O Ministério da Igreja

Lições Bíblicas CPAD Jovens – 1º Trim. 2017 
Comentário sobre a lição 04 – 22/01/17

Texto do dia
E nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai, a ele, glória e poder para todo o sempre. Amém! (Ap 1.6)

Síntese
O ministério da Igreja é um lugar para os servos de Deus, visando o aperfeiçoamento dos santos.

Introdução

Antes de começarmos, o significado de uma palavra precisa estar bem claro em nossas mentes, o significado de “propósito”. O que é um propósito? Leiamos algumas definições:

- Aquilo que se quer alcançar;
- Aquilo que se busca atingir;
- O que se tem itenção de realizar.

Como sinônimos para “propósito”, podemos citar:
finalidade, alvo, objetivo, intento, etc.

Porque precisamos entender este conceito? Por que nosso pastor estabeleceu uma série de objetivos a serem atingidos por nossa congregação em 2017, os quais podem ser resumidos pelo acrônimo CADES:

Comunhão / Adoração / Discipulado / Evangelismo / Serviço

Cada elemento do nosso conjunto de propósitos está presente nas lições bíblicas desse primeiro trimestre; por ora, podemos identificá-los de maneira mais marcante nas lições 2 e 4. Um dos propósitos sintetiza bem tudo que o ministério da Igreja realiza aqui na terra: serviço. Concluo esta breve introdução com as palavras da introdução da nossa revista:

(…) E o que é, essencialmente ministrar? É dar ordens, ter prerrogativas de privilégio, ou estar em uma plataforma falando às pessoas? Não. Ministrar é servir. Aquele que ministra o faz porque é servo de Deus em primeiro lugar, e servo de seus irmãos, pois assim foi comissionado por Deus. Nesta lição, trataremos da importência do ministério na Igreja e do ministério de todos os crentes diante de Deus e dos homens.

I. O Que é Ministério

1. Ministério é uma forma de adorar a Deus

Mais uma vez precisamos recorrer a uma definição, e a palavra da vez é adoração. O que é adorar? A lição 2 nos oferece uma ótima explicação:

Adorar envolve mais do que cânticos e louvores. Envolve ter uma vida que agrade a Deus e que seja um exemplo de serviço a Ele e aos membros do Corpo de Cristo. Quando entendemos que servir faz parte do ministério de Cristo (Mc 10.45), entendemos também que nossa adoração a Deus , no “aspecto vertical”, deve ser desenvolvida no “aspecto horizontal”, quando nos dispomos a ser servos uns dos outros.

No contexto do verso citado acima (Mc 10.45), Jesus nos convoca para uma vida de serviço falando de si mesmo; já em João 13.13–15, o Senhor nos dá um exemplo prático de serviço ao próximo:

Vocês me chamam ‘Mestre’ e ‘Senhor’, e com razão, pois eu o sou. Pois bem, se eu, sendo Senhor e Mestre de vocês, lavei-lhes os pés, vocês também devem lavar os pés uns dos outros. Eu lhes dei o exemplo, para que vocês façam como lhes fiz. (João 13.13–15 NVI)

Em sua carta aos Filipenses Paulo nos chama para seguirmos o exemplo deixado pelo Mestre que, mesmo sendo Deus, tornou-se servo (Fp 2.5–7).

Podemos concluir este primeiro subtópico “brincando” com as palavras, pois ministério, adoração e serviço são termos, de certo modo, intercambiáveis:

Ministério é adorar, adorar é servir, servir é adorar, ministério é servir…

2. Ministério, adoração e fé

Muitos seguem por um caminho de idolatria, adorando imagens sem vida, falsos deuses, pessoas do passado, a natureza, etc. Não se pode estabelecer um relacionamento pessoal com nenhuma dessas coisas! Felizmente não é assim com o nosso Deus, que se revela a nós, cuida de nós, reponde orações, etc. Ele está vivo!

Alguns podem dizer que crêem em Deus e até que adoram a Deus, mas que não crêem que Jesus é o Seu Filho. Uma “adoração” assim é impossível. Vejamos o que a Palavra nos diz sobre Jesus:

Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai. (Fp 2.9–11)

Muitos outros versos nos exortam para o indispensável reconhecimento da pessoa de Jesus, o Filho de Deus, que é o próprio Deus feito homem:

  • Quem me vê, vê aquele que me enviou. (João 12.45);
  • Quem me vê, vê o Pai. (João 14.9);
  • Qualquer que nega o Filho, também não tem o Pai; mas aquele que confessa o Filho, tem também o Pai. (1 João 2.23);
  • Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida. (1 João 5.12);

Este subtópico fala ainda de nos comportarmos de modo a demonstrar que adoramos o Senhor. Penso que dois versos falam muito bem dessa relação:

Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? (Tiago 2:14)

Se algum irmão prega, fale como quem comunica a Palavra de Deus; se alguém serve, sirva conforme a força que Deus provê, de maneira que em todas as atitudes Deus seja glorificado mediante Jesus Cristo, a quem pertencem a glória e o pleno domínio por toda a eternidade. Amém! (1 Pe 4.11 KJA)

3. Ministério é serviço

Diante do que já temos dito, deve estar mais claro agora, o conceito de ministério. Neste subtópico aprofundaremos um pouco mais este conceito.

De acordo com a Palavra, podemos pensar no serviço cristão em pelo menos três aspectos:

(1) O suprimento de necessidades de membros do corpo
Uma passagem muito emblemática é Atos 6.1–3. Em sua grande maioria, a tradição cristã evangélica entende que ali nascia o diáconato, o “servir às mesas”. Se lermos o verso 3 na versão King James Atualizada, notaremos que esta versão cita a palavra ministério, já a Almeida Século 21, utiliza a palavra serviço. Outro exemplo dessa natureza encontra-se em Atos 11.29.

Portanto, irmãos, escolhei dentre vós Sete homens de bom testemunho, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste ministério. (At 6.3 KJA)

(2) A ajuda de amor oferecida às pessoas, particularmente aos pobres
É iteressante notarmos aqui, que um serviço prestado aos homens é também um serviço prestado a Deus. Este conceito está bem claro em Mt 25.37–40:

Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos? E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? 
E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.

(3) Qualquer atividade que contribua para o bem da comunidade de fé
A base para nossas ações deve ser o amor. Seguindo o mandamento de Cristo (João 15.12), nossas ações serão pensadas tendo em vista o aperfeiçoamento dos que estão à nossa volta.

Por isso, esforcemo-nos em promover tudo quanto conduz à paz e ao aperfeiçoamento mútuo. (Rm 14.19 KJA)

Portanto, cada um de nós deve agradar ao próximo, visando o que é bom para o aperfeiçoamento dele. (Rm 15.2 KJA)

Como ajudador, temos o Espírito Santo, que nos dá dons e produz em nós um caráter transformado à medida que nos enchemos d’Ele, o que chamamos de “Fruto do Espírito” (Gl 5.22,23).

II. O Ministério Sacerdotal dos Crentes

1. Ministério no Antigo Testamento

Neste subtópico o comentarista fala do ministério dos sacerdotes e do ministério dos profetas; falando sobre eles, Boyer (1998, p. 555) afirma:

A ideia fundamental de sacerdote é a dum mediador entre o homem e Deus. 
O sacerdote apresenta-se entre o homem e Deus, como na verdade aparece o profeta entre Deus e o homem. O sacerdócio atestava a vida pecadora do homem, a santidade de Deus; e por consequência a necessidade de certas condições para que o pecador pudesse aproximar-se da divindade. O homem devia ir a Deus por meio dum sacrifício e estar perto de Deus pela intercessão.

2. Ministério no Novo Testamento

Como temos visto até aqui, a ideia de ministério no Novo Testamento está relacionada a serviço e diz respeito aos salvos em Cristo fazendo parte de um ministério como sacerdotes de Deus. Este sacerdócio não acontece nos moldes do Antigo Testamento. Um dos aspectos do sacerdócio universal dos crentes diz respeito ao sacrifício de Cristo – uma vez que Cristo se ofereceu como sacrifício único e perfeito, não dependemos mais de um sacerdote, todos nós temos acesso direto ao trono da graça.

Sobre este aspecto do sacerdócio, o bispo anglicano Josep Rosello comenta:

Somos sacerdotes de nós mesmos, no sentido de podermos prestar culto diretamente a Deus, através de Jesus Cristo, sem intermediário algum. É o que o apóstolo diz em 1 Pedro 2.4,5: “Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo.” Os sacrifícios eram prestados pelos sacerdotes e eram materiais; precisavam ser agradáveis a Deus para que fosse aceito por Ele; o mediador era o próprio animal sacrificado que figurava o Messias. Hoje o culto é espiritual, mas precisa ser agradável a Deus e é realizado pela mediação do Cordeiro de Deus, Jesus Cristo. Quando cultuamos a Deus através de Jesus Cristo, exercemos o sacerdócio que nos foi delegado.

Este é o primeiro aspecto do sacerdócio universal dos crentes. O segundo aspecto diz respeito aos cristãos como portadores de uma mensagem. Este aspecto é mais enfatizado por nossa revista; sobre ele, o bispo Rosello afirma:

O segundo aspecto do sacerdócio do crente está no sentido da intermediação entre pessoas e Deus. Não como era a função do sacerdote de Israel, que recebia do povo o animal a ser sacrificado e o apresentava a Deus, como um mediador aparentemente direto, mas em uma intermediação indireta, como veículos de uma mensagem que leva ao perfeito e único Mediador, Jesus Cristo. Observe-se as palavras do apóstolo em 1 Pedro 2:9: “Vós, porém, sois nação eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.”

3. O cristão como um sacerdote

Mais uma vez, precisamos deixar claro que o sacerdócio do crente não se dá nos moldes daquele do Antigo Testamento. O comentarista Alexandre Coelho deixa bem claro que atuamos como mediadores da mensagem da salvação. O já citado bispo Josep Rosello arremata a questão dizendo:

O crente faz parte do povo de Deus e exerce um sacerdócio real com a finalidade de proclamar, pregar, anunciar, as virtudes do nosso Salvador, Jesus Cristo. Ou seja, exercemos um sacerdócio mediador no sentido de veicularmos a mensagem que pode levar o homem a Cristo que, por sua vez, é o único que pode levar o homem a Deus.

III. O Ministério da Comunhão e da Reconciliação

1. A reconciliação

É fato bíblico que todos pecaram e estão afastados de Deus por causa do pecado (Is 59.2; Rm 3.23). O cristianismo é a única religião que oferece uma solução definitiva (a única solução) para o problema do pecado. Como bem disse o apologeta Ravi Zacharias, Cristo não oferece apenas perdão, mas redenção. Temos então a oportunidade de nos unir a Deus mesmo antes de chegarmos à outra vida. Havia uma situação de inimizade, mas, com o sacrifício de Jesus na cruz a amizade é restaurada.

A Igreja do Senhor é a portadora desta maravilhosa mensagem (2 Co 5.19). Nas palavras de Klaus (2015, p. 600), “A Igreja é o estandarte da reconciliação entre a humanidade e Deus.”

2. A reconciliação é obra divina

Quando falamos em doutrina da salvação, precisamos ter em mente que a iniciativa é sempre de Deus. Chega de erros crassos e de chavões como “dê um passo para Deus e Ele dará outro para você!”. Isso não é Evangelho, é Pelagianismo. Por mais que a intenção do pregador seja muito boa, clichês como esse não explicam nada sobre a boa nova de salvação; a verdade bíblica é que Deus já deu o primeiro passo. Pode parecer um patrulhamento ou uma preocupação à toa, mas o fato é que erros como esse prestam um verdadeiro desserviço ao Evangelho, pois falam do que ele não é.

O blogueiro Francisco Barbosa oferece um ótimo comentário sobre o assunto:

(…) a seqüência lógica é: propiciação implica reconciliação da parte de Deus. Propiciação é a causa, reconciliação da parte de Deus é o efeito: a morte de Cristo propiciou a Deus e, conseqüentemente, pela sua parte Deus está reconciliado, faltando ao homem reconciliar-se: arrepender-se, crer, humilhar-se, render-se, receber (2 Co 5.18–20; Rm 5.10). Portanto, podemos ver a obra da reconciliação em dois instantes de tempo: a. (1) Desde a eternidade passada, em propósito; (2) no madeiro, em efetivação; e (3) para sempre: Deus reconciliou Ele mesmo com o mundo, através de Jesus Cristo; a iniciativa, a providência e a consecução são todas e somente de Deus! (2 Co 5.18–19). b. Agora: o homem necessita se reconciliar com Deus através de Jesus Cristo (2 Co 5.20).

Não custa lembrar que o ‘arrepender-se’ e ‘crer’ não tiram o mérito de Deus como responsável pela salvação do homem; de fato, o homem só consegue se arrepender e crer porque teve seus olhos espirituais abertos pela graça de Deus, que veio antes, tornando-o capaz de perceber sua total depravação e os benefícios da salvação em Cristo; outra vez a iniciativa foi de Deus.

3. A comunhão

Olhando para o início da Igreja, lá no dia de Pentecostes, percebemos facilmente que a comunhão era uma característica marcante daquele grupo. Em Atos 2.42–47 algumas palavras merecem atenção:

E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar.

De fato, este é o texto muito usado como exemplo quando o assunto é comunhão, e não é para menos, afinal, vemos nesse trecho todas as características de uma verdadeira comunhão avivada, como sugere o termo ‘comunhão’ no original grego (koinonia), que dá a ideia de participação e compartilhamento, indo muito além de simplesmente “estar junto”. 
Uma comunidade alegre, feliz, simples, amorosa… Essa é a vontade de Deus para o nosso bem e para o alcance de outros, pois o amor presente em nós, constitui-se como o maior argumento de que somos discípulos de Cristo e de que vale a pena estar com Ele.

Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros. (Jo 13.35)

Cabe aqui uma importante declaração de Klaus (2015, p. 601) sobre a comunhão cristã:

Deus não pede nossos conselhos a respeito de quem Ele trará à Igreja. Gálatas 3.26–29 deixa claro que todas as barreiras entre Deus e a humanidade, levantadas ao longo da história, bem como as barreiras entre uns seres humanos e outros, foram tornadas irrelevantes por Cristo. (…) 
Quer sejamos ricos ou pobres, cultos ou incultos, talentosos ou imperitos, e independentemente de nossa etnicidade, não devemos desprezar uns aos outros nem imaginar que temos uma posição de superioridade em relação aos outros diante de Deus. Não há favoritismo com Deus (Ef 6.8; Tg 2.1–9).

O que falar do partidarismo e das dissensões? Sem dúvida, a falta de unidade é prejudicial para o Corp. Naturalmente não estamos falando de questões puramente secundárias ou terciárias, onde devemos dar lugar à tolerância e ao bom senso, mas devemos ser uníssonos em questões essenciais (1 Co 1.10; Rm 12.16a; 2 Tm 4.3), esta é a vontade de Deus e um princípio básico para a boa convivência e para o avanço da obra de Deus.

Siglas

KJA – King James Atualizada
NVI – Nova Versão Internacional

Bibliografia consultada:

  • BARBOSA, Francisco. – Lição 4: O Ministério da Igreja. Disponível em Auxílio ao Mestre;
  • ROSELLO, Josep. – O Sacerdócio Universal dos Crentes. Disponível em Café com o Bispo
  • BOYER, Orlando Spencer. Pequena Enciclopédia Bíblica. 7. ed. São Paulo, SP: Editora Vida, 1998.
  • KLAUS, Byron D. A Missão da Igreja In: HORTON, Stanley M. (Ed.). Teologia Sistemática: uma perspectiva pentecostal. Rio de Janeiro, RJ: CPAD, 1996.
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