Plant e Pay off: semeando pistas no roteiro

ESSE TEXTO TEM SPOILERS DE TODOS OS FILMES AQUI CITADOS.

Não existe técnica de roteiro mais delicada do que o Plant e o Pay off. Como veremos a frente, muitos compreendem seu uso como uma qualidade, um mérito do autor quanto à unidade de sua história. Acontece que a técnica está para o roteiro, assim como o tempero está para a comida, ela pode abrilhantar o sabor quanto roubá-lo completamente.

“ Uma “pista” é um artifício preparatório que ajuda a construir um roteiro bem estruturado. Pode ser uma fala num diálogo, um gesto de um personagem, um maneirismo, um acessório cênico, ou uma combinação disso tudo. À medida que a história se desenvolve, a pista é plantada algumas vezes, o que a mantém viva na mente do espectador. Em geral, perto da resolução da história, quando as circunstâncias dos personagens e também o público já tiverem mudado, surge um “payoff”, aqui chamado de recompensa. Na recompensa, o gesto, acessório cênico ou seja lá o que for adquirem um novo significado.” — Teoria e Pratica do Roteiro, David Howard e Edward Mabley

O plant, também chamado de pista, é portanto qualquer ação, personagem, talento, uma fala, um objeto ou um hábito cuidadosamente pensado pelo roteirista/escritor para ser introduzida em sua história de forma a antecipar seu futuro retorno na trama, onde ganhará um novo significado, incompreendido ou desconhecido em seu primeira menção, sendo assim o Pay Off ou a Recompensa ao público.

O plantio dessas Pistas, então, pode ser utilizado para cumprir diferentes funções. Eles podem então apresentar características de personagens, dar tom e clima, reforçar o tema, simbolizar um conflito, revelar soluções ou definir regras do universo que serão importantes posteriormente.

SEGREDO DOS SEUS OLHOS (2010)

IMPLANTANDO O TEMA

Logo na segunda sequência de O Segredo de seus Olhos, Benjamin, o protagonista, tentar escrever em um caderno, mas flashs de um crime do passado atormentam sua mente. Ele rabisca o que tinha escrito até o momento. No meio da noite, ele acorda e escreve algo em seu caderno de anotações. No dia seguinte, ao acordar ele lê o que escreveu, a palavra TEMO (PLANT).

Depois vai visitar Irene no escritório em que costumavam trabalhar juntos e lhe conta que está escrevendo um romance baseado no caso Morales. Ela lhe presenteia então com sua antiga máquina de escrever, uma velha Olivetti com a letra A quebrada(PLANT).

Ao final do filme, Benjamin termina o livro e ao ver a versão com os As escritos manualmente, se lembra da anotação. Coloca a mão um A, transformando o TEMO em TE AMO, o temor em amor (PAY OFF). Assim, toma coragem e vai até Irene, dizer o que não precisa ser dito.

INDIANA JONES e OS CAÇADORES DA ARCA PERDIDA ( 1981)

IMPLANTANDO CONFLITO

Logo no começo de Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida, Indiana Jones entra em uma avião após o final de sua primeira aventura e é surpreendido pela cobra de estimação de seu piloto. A ação tem como intuito dar um leve susto no público, que ao ver o animal poderia acreditar que Jones estava em perigo novamente, mas acima de tudo serve para implantar um conflito, o medo do destemido aventureiro por cobras. (PLANT)

Quando no MidPoint do filme, Indiana descobre o Poço das Almas, uma câmara secreta procurada pelos Nazistas, ele precisa entrar nela para pegar a Arca Perdida, mas a câmera está cheia de cobras. Estar em um ambiente fechado e cheio de cobras, não é o sonho de ninguém, mas para um aventureiro profissional, destemido e indomável, não deveria ser um problema. Mas não se já foi estabelecido que ele sofre de ofidiofobia, ou seja, fobia de cobras e serpentes. (PAY OFF) Por isso, quando ele precisa entrar no poço repleto de cobras, a ação ganha novos contornos dramáticos, afinal ele precisará enfrentar seus medos para alcançar seu objetivo. Isso cria conflito, que sem o plant inicial, não seria tão desafiador para o personagem, tampouco tão interessante para o público.

LIBERDADE CONDICIONAL (1978)

IMPLANTANDO CARACTERÍSTICAS DO PERSONAGEM

Max Dembo é um assaltante que após seis anos de prisão é colocado em liberdade condicional. Seu agente da condicional estabelece que ele precisa arranjar um emprego e um lugar para morar em uma semana, ou ele será enviado novamente para cadeia. E Max realmente quer um emprego. Quando ele vai para uma empresa de recolocação profissional, ele passa por um teste de datilografia, mas ultrapassa o tempo permitido e continua datilografando até ter a folha de papel arrancada de sua máquina. Max é compulsivo, rebelde e não sabe a hora de parar. Ele só quer “terminar o que começou”. Essa caracterização do personagem é fundamental para sua compreensão e para o conflito do segundo ato. (PLANT)

Quando Max e seu parceiro Jerry resolvem fazer um assalto a uma joalheria em um bairro nobre, eles tem tudo sobre controle, mas precisam ser precisos com o tempo. Só que nós já sabemos que Max é obsessivo e quer levar tudo até o limite ou além dele. Por isso, sua atitude de continuar além do tempo estabelecido, nos parece verossímil e acima de tudo trágica. (PAY OFF)

DE VOLTA PARA O FUTURO (1985)

IMPLANTANDO AS REGRAS DO UNIVERSO

Este uso é muito popular em Ficções Científicas e Fantasias, mas não é exclusiva desses gêneros. O maior uso dessa técnica é para estabelecer questões que não sejam comuns ao público mas que são fundamentais para compreender o universo da trama. Esse tipo de Plant costuma ser chamado de Exposição.

Sobre o pretexto de estar gravando um experimento científico da sua primeiro viagem no tempo, Doc chama Martin ao estacionamento do Shopping e explica boa parte do mecanismo e tecnologia de sua invenção. Nessa cena, ele conta todas as informações importantes para o universo e relevantes para o andamento da história: Qual a velocidade necessária que o carro atinja para a viagem, o funcionamento do carro e seu acionamento, a data em que ele teve a ideia que possibilitaria criar a máquina do tempo, a importância do capacitador de fluxo e da carga de 1,21 gigawatts de eletricidade, assim como a necessidade de se levar plutônio extra para possibilitar o retorno da viagem. A sequência tem oito minutos e nela todos os conflitos do plot principal do filme são alicerçados. Martin viaja para o passado, precisa reencontrar seu mentor no mesmo dia que ele teve a ideia da máquina do tempo e convencê-lo que ele veio do futuro e conseguir 1,21 gigawatts de eletricidade que o permitam voltar para o futuro.

De volta para o Futuro é uma aula de Pistas e Recompensas, pois as pistas se mesclam em plots diferentes, muitas vezes cumprindo funções distintas. A carga de 1,21 gigawatts necessária para a viagem de volta e implantada no estacionamento do shopping será recompensada com uma informação dada antes, um panfleto sobre o raio que caiu na torre e parou o relógio, e guardado por Martin por conter o telefone de sua namorada. Dois plants diferentes, um visual e um verbal, culminam em uma só recompensa.

De volta para o Futuro também trabalha com diversas brincadeiras de repetição que estão mais para o Easter Egg do que o Plat/Pay Off como o Shopping Twin Pines, nomeado por conta da Fazenda Twin Pines, mas que após a viagem no tempo e o atropelamento de um dos pinheiros, acaba se tornando o Shopping Lone Pine (Pinheiro Solitário). Essa informação não tem qualquer função dramática e pouco acrescenta a história, mas a repetição e a inserção desses detalhes demonstra cuidado e costuma atrair o público.

KARATE KID (1984)

IMPLANTANDO SOLUÇÕES

Essa é de longe uma das funções mais facilmente lembradas das Pistas: ajudar na resolução de um conflito. Seja com os aparatos apresentados por “Q” para 007, no início de qualquer filme da franquia e que virá a tona exatamente na hora que o vilão está prestes a matá-lo, ajudando o agente secreto a triunfar. Seja como elementos mostrados inicialmente de forma despretensiosa e que retornar na resolução do roteiro, mostrando sua verdadeira função, como em Um sonho de liberdade, onde Andy Dufresne usa seus talentos contábeis para fazer a contabilidade fraudulenta do diretor do presídio. Ao final, quando ele escapa, descobrimos que ele havia criado uma conta com um nome falso e transferido todo o dinheiro para essa conta, possibilitando condições financeiras de recomeçar sua vida após a fuga. O próprio De volta para o Futuro, citado anteriormente como exemplo de Plants de regras do universo, também está cheio de pistas de soluções como o raio na torre da igreja ou o primeiro beijo dos pais.

Mas nenhum exemplo é mais representativo do que é Plant para implantar Soluções do que Karate Kid. O próprio princípio diegético da ação é exatamente o mesmo de uma Pista, Daniel executa uma ação repetidamente sem entender o seu conceito, parecendo que o gesto é banal. Mas com o conhecimento adquirido ao longo da trama, ele descobre que na real o gesto envolve um significado maior. Encerar, pintar a cerca, remar e se equilibrar na proa de barco são as pistas do conhecimento de Daniel. (PLANT)

Em determinado momento do filme, ele pergunta ao Senhor Myagi quando irá aprender a golpear, sem perceber que na realidade ele já estava aprendendo. Melhor metáfora do que é o Plant/Pistas não há. E ao final, em seu grande confronto contra Johnny, Daniel traz todo o conhecimento adquirido pelo treinamento de seu mestre, é a hora da Recompensa (PAY OFF).

A função dramática desse tipo de Pista é reforçar a unidade, evitando furos de roteiros ou soluções miraculosas que resolvam o conflito sem uma explicação plausível e racional, popularmente resumidos como um Deus ex Machina.

CIDADE DE DEUS ( 2002)

IMPLANTANDO TOM

O Plant e Pay Off é portanto uma forma de Foreshadowing, ou Prenúncio, uma técnica literária. O Foreshadowing na literatura se divide em vários tipos e muitos deles são equivalentes a técnica de Plant e Pay off no cinema, mas nem todo Foreshadowing é Plant/Pay off. Assim, podemos ter Plants/Pistas equivalentes a Foreshadowing Concretos ou Proféticos, sendo os plants proféticos na literatura clássica relacionados diretamente à tragédia, mas atualmente utilizados com a ideia de tom.

Plants Proféticos podem ser realizados através de presságios, profecias , agouro, pressentimento,previsão, prognóstico ou simplesmente falas que remetam ao futuro da trama.

Se beber não Case faz isso quando na cena do brinde entre todos os amigos, um deles brinda em nome de uma noite que nenhum deles esquecera, trazendo ironia como um dos tons de sua comédia.

Já Cidade de Deus usa tons da tragédia ao trazer os efeitos do destino e da ira dos deuses para um drama criminal/social.

Dadinho é nomeado Zé Pequeno em um ritual. Recebe guias para sua proteção e a promessa de poder. Mas as guias vem com um aviso dos deuses, ele não deve “furunfar utilizando as guias”. E em como toda tragédia, Zé Pequeno vai contra a vontade dos deuses e pior, estupra a namorada de Mané Galinha, levando ao seu derradeiro fim.

COMO e PORQUE IMPLANTAR PISTAS

“As repetições são poderosas aliadas do roteirista. Como já dissemos várias vezes, o objetivo do trabalho de escrita do roteiro é dar forma visível a uma percepção sobre algum aspecto da vida (tornar visível o que você “anteviu”). Dizemos que uma coisa tem “forma” quando fica nítida alguma relação entre seus elementos constitutivos. Pegamos uma pedra na beira de um rio e dizemos que ela é disforme (ou não dizemos nada, e a largamos, sem maior interesse) se não percebemos nenhuma relação entre seus contornos ou suas variações de cor. Mas, se a pedra for uma perfeita elipse, ou formar um degradê de tons de vermelho, ou sei lá que outras possibilidades, ela nos interessará. Nossa sensibilidade e inteligência serão estimuladas pelas relações entre os elementos que a compõem. Funcionamos, assim, buscando padrões de repetição e variação. ” — Manual de roteiro: ou Manuel, o primo pobre dos manuais de cinema e TV deLeandro Saraiva e Newton Cannito

Adicionar Pistas e Recompensas em um roteiro pode possibilitar ao público um momento eureka, ou um sentido de epifania, altamente gratificante com uma resposta emocional do público. Isso porque a técnica constrói uma geometria sutil com os elementos da história, inicialmente invisível ao público, mas que quando conectadas, se encaixam como uma quebra-cabeça, por isso mesmo muitas vezes entende-se que o Plant/Pistas e Pay Off/Recompensas estão diretamente ligadas com a unidade de um roteiro, dar aquele ar de um roteiro “redondinho” que boa parte do público gosta e se impressiona.

Quando feita corretamente, ela permite que o leitor adicione o um inicial plantado mais a recompensa e faça o cálculo da história. Isso costuma fazer com o que o público se sinta inteligente, tirando-o de uma posição passiva e para ativamente montar a história em sua cabeça.

As vezes, entretanto se espera que a pista crie um efeito de surpresa que não ocorre, porque o público é capaz de antever o resultado. Obviamente, pode-se plantar pistas que o público se recorde ou observe, mas se a proposta é despertar surpresa, a pista deve ser implantada de forma sutil ou em um contexto diferente que impossibilite ser revelado de forma surpreendente.

“Fala-se em efeito “ Telegrafado” para caracterizar um efeito de surpresa, de medo, ou uma gag que é esvaziada porque podemos prevê-la. Em boxe, diz0se que o lutador “ telegrafa” seus golpes, ou seja, deixa prever por onde vai atacar. O adversário pode, então, preparar a sua guarda. HERMAN fala dos efeitos telegrafados como sendo u “ erro capital que estraga muitas histórias de suspense”. Ele aconselha que se estabeleça os elementos da história sem telegrafar o uso que lhes será dado. ( “Plant without telegraphing”). A arte do roteiro, como já dissemos, consiste em jogar com a previsão do público e, ao mesmo tempo, driblá-la. É o principio de tirara da cartola um coelho diferente daquele que fez o publico esperar- ou num momento inesperado.” — O roteiro de Cinema, de Michel Chion

Outro problema é que por vezes, o roteirista pode pesar a mão na técnica, ou utilizá-la sem sutileza. Assim, como um condimento deve trazer aromas, sabores e temperar um alimento, o Plant e Pay off também deve ser um frescor que trás novos tons e realça os traços já presentes na história . E assim, como qualquer tempero, quando usado em excesso, ele ofusca o brilho do que realmente importa, rouba a atenção para si mesmo e pode se tornar indigesto.

Existem roteiristas que são famosos por seus roteiros cheios de Pistas e Recompensas e às vezes, elas são bem vistas pelo público/crítica e às vezes não.

Pistas não devem ser apenas Pistas, mas ter uma função real na primeira vez que aparecem na trama. Qualquer elemento que não seja útil e natural aquela história, naquele momento, chamará atenção para si mesmo e na hora identificado como um elemento plantado aleatoriamente para posteriormente ser descontado.

Assim, toda pista deve simultaneamente ser também uma parte funcional da narrativa naquele momento, ter uma função dramática logo em sua implantação.

M. Night Shyamalan é um dos roteiristas/diretores mais famosos por seus plant/recompensas surpreendentes e em alguns de seus filmes, eles são usados com maestria. Mas em outros, a mão pesada em implantar pistas de solução de conflitos fica tão aparenta que compromete a seriedade da recepção, beirando o ridículo. Em A Visita, em determinado momento da história, a irmã entrevista seu irmão sobre como ele se sente com a partida do pai. O menino conta sobre uma vez que estava jogando futebol e no momento decisivo do jogo, ficou congelado estático. A questão é trazida de forma tão aleatória que para justificá-la a personagem tem que perguntar se o irmão acha que o pai foi embora porque ele foi mal em um jogo. Ele invertem a posição e então ele passa a entrevistar a irmã. Diz que ela não se olha no espelho desde de que o pai foi embora. Pois adivinha? No clímax do filme para enfrentar sua antagonista, em vez de simplesmente olhar diretamente para a farsante, ela se virá para um espelho e se olha! O mesmo acontece com o irmão, que após atacar o vilão com um movimento utilizado por jogadores de futebol americano, grita vitorioso imitando a narração de um touchdown, como se só após aquele momento, ele tivesse se “descongelado”. O problema é que nada disso soa natural a trama, parece calculadamente pensado para estar aí, mesmo que muitas dessas ações não façam sentido algum, como dar as costas para alguém que está tentando te matar para se olhar no espelho.

A Visita

Então, é bom ter cuidado, mesmo os mestres podem errar na medida. Como técnica, o PLANT e PAY OFF não precisa ser invisível, mas deve ser utilizado com delicadeza e não deve chamar atenção em demasiado para si mesmo. E isso não quer dizer que o público a esqueça, mas sim que o público entenda a técnica de forma completamente orgânica dentro daquela história. O retorno da Pista em forma de recompensa deve parecer natural.

Outra forma eficiente de trabalhar com pistas e recompensas é disfarçá-las ao redor de Red herrings, ou seja Pistas falsas. As Pistas falsas enganam ou distraem a atenção do público de uma questão relevante, fazendo com que cheguem a conclusões falsas ou incompletas. É como um truque de mágica. Essa técnica é muito comum em filmes de gênero, como noir, criminal, investigativo, etc. Mas também pode ser utilizado em outro gêneros tomando-se cuidado para não seguir excessivamente uma pista falsa e depois abandoná-la, o que pode causar uma sensação de insatisfação no público.

Fora isso o Red Herring permite brincar com a própria expectativa sobre a recompensa. Por que afinal, a trama não é a recompensa, a recompensa é apenas um toque a mais.

Em Sala Verde (Green Room , 2015) Jeremy Saulnier brinca com isso. Coloca o grupo de música punk Ain’t Rights dando uma entrevista e respondendo a questão “que banda levariam para uma ilha deserta”. Todos respondem com bandas de rock e punk, que supostamente deveriam mostrar envolvimento com o movimento. Pat, o protagonista, na dúvida, não diz nada.

Sala Verde ( 2016)

Já no meio do filme, quando o conflito principal já foi deflagrado e eles precisam tomar uma atitude, Sam diz que mentiu e que levaria Simon & Garfunkel, enquanto outro membro revela que levaria Prince. Pat mais uma vez se cala, em dúvida. Amber, personagem que não é um membro da banda, mas que se une ao grupo por forças maiores, diz que levaria Madonna e Slayer.

No final do filme, depois de todo o terror enfrentado pelo grupo e contando os mortos e feridos, Amber e Pat estão sentados a beira da estrada esperando a policia. Pat então como que em uma revelação, diz que sabe que banda levaria para uma ilha deserta, quando é interrompido por Amber que diz que ele deve contar para alguém que se importe com isso. E é essa exatamente a questão. Depois daquela história, uma recompensa como essa parece banal e arbitrária. Nós, assim como Amber, não ligamos em ser sempre recompensados.

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