles, fazendo as empresas repensarem como expõem seus usuários a conteúdo de propaganda ou até mesmo se devem expô-los a propaganda.