O Nascimento de Jesus

Lições Bíblicas CPAD - 2º Trim. 2015
Comentário sobre a lição 02 - 12/04

Nossa proposta é divulgar anotações - breves recortes daquilo que lemos, vemos, ouvimos, e/ou pensamos - portanto, nosso comentário não é aprofundado.

Ponto Central: Jesus veio ao mundo como um de nós para salvar os perdidos

Jesus e João Batista

Em Lucas o relato do nascimento de Jesus é precedido pelo relato do nascimento de João Batista, profeta que anunciou a chegada do Messias.
Dada a importância da tarefa, percebemos o cuidado do Senhor em escolher um profeta singular. A seu respeito o anjo Gabriel disse que seria “grande aos olhos de Deus” e cheio do Espírito Santo desde o ventre (Lc 1.15).
Mais tarde o próprio Jesus dá testemunho a seu respeito:

Digo-lhes a verdade: Entre os nascidos de mulher não surgiu ninguém maior do que João Batista; (Mt 11.11a)

O teólogo Evans (pg. 36,37) observa uma série de paralelismos enre os nascimentos de João e Jesus presentes no Evangelho de Lucas:

  1. Para os dois casais um filho era algo inesperado: Isabel era anciã e estéril (1:7), e José e Maria ainda não haviam se casado (1:26,27);
  2. O anjo Gabriel aparece a um dos pais de cada criança (a Zacarias, 1:11–19; a Maria, 1:26–38);
  3. Ambos os futuros pais ficaram perturbados (Zacarias, 1:12; Maria, 1:29);
  4. A ambos o anjo diz que não temessem (a Zacarias, 1:13; a Maria, 1:30);
  5. A ambos se promete um filho (a Zacarias, 1:13; a Maria 1:31);
  6. A ambos o anjo dá os nomes dos filhos (a Zacarias, 1:13; a Maria, 1:31);
  7. Ambos os filhos serão “grandes” (João, 1:15; Jesus, 1:32);
  8. Ambos os pais perguntam “Como?” (Zacarias, 1:18; Maria, 1:34);
  9. A ambos se dão sinais (a Zacarias, 1:20; a Maria, 1:36);
  10. Há alegria pelo nascimento de cada criança (João, 1:58; Jesus, 2:15–18);
  11. Há temor após a circuncisão - no caso de João, os vizinhos reagem em temor sentindo que Deus está operando (1:59–66); no caso de Jesus, os crentes piedosos Simeão e Ana reconhecem que, em Jesus, Deus está operando (2:21–38);
  12. Em ambas as ocasiões cânticos são entoados (por causa de João, o Benedictus, 1:68:79; por causa de Jesus, o Nunc Dimittis, 2:29–32);
  13. Finalmente, Lucas nos fala das duas crianças: “O menino crescia e se fortalecia…” (a respeito de João, 1:80; e de Jesus, 2:40).

O objetivo da lista acima não é exaltar a figura do profeta, mas sim mostrar o quão tremendo foi o seu ministério. Sua tarefa não foi simplesmente dizer que o Senhor estava chegando, mas “preparar o caminho para ele” (Lc 3.4). Para Jesus ele foi mais que profeta:

Afinal, o que foram ver? Um profeta? Sim, eu lhes digo, e mais que profeta.
Lucas 7.26

Apesar da importância de João Batista, o mesmo reconhece a superioridade do Filho de Deus ainda no ventre (Lucas 1.41); e repetidas vezes mais tarde (Lucas 3:15–17, 21, 22). Seguindo a mesma linha de raciocínio, a revista Ensinador Cristão afirma:

As narrativas dos nascimentos de Jesus e de João têm o objetivo de deixar claro, desde o início da obra evangélica, a importância suprema da pessoa Jesus Cristo. Enquanto João tinha pai e mãe, e fora fruto do relacionamento entre Zacarias e Isabel, a narrativa igualmente deixa clara que a mãe de Jesus, Maria, não conheceu homem algum. E que o Filho de Deus fora concebido no ventre de Maria pela obra do Espírito Santo.

Fica portanto, a seguinte reflexão: o anúncio da chegada do Messias demandava a atuação de um ministério profético “especial” - para isso Deus escolhe João Batista. O nascimento desse profeta também foi marcado por sinais maravilhosos.

A simplicidade do nascimento

O anúncio do nascimento foi feito primeiro a pastores de ovelhas, homens simples e desprezados, considerados abomináveis para os judeus. Muitas vezes eram tidos como desonestos e até bandidos. Além disso, a cidade escolhida foi a pequena Belém-Efrata (Miquéias 5.2), que mais tarde foi exaltada:

‘Mas tu, Belém, da terra de Judá, de forma alguma és a menor entre as principais cidades de Judá; pois de ti virá o líder que, como pastor, conduzirá Israel, o meu povo’. - Mateus 2.6

Outro detalhe é que o lugar escolhido foi uma estrebaria; e quando o menino nasceu, foi envolto em panos e deitado em uma manjedoura.
Desde o início o nascimento de Cristo é marcado pela singeleza. A cidade escolhida, o lugar, as pessoas que receberam a notícia… Tudo isso nos mostra que Cristo veio ao mundo para todos, sem nenhuma distinção. Qualquer pessoa neste mundo pode receber o Espírito Santo gerador da vida recebendo Jesus em seu coração, abrigando-o em seu íntimo, aceitando-o como Salvador e Senhor.

…e o deitou numa manjedoura (Lucas 2.7). Não há nada mais real para dizer que não há lugar para esta criança no mundo dos homens. Por outro lado, isso mostra o absoluto desprendimento das riquezas dos homens. O valor está no menino que nasceu, no ser que ele representa.
É possível perceber e sentir que o menino nada carrega consigo a não ser a Verdade e a Vida. - Bíblia Conselheira, SBB

Mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. - Filipenses 2.7 NVI

Cânticos natalinos

Em Lucas temos o registro de quatro cânticos entoados por ocasião do nascimento de Jesus, são eles (na ordem em que foram escritos):

O Magnificat (1.46–55), o Benedictus (1.68–79), o Gloria in Excelsis Deo (2.14) e o Nunc Dimittis (2.29–32).

Seus nomes derivam da versão latina da Bíblia, a Vulgata - são as primeiras palavras de cada cântico em latim. Traduzindo para o português podemos chamá-los respectivamente de: cântico de Maria, cântico de Zacarias, cântico das hostes angelicais e cântico de Simeão.

Cânticos proféticos

A lição cita apenas o cântico de Maria e o de Zacarias, chamando a atenção para a natureza profética de ambos. Vejamos:

Magnificat - Nesse cântico entoado por Maria há citações e alusões aos Salmos, mas o texto mais próximo e comumente aceito como paralelo é o cântico de Ana (em gratidão pelo nascimento de Samuel) que se encontra em 1 Samuel 2.1–10. Sobre a natureza profética deste cântico Evans, pg 41 comenta:

…é possível que a parte mais importante do Magnificai sejam os dois últimos versículos: Amparou a Israel, seu servo, a fim de lembrarse da sua misericórdia, a favor de Abraão e de sua posteridade, para sempre (vv. 54,55). Essa posteridade inclui os gentios bem como os judeus, como se pode ver na promessa de Deus a Abraão (v. Gcnesis 12:3; 17:4,5; 22:18).

Benedictus - Zacarias também faz menção das promessas de Deus feitas a Abraão (Lc 1.73). Em seu comentário bíblico, Evans, pg 46, explica:

A promessa que Deus fizera a Abraão, de que nele Israel e todas as nações seriam abençoadas, está prestes a cumprirse agora, pelo nascimento e preparação de João Batista. O Benedictus encerra-se com um elemento extraído de Isaías 9.1,2. Esse é um ponto crucial, visto que essa passagem messiânica contém a expressão “Galiléia dos gentios”, o que serve de elo entre as tradições messiânicas davídicas e as bênçãos aos gentios, mediante Abraão.

Jesus e o Judaísmo

Como observa Pearlman pg. 254, Paulo registra em Gálatas 4.4 que o Filho de Deus nasceu sob a lei, a saber, cumpriu suas exigências. Assim, vemos seus pais, em Lucas 2.21–24 cumprindo a lei no que diz respeito a ele em duas cerimônias —a da circuncisão e a da apresentação ao Senhor. Por meio da primeira, tornou-se membro da nação judaica e, pela segunda, foi reconhecida a reivindicação de Deus sobre ele como o primogênito da família (v. Êx 13.2–15; 34.19).

CONSIDERAÇÕES FINAIS (extraído e adaptado da bíblia A Mensagem)

Para muitos, Augusto foi o maior imperador de Roma; foi ele quem estabeleceu a Pax Romana (“Paz Romana”), pondo fim às guerras civis que infestavam os territórios romanos. Após a extinção dos piratas e dos inimigos saqueadores, os romanos tornaram possível o comércio num nível nunca antes conhecido.

Quando morreu, por volta de 14 d.C, Augusto foi endeusado por meio de títulos como “salvador do mundo”. Mas a versão oficial de paz terrena não incluía todos. Na orla do império, havia mais derramamento de sangue que antes. As dissidências em províncias como a Judeia eram suprimidas com brutalidade.

Um romano chamado Tácito escreveu um relato sobre a conquista da Britânia (Grã-Bretanha) que registra um comentário do comandante britânico: “saquear, esquartejar, roubar: essas coisas tiram o sentido de império, causam desolação e ainda a chamam de paz!”

Ao reconhecerem a Glória de Deus (Lucas 2.14), os anjos pareciam estar dando a fórmula da paz e da alegria: declarar a soberania de Deus sobre tudo e todos. Assim teremos as bênçãos que alegrarão nossas vidas.
- Bíblia Conselheira, SBB

Bibliografia Consultada:

  • Através da Bíblia Livro por Livro. Myer Pearlman. Ed. Vida
  • Bíblia A Mensagem. Ed. Vida
  • Bíblia Conselheira. SBB
  • Bíblia de Estudo NVI. Ed. Vida
  • Novo Com. Bíblico Contemporâneo: Lucas. Craig A. Evans. Vida, 1996
  • Revista Ensinador Cristão. Ano 16. Nº 62. CPAD
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